"A iniciativa de implantar a coleta seletiva partiu de mim e mais duas moradoras. Não o deixamos vinculado ao síndico porque temíamos que, com uma mudança de gestão, o projeto fosse interrompido. Também temíamos que problemas de relacionamento entre o síndico e moradores comprometesse o bom andamento do projeto. Formamos uma comissão de seis pessoas para cuidar da coleta, que começou há cerca de dois meses. Auxiliados por uma consultoria, fizemos todo o planejamento e criamos uma grande expectativa para o dia do início da coleta. Lacramos as lixeiras novas e colamos cartazes. A adesão foi muito grande: dos 49 apartamentos, apenas dois não participam até o momento. No primeiro mês coletamos 917 kg de lixo reciclável, superando uma expectativa inicial de 800 kg. As pessoas começaram a trazer lixo do trabalho, foi uma coisa incrível mesmo."
Christiane Martins, moradora do edifício Orlov., em Perdizes, São Paulo
"Implantamos há seis anos a coleta seletiva no nosso edifício e os resultados foram incríveis. Hoje coletamos 1 tonelada por mês de material reciclável e a adesão está acima de 90% dos moradores. A maior dificuldade, no começo, foi a mudança de hábito dos moradores. Há seis anos não se falava tanto em coleta seletiva. Mas foi incrível perceber como as pessoas participam, se motivadas. Com o sucesso do nosso programa, fomos procurados por moradores de outros edifícios, que também queriam implantar um sistema semelhante. A partir disso, tive a idéi ade montar um programa, o Ação Reciclagem, que trabalhou na implantação da coleta seletivaem 180 condomínios de São Paulo."
Maria Inês Martins Ramos, economista, moradora do edifício João Moura, com 85 apartamentos, e proprietária da CP Brasil, que desenvolve consultoria para edifícios que querem implementar a coleta seletiva.
"Não acho que o fato de ser síndico tenha atrapalhado a adesão dos moradores. Administro o condomínio como uma empresa e, por isso, delego poderes. Criei uma comissão de duas pessoas para cuidar do tema. De qualquer forma, acredito que, sem uma consultoria, o projeto fica inviável, pois é preciso preparo para orientar moradores, funcionários e as empregadas domésticas também. A adesão foi muito grande, com 93% dos moradores presentes na primeira reunião temática. Distribuímos kits para moradores e funcionários, com cartilhas e folhetos explicativos, e fazemos o mesmo com cada novo morador do edifício. Para que o projeto dê certo, todos devem estar integrados."
Fernando Santoro, síndico do edifício Jamanari, no bairro do Morumbi, em São Paulo, que iniciou o projeto há seis meses.
Dificuldades
Entre os percalços para implementar um projeto de reciclagem no condomínio, pode estar a oposição das pessoas que trabalham no prédio. Isso acontece porque muitos funcionários vendem, eles mesmos, os itens recicláveis.
O síndico R.L., de um prédio em Perdizes (zona oeste), desistiu do projeto de reciclagem devido ao "engajamento às avessas" dos funcionários:
"Tive de me fazer de bobo para não entender como ameaças os "recados" que eles mandaram. Achei melhor deixá-los com esse ganho extra."
Já a síndica Isabel Pires optou por educação e fiscalização. "Fizemos um trabalho de conscientização grande com os faxineiros e zeladores", conta.
"Explicamos que, por se tratar de um volume grande, conseguimos um preço melhor pelo material", argumenta.