Rodrigo Karpat

Carnaval e condomínio

Dos bloquinhos de rua às confraternizações no local

Por Thais Matuzaki

22/02/19 04:36 - Atualizado há 24 dias


Por Rodrigo Karpat*

O carnaval nem começou e os problemas com os “bloquinhos” de rua se repetem como ocorre todo ano. Se essa é uma época de muita alegria e descanso para alguns, ela traz uma série de problemas e dores de cabeça para os moradores dos condomínios, casas e comércios dos bairros onde os blocos passam. Junto com a diversão, há muito barulho, sujeira e brigas entre os foliões. 

Mais uma vez, nos deparamos com os mesmos problemas nesse pré-carnaval (caso da Vila Madalena). Como o poder público não consegue resolver essa questão, o que os moradores dos bairros onde ocorrem esse tipo de evento podem fazer para se protegerem dos transtornos desse período? 

O carnaval se aproxima e em relação aos condomínios é necessário que o síndico e os administradores dos prédios tenham muito cuidado. 

A cada carnaval, os blocos de rua crescem nas grandes cidades e temos diversos relatos nos últimos anos, de depredação à fachada dos condomínios. Por isso, o síndico precisa se antecipar para proteger o patrimônio, caso verifique que existe a possibilidade de qualquer risco na sua região. 

Os famosos “bloquinhos” podem fazer com que o síndico contrate mais vigilantes e, até mesmo, uma proteção para a fachada, para que não ocorram prejuízos. No caso de fachadas de vidros, por exemplo, colocar tapumes. 

É importante que o síndico tome todas as medidas para que não ocorram problemas no condomínio, como a destruição de jardins, portões, paredes e, também, com a higiene, pois muitos foliões acabam por beber de forma descontrolada na frente dos prédios e urinando em qualquer lugar. 

O administrador pode fazer uso de mais segurança nos locais ou cercar jardins e canteiros para a proteção do imóvel. A orientação aos moradores quanto aos horários dos blocos, para que se evite circulação nesses horários, também é essencial.

Mas o síndico não fica com a atenção voltada somente para fora do condomínio. É comum os moradores escolherem as dependências do prédio para confraternizações, como na churrasqueira e no salão de festa.

Para não perder o controle da situação, o síndico precisa saber lidar com situações adversas e a melhor maneira é a prevenção de problemas. Algumas dicas podem evitar transtornos: 

1. O síndico/administrador deve manter sempre atualizado o Regimento Interno, com as proibições pertinentes; 

2. Proibir o consumo de bebidas alcoólicas na área das piscinas e demais áreas comuns de circulação (permitido somente para maiores de 18 anos e em locais destinados, como salão de festas e espaço gourmet);

3. Limitar os visitantes nas reuniões e encontros nas churrasqueiras conforme convenção de cada prédio;

4. Reforçar orientações para a locação de salão de festas e churrasqueira nessa época do ano;

5. Ajustar o Regimento Interno para que as reuniões de cunho pessoal não se tornem grandes festas, que não é a destinação dos espaços internos do condomínio;

6. Reforçar as recomendações de convívio em assembleias e fixa-las em áreas comuns.

A difícil tarefa de manter a ordem em condomínios precisa ser administrada não somente pelo síndico, mas também por todos aqueles que habitam o condomínio. Uma convivência harmoniosa não tem preço.

 

(*) Dr. Rodrigo Karpat, advogado militante na área cível há mais de 10 anos, é sócio-fundador do escritório Karpat Sociedade de Advogados e considerado um dos maiores especialistas em direito imobiliário e em questões condominiais do país. Além de ministrar palestras e cursos em todo o Brasil, é colunista da ELEMIDIA, do site SíndicoNet, do Jornal Folha do Síndico, do Condomínio em Ordem e de outros 50 veículos condominiais, além de ser consultor da Rádio Justiça de Brasília, do programa "É de Casa" da Rede Globo e apresenta o programa "Vida em Condomínio" da TV CRECI. É membro efetivo da comissão de Direito Condominial da OAB/SP.