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Tratamento de Esgoto

Condomínios investem em ETEs

As fossas sépticas estão sendo abolidas para dar lugar às compactas estações de tratamento de esgoto devido, principalmente, à sua eficiência. Apesar de o modelo antigo de tratamento ser uma opção dada pelo Estado de São Paulo, o Município de Mogi obriga, há dois anos, que os condomínios com mais de seis casas tenham suas próprias estações (veja mais nesta página).

A ineficiência das fossas foi sentida pelos moradores do condomínio de alto padrão Real Park, instalado na Vila Oliveira, que colocou em funcionamento, neste mês, sua Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) que irá liberar, em breve, uma média de sete litros por segundo de esgoto tratado no Córrego Sabino.

O investimento de R$ 3,3 milhões foi dividido entre os 530 proprietários de lotes do residencial.

As obras tiveram início em abril de 2006, depois de um ano de pesquisas e assembléias. "As fossas sépticas que existiam não estavam operando como deveriam. Com o aumento do número de residências houve a saturação do solo. As fossas, instaladas em frente às casas, começaram a vazar e gerar mau cheiro em alguns pontos", conta o advogado e diretor presidente da Associação dos Adquirentes de Unidades do Loteamento Real Park Mogi, João Carlos da Rocha Louzada.

Após um dos moradores estudar o problema e as soluções possíveis, uma empresa foi contratada para realizar um pré-projeto com a previsão de custos. Assim que o projeto foi aprovado, a Associação começou a captar recursos.

O engenheiro químico Celio de Almeida Frias, morador do Real Park e gerente técnico comercial da Imeiq Soluções em Aplicações, empresa responsável pela parte elétrica, hidráulica e mecânica da ETE, explica que o sistema de tratamento micro biológico instalado no local possui baixo custo pois não exige a adição de produtos químicos.

Para que o esgoto chegasse à ETE foram construídos 8.700 metros de rede coletora ligando todas as casas à Estação, além de duas elevatórias por conta do desnível do terreno. Todo o volume de detritos chega ao tanque e é ingerido pelas bactérias flutuantes. Essas engordam e vão para o fundo do recipiente, formando lodo e fazendo a decomposição do material orgânico. "O próprio esgoto faz as bactérias se proliferarem e, consequentemente, realiza o tratamento. É um ciclo constante", detalha. A previsão é de que mil quilos de lodo sejam tratados e centrifugados diariamente, resultando 300 quilos de massa, que devem ser levados para um aterro sanitário.

O equipamento, que trata 29 mil litros de efluentes por hora, foi construído todo em concreto, com estrutura metálica internamente e isolamento com manta asfáltica. "O concreto agüenta 50, 100 anos", contou. Dentro do tanque estão os aeradores submersos, que geram oxigênio para a sobrevivência das bactérias sem provocar barulho, vento e mau cheiro. "Funcionam como hélices de navios girando sobre a lâmina da água. Se não fosse submerso teríamos um grande ruído e odor. Quando recebe o oxigênio, tem início a oxidação do material orgânico e também a proliferação das bactérias", aponta.

Apesar de a operação da ETE ter sido iniciada no último dia 4, o processo de decomposição ainda não começou, pois as bactérias estão em formação, fase que deve durar até o final de agosto. Prevendo esse ciclo, o tanque pode acumular, durante 30 dias todo o material recolhido. "A capacidade é de 720 metros cúbicos de efluentes a serem tratados", informa.

A moderna Estação de Tratamento conta ainda com a casa química, onde está instalado um painel de controle de toda a estação. No local, é feita a separação do lodo formado na água e a adição do hipoclorito de sódio. Depois, o líquido ainda passa por um filtro e recebe mais oxigenação para, então, ser lançado no Córrego Sabino. "Á água entra na casa com uma coloração escura e sai límpida", observa o químico.

Apesar de ser lançada no córrego, essa água pode ser reutilizada no condomínio. "Estudaremos se a utilização dessa água pode gerar economia", adianta João Carlos da Rocha Louzada.

O investimento, além de benefícios para a qualidade de vida dos moradores, terá retorno financeiro. "Hoje, com a obra, é fácil afirmar que os imóveis irão sofrer valorização", finaliza o advogado.



Fonte: O Diário de Mogi - SP

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