Rafael Lauand

6 benefícios da tecnologia a favor do mercado

Colunista exemplifica maneiras práticas de reinventar a gestão imobiliária e de condomínios

Por Thais Matuzaki

02/04/19 11:46 - Atualizado há 4 meses


Por Rafael Lauand*

Não há dúvida de que a tecnologia transformou praticamente todos os setores nos últimos dez anos. Ela mudou o transporte, a mídia, as comunicações, o varejo, as viagens e muito mais. No entanto, ouvi muitas pessoas argumentarem que o setor imobiliário é imune a grande parte da transformação digital devido à natureza do negócio. 

Certa vez, o CEO de uma administradora de imobiliária me disse que a tecnologia não importava para o gerenciamento de propriedades, da mesma maneira que ouvia frases parecidas de taxistas enquanto trabalhava com esse tipo de aplicativo.

De muitas maneiras, a falta de tecnologia no setor imobiliário criou uma enorme oportunidade para novas empresas e indivíduos. 

Como a oportunidade é tão grande no mercado, decidi escrever esse artigo: “As 6 maneiras práticas de reinventar a gestão imobiliária e de condomínios.”

1. Um caminho sem papel

Primeiramente, o gerenciamento de condomínios e propriedades imobiliárias em geral pode ser um negócio totalmente sem papel. Apesar disso, ainda hoje, o síndico ou o gerente condominial precisa vasculhar um arquivo toda vez que se depara com uma pergunta sobre contrato, uma conta de manutenção, etc. 

Os problemas logísticos e organizacionais com a manutenção de cópias físicas tudo são desastrosos e impossíveis de escalar sem erros. Os agentes do setor devem digitalizar cada vez mais e descartar arquivos em papel!  

2. Rumo à nuvem

Cada documento, interação, mensagem de texto, solicitação, convenção condominial, atas, pagamento de aluguel, manual do funcionário, etc, deve ficar na nuvem para possibilitar a consulta de qualquer pessoa no condomínio com um clique em um botão. E mais: é preciso assegurar que os documentos sejam digitais durante todo o processo. 

Digamos que demore, em média, uma hora para obter um contrato físico de um fornecedor assinado. Isso significa que as concessões digitais podem ajudar o síndico a economizar muitas horas por mês.

Infelizmente, não há apenas um único tipo de tecnologia para fazer tudo. Os melhores síndicos buscarão uma variedade de soluções tecnológicas, mas também recomendamos o uso de tecnologias como o Dropbox ou do Google Drive.  

3. Registro de manutenção

Uma administradora de condomínios pode manter um registro de todos os clientes para a eternidade. 

Vamos jogar em um cenário: um morador informa que o telhado está vazando. Anteriormente, um síndico precisaria ter a memória de elefante para lembrar o histórico de manutenção do condomínio. O condomínio contratou um fornecedor para o telhado ou deveria rever a garantia do fornecedor anterior? Esse telhado sempre vaza e, portanto, precisa de uma solução diferente? Não é um vazamento no telhado, mas algo único na propriedade que causa estranheza no escoamento da água? A saída para isso seria um banco de dados que armazena esta informação, para sempre! 

Além disso, grandes projetos exigem uma organização muito mais complexa de cronogramas, tarefas, prioridades e vários contratados. Sem a tecnologia rastreando uma linha do tempo, as oscilações maiores quase sempre levarão mais tempo, pois é muito difícil conciliar os trabalhos. Mas implementar a tecnologia certa facilita muito o gerenciamento de projetos e reduz os riscos gerais do condomínio.

4. Arrecadação de cotas

Manter o dinheiro é um grande risco de segurança que não queremos suportar. Mais importante: não aceitar dinheiro significa que um condômino nunca pode alegar que pagou o condomínio quando não o fez. 

Toda transação é mantida em um livro online, que pode ser acessado digitalmente pelo síndico e pelo morador. Quando sentado em frente a um juiz para discutir uma inadimplência, isso torna a discussão muito mais fácil quando há um registro central, com histórico de transações e códigos de rastreamento.  

5. Smartphones

Os smartphones basicamente substituíram a necessidade de escritórios de tijolo e cimento maciços e com localização central. 

Escritórios enormes e caros para armazenar arquivos físicos foram substituídos por todas as informações sobre propriedades, manutenção, etc que estão agora disponíveis na palma da sua mão. 

Os moradores podem ter um canal direto de comunicação 24 horas por dia, 7 dias por semana, através de uma solicitação de manutenção por meio do smartphone. O novo desafio para os síndicos é manter-se organizado com todas as diferentes formas de comunicação digital. 

6. Fluxo de Informações

Informações de fornecedores costumavam ficar em sua maioria na memória dos administradores. Hoje em dia, você pode encontrar uma estimativa de fornecedores decentes usando sites diferentes como pontos de dados. 

Por exemplo, para encontrar um inquilino, um proprietário costumava publicar um anúncio no jornal local. O proprietário muitas vezes contava com um sinal de locação fora da propriedade para obter juros. Este processo foi lento e confinado localmente. Hoje, os proprietários de imóveis listam propriedades em sites, para gerar interesse de qualquer lugar do país a partir do smartphone ou do computador do inquilino.

E daí? Como tudo isso impacta o meu dia-a-dia como síndico?

O que tudo isso significa para síndicos e moradores? Quer dizer que o gerenciamento de propriedades e condomínios está melhorando todos os dias. As taxas e tarifas podem e devem ser menores do que eram há 10/20 anos atrás, sem comprometer o serviço e em muitos casos a prestação de serviço deve ir além.

Todas os pontos que colocados neste artigo são de tecnologias que estão ao alcance de síndicos, moradores, administradores, e consumidores em geral. Sem pensar que estruturas tecnológicas mais avançadas, como inteligência artificial, blockchain, ou ‘machine learning’ (aprendizado através de algoritmos), que vão revolucionar ainda mais o nosso dia a dia (não só em condomínios).

 

(*) Rafael Lauand (@rafalauand) é Engenheiro de Produção formado pela UFPR; especialista em controladoria e finanças pela UFPR; especialista em 'Data Science' pela John Hopkins University; sócio-fundador da LAR.app Administradora de Condomínios; professor do INSPER no curso de Direito das Startups; e conselheiro de empresas de tecnologia. Rafael foi um dos pioneiros no mercado de startups da geração 'mobile', com atuação desde logística à saúde, e também teve experiência como sócio de algumas startups de tecnologia brasileiras.