Jorge Lordello

Aquisição de equipamentos de segurança do condomínio

Saiba como deve ser o processo de compra desse tipo de aparelho

Por Mariana Ribeiro Desimone

segunda-feira, 29 de maio de 2017


Em certa ocasião, antes de ministrar palestra sobre conscientização em segurança para moradores de um condomínio residencial, o síndico pediu que eu analisasse três orçamentos de empresas de segurança eletrônica, pois o prédio necessitava de instalação de câmeras.

O primeiro orçamento fora solicitado por e-mail.

O segundo, através de bate-papo por telefone entre o síndico e o departamento comercial de certa empresa.

Em relação ao terceiro, o consultor comercial que atendeu disse que precisava conhecer o local e que providenciaria laudo de análise de risco para quantificar o número de câmeras a serem instaladas.  

Em relação às duas primeiras propostas, fiz ao administrador a seguinte colocação:“Não vou perder meu tempo vendo orçamentos de empresas que sequer vieram conhecer o condomínio”.

Decidi por analisar o trabalho técnico realizado pela terceira empresa de segurança eletrônica. Para minha surpresa, tratava-se apenas de um orçamento simples, propondo a instalação de 32 câmeras de segurança. Decepcionado, perguntei ao síndico:

“Quanto tempo o tal consultor comercial permaneceu aqui no seu edifício?”

 A resposta foi estarrecedora:“Batemos um papo de 15 minutos dentro da guarita”.

Fiz a réplica :“Mas ele não visitou detalhadamente o condomínio para levantar quais os pontos vulneráveis e as reais necessidades? Como ele chegou à conclusão que seu prédio precisava de 32 câmeras?”

O síndico, mostrando-se constrangido, explicou:

“O consultor apenas abriu um computador, mostrou fotos de outros prédios que já tinha realizado serviços e disse que para o tamanho do nosso, o ideal era o investimento em 32 câmeras de segurança”.

Caro leitor, na verdade, esse vendedor, que jamais deveria ser chamado de consultor, apenas foi ao local para impressionar o síndico e verificar o padrão do imóvel. Provavelmente, ele possui programa de computação específico para elaborar orçamentos com base no número de apartamentos e nível social do condomínio.

Para esse tipo de empresa que ele representa, a preocupação não é a segurança e sim vender a maior quantidade de equipamentos possível.

As outras duas empresas, sem estrutura comercial para visitação ao cliente, provavelmente viram a fachada do prédio através do google maps e com esse parâmetro apresentaram orçamento compatível com o padrão econômicio dos moradores.

Gostaria de apontar ao leitor os maiores erros e absurdos encontrados em condomínios verticais e horizontais promovidos por empresas que se preocupam apenas em vender equipamentos e não em ofertar segurança:

1) É bastante comum encontrar excesso de câmeras de segurança e instaladas em locais completamente desnecessários. Ainda pior, é o fato que nos pontos cruciais para a segurança costuma não ter nenhuma.

2) Não é raro encontrar edifícios com guaritas com vidros blindados e porta de alumínio.

3) Erros na formatação de clausuras também são constantes.

Outro item a ser discutido é em relação a qualidade duvidosa dos produtos de segurança oferecidos no mercado. Quando o vendedor percebe que o síndico está apenas procurando o “bom, bonito e barato”, para não perder o negócio, oferta equipamentos de baixíssima qualidade. Num primeiro momento, o cliente fica feliz, mas com o passar dos dias e semanas percebe que na verdade fez péssima compra quando optou pelo menor preço e não pela qualidade.

Vamos a alguns exemplos:

A) Proteção eletrônica de muros (cerca ou infravermelho) que apresentam alarmes falsos constantes. Nesses casos, o zelador acaba optando em desligar o sistema para não gerar transtornos aos moradores

B) Imagens no monitor geradas pelas câmeras mostram apenas o vulto das pessoas, impossibilitando identificação

C) Passa-volume e porta blindada que deveriam ser feitos de aço balístico mas que são substituídos por latão

D) Vidros blindados de guarita que deveriam ser apoiados em caixilho de aço mas que são instalados diretos na alvenaria ou apoiados em caixilho de alumínio. Em curto espaço de tempo, as primeiras trincas surgem nos vidros blindados da portaria.

E) Portões automáticos que abrem e fecham com lentidão trazendo insegurança ao motorista.

Infelizmente, boa parte do mercado age dessa forma.

Antes de se instalar qualquer equipamento de segurança, é crucial que se providencie laudo de análise de risco do local a ser protegido. É preciso verificar tecnicamente o controle de acesso de pessoas, veículos e mercadorias e as normas procedimentais existentes no condomínio para se apurar eventuais falhas e vulnerabilidades e as reais necessidades de implementação de novas soluções em segurança.

O intuito deste artigo é “educar o mercado”!

Outro ponto importante, é que segurança deve ser analisada de forma global e não individual.

Do que adianta a instalação de número considerado de câmeras de segurança se o prédio não conta com clausura de pedestres e veículos?

E os prédios que investiram em guarita blindada mas a porta fica aberta a maior parte do tempo?

Depois de revelado “Raio X” das vulnerabilidades e soluções para o local a ser protegido, é preciso estabelecer cronograma de trabalho com base nas prioridades, pois, na maioria dos casos, o prédio ou empresa não dispõe de recursos suficientes para implementar todas as soluções de uma só vez.  

Portanto, os síndicos, gerentes prediais e administradores de imóveis, quando tratarem do assunto segurança de pessoas e patrimônios, não podem cair na armadilha do achismo, do amadorismo e da fantasia que o “bom, bonito e barato” são suficientes.

O escritor francês François La Rochefoucauld, que também foi destinado à carreira militar, tendo participado da campanha da Itália em 1629, escreveu:

“É tão fácil enganar-se a si mesmo sem o perceber, como é difícil enganar os outros sem que o percebam”.

JorgeLordello é especialista em Segurança Pública e Privada, Escritor internacional, Conferencista e Palestrante sobre Segurança em Condomínios Horizontais e Verticais. Apresentador do programa “Operação de Risco” na RedeTV. Fundador do portal www.doutorseguranca.com.br