Um em cada três paulistanos vive em condomínios. Levantamento inédito mostra onde eles estão localizados, como são administrados e quais seus principais problemas

Ela é a big sister em pessoa. Do computador de sua sala, no Jardim Paulista, a publicitária Angélica Delgado Arbex consegue acessar informações de 97% dos 20 000 condomínios residenciais da cidade. Endereço, tamanho dos apartamentos e telefone do síndico dos 28 000 edifícios são alguns dos dados que estão ali, a um clique de seu mouse.
Gerente da divisão comercial da administradora Lello Condomínios, Angélica se apóia nesse cadastro para entender a realidade do setor em São Paulo e, assim, definir quais conjuntos podem se tornar clientes da administradora. "Seguramente, metade dos condomínios de São Paulo já recebeu ao menos uma proposta nossa", diz. A empresa, que lidera o mercado paulistano do ramo, tem sob seus cuidados 1 200 condomínios, enquanto quatro concorrentes que se alternam na segunda colocação administram cerca de 400 cada um.
Manter atualizado esse gigantesco banco de dados é uma missão confiada a quinze de seus 350 funcionários. Eles conversam diariamente com porteiros, zeladores, síndicos e, em alguns casos, moradores. Cinco ficam pendurados ao telefone o dia inteiro. Dez vão para a rua, num trabalho porta a porta.
O gerente comercial Luiz Sidenildo Ferreira, por exemplo, visita cerca de dez condomínios por dia. "Captamos dados e estreitamos o contato com os síndicos", conta. Já à operadora de telemarketing Jusceli Lopes da Silva cabe descobrir os nomes e telefones dos síndicos dos condomínios, tanto dos novos quanto dos que estão com o cadastro desatualizado. "Faço cinqüenta ligações diárias para chegar a cerca de dez síndicos", afirma. "É preciso jogo de cintura para as pessoas entenderem o meu trabalho e não me tratarem mal." Ela costuma começar sua apuração pela lista telefônica. Quase sempre encontra algum telefone do prédio, seja da portaria, seja de um dos moradores.
Com tais informações consolidadas e cruzadas em uma planilha, a Lello consegue traçar um raio X dos condomínios paulistanos, nos quais vivem cerca de 4 milhões de pessoas – ou um em cada três habitantes da capital. É o que Veja São Paulo mostra nas páginas a abaixo:
Fonte: Revista VEJA SP - Radar Lello
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