Síndico do mês

Administrando de perto

Síndica apostou em contato direto com fornecedores para economizar nas cotações

Por Mariana Ribeiro Desimone

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017


O ano de 2016 foi tenso para muitos síndicos brasileiros, que viram uma porcentagem da massa condominial perder o emprego, sentiram o aumento da inadimplência e tiveram que ajustar a taxa (ou fazer rateios extras ao longo do ano).

Mas nada disso aconteceu no condomínio onde Grazieli Negri Tziminadis é síndica.

Na verdade, no ano passado eles reformaram toda a área da academia. Os aparelhos de ginástica foram substituídos por profissionais e a área ganhou melhorias na ordem de R$ 50 mil.

“Consegui enxergar com antecedência que seria um ano duro e preparei o condomínio para isso. Assim, consegui fazer um caixa para as benfeitorias necessárias”, conta a síndica que é pedagoga de formação.

Como tinha o dinheiro em caixa, ela conseguiu descontos de até 70% por comprar os aparelhos à vista. “Saber se programar foi fundamental”, conta.

Modo de gestão

A gestora atribui muito da sua boa gestão à sua equipe.

“São pessoas de perfil parecido. Profissionais de nível executivo, gente que trabalha com muita sinergia”, explica.

Grazieli focou seu trabalho como síndica em duas grandes frentes: o relacionamento com moradores e funcionários e a cotação e revisão de todos os contratos do condomínio. 

“Tínhamos um problema sério de comunicação aqui na gestão anterior. Não achamos legal e, melhorando isso, conseguimos vários benefícios. Além de um ambiente melhor, muitos inadimplentes voltaram a pagar, chamaram a gente para conversar. O diálogo num condomínio é imprescindível”, enumera.

O empreendimento em questão conta com 148 unidades distribuídas em duas torres na Vila Andrade, em São Paulo.

Economia 

O interesse pela negociação dos contratos começou com os capachos do condomínio. A administração queria trocá-los. 

Ao cotar com a administradora, com diversos fornecedores, e o valor variava em torno de R$ 6 mil. A síndica, então, pesquisou mais e encontrou uma empresa em Santa Catarina. O total do orçamento chegou a R$ 3 mil.

“Isso foi ótimo de ter acontecido logo no início da gestão, pois percebi que poderia ser um ponto de economia bem interessante”, conta.

A partir daí, ela foi ficando cada vez mais atenta à diferença nos números de quando fazia, ela mesma, as cotações, e de quando eram outras pessoas que enviavam os orçamentos.

“Foi com essas economias pequenas, do dia-a-dia mesmo, que conseguimos economizar e realizar benfeitorias no condomínio. Equilibramos as contas e não aumentamos a taxa mensal nos últimos anos”, explica a síndica.

Para a gestora, foi isso que imprimiu sua cara à administração, evitando repassar a demanda de orçamentos a parceiros do condomínio, por ser mais cômodo e ser o “hábito”. 

Ela contou que usou bastante o canal de fornecedores do SíndicoNet. 

“Além de ser bastante prático, também confere transparência. Afinal, se um condômino for cotar a mesma coisa, com o mesmo fornecedor, o preço é o mesmo. E isso é muito bom tanto para o síndico como para o morador”, argumenta Grazieli.

Relacionamento

Como o condomínio vinha de uma gestão com pouca comunicação e diálogo, Grazieli fez questão de melhorar esse ponto.

“Não é só responder com brevidade aos e-mails ou whatsapps dos moradores. Montamos comissões para diversas frentes no condomínio e cada um tem a sua responsabilidade. É importante trazer os moradores para a administração do condomínio”, pesa a síndica.

Como está presente no dia-a-dia do condomínio, conseguiu também identificar, cedo, problemas com alguns funcionários – como era o caso da equipe de limpeza

“Mesmo oferecendo estímulos, não estavam respondendo. Conversei com a terceirizadora e trocamos os colaboradores. Melhorou bastante. E queremos ter sempre um clima legal. Comemoramos aniversários, fazemos café da manhã para eles”, aponta.

Síndica profissional

Foram esses bons resultados que acabaram culminando na indicação de Grazieli para atuar como síndica profissional em uma empresa do ramo.

“Desde o ano passado atuo como síndica profissional em mais três empreendimentos. No meu condomínio, sigo como síndica moradora”, explica a gestora.

Apesar de não ter formação nas áreas mais comuns da gestão condominial, como contabilidade, direito, engenharia, administração ou economia, ela conta que usa muito o que aprendeu no curso de Pedagogia.

“Tem que saber educar sem ofender. Explicar o motivo das regras existirem é fundamental”, finalizou.

Sobre a série "Síndico do mês"

Esse é o oitavo case publicado pelo SíndicoNet sobre "gestores da vida real". Nossa ideia é mostrar como é o dia-a-dia dos síndicos brasileiros. O primeiro a participar foi um gestor jovem, que optou por ser síndico para agregar a sua vida profissional. O segundo foi o síndico do Copan, um cartão-postal de São Paulo. O terceiro, um gestor preocupado com a representatividade no seu condomínio. O quarto, um porteiro que chegou ao time A dos síndicos profissionais. O quinto, um síndico que passou de morador a síndico profissional. O sexto, um síndico que deixou seu condomínio em dia com o meio ambiente. A sétima, uma gestora que aposta em planos customizados para seus clientes. O oitavo, um administrador focado em manutenção e melhorias. Quer participar? Escreva para gente aqui!