Síndico do mês

De porteiro a síndico profissional de sucesso

Veja como Francisco chegou ao dream team dos síndicos profissionais

Por Mariana Ribeiro Desimone

quarta-feira, 1 de junho de 2016


Francisco dos Santos tinha apenas 3 anos quando chegou em São Paulo, vindo do Piauí, com sua família há mais de trinta anos.  

A história é a mesma de muitos que hoje trabalham em condomínios em posições de portaria, limpeza e zeladoria. Mas Francisco soube como subir todos os degraus da hierarquia condominial.

E hoje é síndico profissional de modernos empreendimentos na capital paulista.

Começou a trabalhar cedo e, aos 18 anos, tinha uma pequena fábrica de sapatos. Ele, que já cursava administração de empresas, tomou um golpe do sócio e ficou endividado bem no momento em que sua esposa estava grávida. O sogro, então, ofereceu uma vaga na portaria de um condomínio. 

“Aceitei e fui trabalhar feliz, pois senti que era um passo importante para mim. Em uma semana, a administradora do local me chamou e me perguntou se eu não queria ser zelador. Aceitei, se pudesse colocar minha equipe no local”, conta ele.

 

Estilo de gestão

Aí começou o “choque de gestão” como Francisco ou “Chico 220V”, como é conhecido no mercado, gosta de se referir ao seu estilo de administrar condomínios e gerir pessoas.

“O colaborador do condomínio deve ter paixão por servir. Se o condômino está com um problema e precisa de ajuda, devemos fazer de tudo para resolver aqui o mais rápido possível. Não serve dizer ‘amanhã eu vejo isso’. As pessoas gostam disso”, aponta.

Ele fez questão de melhorar o trato dos funcionários com todo tipo de visitante, inclusive com os prestadores de serviço. “Quando chega um técnico, seja sempre bem-educado, cordial. Ofereça uma água, um café. Todo mundo gosta de ser bem recebido. É isso que devemos oferecer para todos”, ensina Francisco.

Nessa época, ele já começou a investir em cursos específicos para a área de condomínios. “Fiz cursos de zelador ‘plus’ nessa época, pois queria que fosse um diferencial no meu currículo. Fiz módulos para vigilante, que sabia que seria interessante, e também um de síndico profissional. Queria saber como o síndico pensava”, conta.

Subindo de degrau

Depois de cuidar desse primeiro edifício por oito anos e apostar em sua formação, Francisco foi buscar outra colocação no mercado, em um empreendimento novo e bem maior, como gerente de condomínio.

“Me falaram que eu era muito novo, que a administradora queria alguém mais maduro. Mas percebi que ganhei a vaga por falar bem, entender de cotações, ter uma postura legal. Tudo isso conta, além da experiência”, explicou.

O gestor ficou no empreendimento por quase 3 anos. Depois, vendo que um mega condomínio estava ficando pronto na região da Paulista, pleiteou a mesma vaga por lá. 

“Esse período foi de um aprendizado incrível. Me deu muita bagagem sobre o dia a dia de um condomínio. De como lidar com os funcionários, fornecedores, condôminos e, claro, com o síndico. Também nunca parei de estudar. Estava sempre me reciclando”.

Trabalhando como síndico

Depois de trabalhar em cerca de três condomínios como gerente predial, veio a oportunidade de administrar um condomínio como síndico profissional, algo que Francisco já almejava.

“Fui convidado por um incorporador para gerir um novo empreendimento. Fiquei muito feliz. Em dois anos não subi a taxa, investimos em diversas melhorias e deixamos quase R$ 140 mil no caixa. Fiquei muito feliz de poder fazer esse serviço”, conta.

Atualmente, Francisco atua como síndico profissional em seis condomínios de alto padrão em São Paulo, o que soma mais de 8 mil unidades, e conta com uma remuneração média de R$ 27 mil. 

“Visito diariamente todos os empreendimentos que administro. Conheço os funcionários. Gosto de estar presente e de ouvir e resolver os problemas do condomínio, que afinal, são os meus problemas. As pessoas me contrataram para eu resolver essas situações e evitar que elas aconteçam”, reflete.

Para chegar lá

Ter um salário desse tipo e administrar grandes empreendimentos é realmente algo muito almejado no mercado. Mas muita gente se pergunta por onde começar.

Para Francisco, o fundamental é ter experiência prática aliada a diversos conhecimentos que se correlacionarem. 

“Não adianta fazer diversos cursos de síndico profissional se a pessoa não sabe nada de elétrica ou hidráulica. Tem que saber como as coisas funcionam no condomínio para poder cobrar o funcionário ou o prestador de serviços”, explica.

Ele também sugere que quem está com dificuldade para se encaixar em uma vaga de síndico profissional e não tem nenhuma experiência pode tentar uma posição de gerente predial.

“É uma ótima maneira de ter uma visão global das necessidades do condomínio e de ganhar a experiência necessária para uma vaga futuramente. Você fica sabendo como acompanhar uma vista técnica, como cuidar da manutenção, entre muitos outros”, exemplifica o gestor.

A dica dele para a contratação de fornecedores passa por avaliação de preço, qualidade do serviço e também quem vai atender o condomínio. 

“Às vezes, uma empresa um pouco menor, onde é possível conversar com o dono diretamente, flui melhor. Você sabe que vai ter de quem cobrar, para quem ligar, caso dê algo errado”, pesa Francisco.

Transparência

Apesar de sabermos que o mercado está cada vez mais buscando síndicos profissionais, pede-se também cada vez mais profissionalismo, resultado e transparência na gestão.

“Percebi, nos últimos anos, como o grau de exigência aumentou. E deve ser alto mesmo. O síndico profissional deve agregar conhecimentos e boas práticas no condomínio. Deve oferecer um relatório semanal de atividades para o conselho, que deve acompanhar de perto o trabalho que está sendo feito. Também acredito que o síndico profissional só deve gastar com a anuência do conselho. Dessa forma, todos ficam mais tranquilos”.

Saiba mais

*Esse é o  quarto case publicado pelo SíndicoNet sobre "gestores da vida real". Nossa ideia é mostrar como é o dia-a-dia dos síndicos brasileiros. O primeiro a participar foi um gestor jovem, que optou por ser síndico para agregar a sua vida profissional. O segundo foi o síndico do Copan, um cartão-postal de São Paulo. O terceiro, um gestor preocupado com a representatividade no seu condomínio. Quer participar? Escreva para gente aqui!