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Mercado

Apartamentos térreos

Unidades sofrem com abandono na Zona Sul do RJ

sexta-feira, 24 de março de 2023
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Apartamentos térreos sofrem com abandono na Zona Sul

O mercado imobiliário está em recuperação, mas os apartamentos térreos se tornaram o que os corretores chamam de "caveira de burro". A dificuldade de serem vendidos é enorme, e nem mesmo o raio gourmetizador que os transformou em "gardens" está dando jeito

O mercado imobiliário tem tentado criar eufemismos para tratar de um velho conhecido de todos. O apartamento térreo. Nos novos lançamentos, foi apelidado de “garden“, mas ainda costuma ser o último a ser vendido, segundo especialistas. Uma gourmetização imobiliária, sem sombra de dúvida.

A verdade é que, com o crescimento desordenado da cidade, ao menos nos bairros mais movimentados, estes imóveis se tornaram muito indesejáveis e os corretores, mesmo com seus argumentos otimistas, não conseguem mudar o fato de que, ao menos no Rio, se tornaram grandes elefantes brancos. E isto vem continuando apesar do grande aumento das vendas de imóveis ocorrido nos últimos meses.

Na Rua Jardim Botânico, 179, um apartamento térreo está para alugar há nada menos que 8 anos. Telefonamos pra imobiliária responsável, que disse que o imóvel tem incríveis 4 vagas de garagem e que pode ter uso misto. Segundo vizinhos, a última locação foi para a churrascaria Rubayat, que usava para dormitório de seus garçons.

O valor do rateio condominial é de apenas 500 reais. Mas parece que ninguém quer morar ou trabalhar com a cara na grade da entrada do edifício, sujeito ao cheiro de urina e fezes de moradores de rua. No telefone, numa segunda tentativa, nos disseram que o imóvel finalmente teria sido alugado. Quem viver verá.

Em Copacabana, bairro que sofre com a proliferação da mendicância e com o verdadeiro “reinado dos pivetes“, nas palavras do síndico de um edifício da Rua Barão de Ipanema que pediu para não ser citado, a situação é pior. Praticamente todos os apartamentos térreos da Avenida Atlântica – e é verdade que só prédios mais antigos costumam ter este tipo de unidade – ostentam placas de vende-se ou aluga-se. A quantidade de mendigos, pedintes e camelôs na avenida que beira a praia mais famosa do Brasil faz inveja a Bombaim ou Nova Delhi.

Na Avenida Atlântica, 2984 está o famoso edifício Lellis, que até já foi objeto de uma reportagem aqui. Aristocrático, debruçado sobre a praia mais famosa do Brasil, foi construído em 1928 e é famoso por seu elevador histórico com espelhos belgas e jacarandá, sua aconchegante portaria totalmente restaurada e sua fachada em estilo eclético do arquiteto Cristiano Stockler das Neves, um dos maiores nomes da arquitetura brasileira. Seu apartamento térreo chama atenção com a quantidade de placas e faixas de corretores dos mais diversos, tentando vender o imóvel, que já pertenceu a um famoso dentista. As placas estão lá há mais de um ano.

Procuramos os porteiros, mas eles informaram que não têm autorização do síndico para comentar. Mas o carioca gosta de bater papo, e um funcionário de uma moradora acabou comentando que o imóvel é alvo de discórdia no prédio, que sofreria com o acúmulo de lixo e muitos mosquitos no jardim, que não receberia qualquer cuidado e serviria de moradia para ratos e baratas. Segundo ele, o dono seria um professor universitário de Brasília, que por mais de 5 anos tentou alugar o apartamento, sem sucesso.

Heloiza Maldonado, moradora de Copacabana, falou conosco sobre o assunto. “Este apartamento térreo está vazio há pelo menos 15 anos. De vez em quando alguém pinta suas grades, mas é conhecido por todos como um foco de mosquitos, e pelo acúmulo de lixo no seu – abre aspas – jardim, que na verdade é um monte de plantas desordenadas que acumulam folhas e mais mosquitos.” Ela disse que, apesar do óbvio abandono do imóvel, que está com 4 placas de corretores que tentam vendê-lo, a culpa não é só do proprietário. “Todo mundo que passa ali joga no jardim desde camisinhas usadas, até cápsulas de cocaína, colheres queimadas de crack e lixo de todo o tipo, como garrafas de cerveja e latas de refrigerante“, sentencia.

Segundo um dos vários corretores que vem tentando vender o (mesmo) imóvel, o proprietário pede R$ 1.600.000,00 pelo apartamento, que estaria precisando de modernização e reforma totais, além da óbvia necessidade de limpeza e paisagismo no jardim. Segundo o corretor, o apartamento teria uma cozinha grande e antiga, biblioteca, sala e dois quartos, em estado original, e não possui nenhuma vaga de garagem. No mesmo prédio, um apartamento bem maior, de 140m2, também precisando de muitas reformas, está à venda por R$ 1.500.000,00. Será que o térreo vale mais que um apartamento comum?

“Claro que não. O térreo é a unidade menos valorizada de qualquer edifício. E se o térreo for de frente pra rua, a situação se agrava. Além de estar sujeito à violência urbana, à sujeira, à ação de moradores de rua e ao mau cheiro, ainda sofre com o lixo que moradores dos andares superiores acabam jogando ou deixando cair. E pra piorar, paga manutenção de elevadores igual todo mundo, mesmo sem usar. É um tipo de imóvel muito especial, e que normalmente só vendemos para idosos ou pessoas que não podem subir escadas ou têm medo de elevador. Ou então, vendemos por ser muito mais barato que as outras unidades do mesmo prédio“, afirmou ao DIÁRIO DO RIO André Toledo, Diretor da Block Imóveis, corretora especializada em imóveis residenciais.

Será que com a nova administração da cidade os apartamentos térreos voltarão a ter algum valor? O movimento de vendas de imóveis na cidade do Rio de Janeiro em Novembro de 2020 foi o maior dos últimos 10 anos, segundo estatísticas oficiais da Prefeitura do Rio. Mas a grande maioria dos apartamentos térreos que estavam à venda antes mesmo da pandemia continuam com suas placas de vende-se. A verdade é que, neste momento, tudo que os proprietários de imóveis deste tipo querem…é vendê-los.

Fonte: https://diariodorio.com

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