Cachorro, cano, carro e criança

As quatro palavras que começam com cê, de condomínio, são a causa de 75% das brigas entre vizinhos.
Para diminuir os problemas envolvendo os 45 cães dos moradores de um conjunto residencial no Jardim São Bento, na Zona Sul, o agente de trânsito e síndico Marco Antonio do Vale criou um cachorródromo. Trata-se de uma área de 20 metros quadrados, cercada, onde os bichos podem se divertir, soltos, sem incomodar ninguém. "As reclamações acabaram", diz ele. Sujeira e latido de cachorro são os principais motivos de briga entre os condôminos paulistanos.
Vagas de garagem, vazamentos de água e barulho de crianças vêm em seguida no ranking dos atritos. "Quando assumi, há cinco anos, tinha de ouvir uma queixa por dia", conta o empresário Celso Dieguez Estrada, síndico de um prédio no Jardim São Luís, também na Zona Sul. "Hoje, felizmente, temos apenas uma por mês." Para melhorar a situação, ele diz que passou a tratar cada caso individualmente, com muita conversa.
O método do empresário Carlos Eugênio Berkhout, síndico de um condomínio na Vila Mascote, na região do Jabaquara, é outro. Passou a exigir que as reclamações fossem dadas por escrito. "Tiro uma cópia e envio para o morador acusado", afirma. "Quando a questão não se resolve, reunimos os dois e designamos um conselheiro para mediar."
Especialista em direito imobiliário, o advogado Marcio Rachkorsky arbitra conflitos em cerca de 250 condomínios paulistanos. São dois casos novos por dia. Para ele, os de mais difícil solução envolvem barulho. "Muitas vezes, é complicado até identificar de onde vem o ruído, pois tem de tudo: de salto alto a festinhas nos apartamentos."
Fonte: Revista VEJA SP - Radar Lello
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