Gabriel Karpat

Cuidados com gás nos apartamentos

Informação e revisão periódica dos equipamentos são essenciais

Por Thais Matuzaki

26/07/19 06:01 - Atualizado há 4 meses


Por Gabriel Karpat*

Nos últimos dias, a imprensa nacional voltou a destacar, infelizmente, mais uma tragédia envolvendo vazamento de aquecedor a gás dentro de um condomínio, culminando com a lamentável morte de seus ocupantes.

Em uma ocorrência semelhante ocorrida recentemente no Rio de Janeiro, um grande vazamento de gás fez uma vítima fatal e destruiu parcialmente uma edificação.

Esses casos trazem urgentemente a necessidade de cada condomínio, na figura de seus representantes e responsáveis, se questionarem: o que fazer para evitar tragédias como essas?

A informação é a primeira forma de prevenção. Embora seja pouco conhecida, existe uma norma da ABNT (NBR 15526:2012) que normatiza e estabelece requisitos mínimos para as redes de distribuição para gases combustíveis nas instalações residenciais.

Entre os itens de cuidados essenciais contemplados nessa norma técnica, estão a necessidade de dispositivo de segurança e de espaço com renovação de ar para casos de eventuais vazamentos.

Além da informação, a ação é ponto fundamental para reduzir ou eliminar riscos de tragédias como as noticiadas recentemente. Nesse sentido, fica a questão: o que o síndico pode fazer dentro de sua alçada?

É bem verdade que dentro das unidades condominiais, muito pouco pode ser feito. Entretanto, diante da gravidade das consequências que ocorrências desse tipo podem causar, é fundamental ser proativo.

O primeiro passo é usar todos os canais de comunicação do condomínio para alertar os condôminos quanto aos riscos de instalação de gás por empresa ou pessoa sem habilitação e preparo técnico para executar esse serviço.

O mesmo vale para serviços de revisão. Aliás, nesse ponto, é imprescindível ampla divulgação de que todos os equipamentos que utilizam fornecimento de gás devem ser periodicamente revisados, ainda que não apresente qualquer anomalia. Essa revisão deve ser feita a cada cinco anos. É importante ressaltar que quem mensura o risco não é o morador, mas o técnico especializado.

Para que o alerta chegue a todos os envolvidos, utilize os mais variados meios de comunicação. Faça uso das redes sociais, de murais na garagem e dos comunicados afixados nos elevadores. Assim, assegurará que de alguma forma o aviso chegará aos condôminos.

Outra solução a ser ponderada é incluir no orçamento a revisão de todas as unidades no momento em que o condomínio efetuar as constantes revisões da rede de distribuição e das prumadas coletivas.

Trata-se de um momento oportuno para criar novas rotinas, prevendo além do atendimento à manutenção dos itens habituais, de forma a incorporar os demais itens que apresentam riscos, mesmo que não aparentes.

O tema merece atenção redobrada. Afinal, muito mais que patrimônio, estamos falando de vidas humanas. Com a devida atenção, preserva-se o bem-estar e a segurança de toda a coletividade.

Sob esse aspecto, inclusive, é importante ressaltar mais uma observação: a máxima de que dentro da minha unidade “só a mim interessa”, em condomínio deve ser descartada. Esse modo de pensar ou de agir não é mais compatível com a vida em comunidade.

(*) Gabriel Karpat é diretor da GK Administração de Bens e coordenador do curso de síndicos profissionais da Gábor RH.