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Escala 6x1 nos prédios

SP: AABIC e ABADI alertam para contratações extras e pressão sobre as taxas

Por SíndicoNet

quinta-feira, 8 de outubro de 2026


A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC) e a Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI) alertam para os possíveis impactos do fim da escala 6x1 sobre a operação e os custos dos condomínios. Para as entidades, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho precisa considerar as particularidades de atividades que funcionam de maneira ininterrupta, como portaria, controle de acesso, segurança e limpeza.

Em comunicado conjunto, as organizações destacam que os condomínios não podem simplesmente reduzir suas horas de funcionamento para se adequar a uma eventual mudança na jornada. Os edifícios residenciais operam 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive aos sábados, domingos e feriados, o que exige planejamento específico para a composição das equipes.

Na avaliação das entidades, a redução dos limites de jornada poderá fazer com que muitos condomínios tenham de contratar profissionais adicionais para preencher as lacunas das escalas. O informativo estima que, em muitos casos, será necessário incorporar de um a dois funcionários, com uma média calculada de 1,5 profissional por condomínio.

O impacto financeiro é um dos principais pontos de atenção. A mão de obra representa entre 55% e 70% das despesas mensais dos condomínios, segundo a AABIC e a ABADI. Como o condomínio não possui margem de lucro para absorver esse aumento, uma eventual elevação da folha tende a ser incorporada diretamente à previsão orçamentária e, consequentemente, à cota paga pelos moradores.

Outro efeito apontado é a possibilidade de aceleração dos investimentos em tecnologia. Com o aumento do custo da mão de obra presencial, condomínios podem ampliar a adoção de portarias remotas ou híbridas, controles automatizados de acesso, sistemas digitais para visitantes e soluções para automação de encomendas.

Com o aumento do custo da mão de obra presencial, condomínios podem ampliar a adoção de tecnologias para controle de acesso e automação.

“Diante de tamanhos desafios, administradoras e síndicos terão de mapear as alternativas e fazer escolhas: manter os serviços e absorver o aumento da folha; reduzir horários e serviços presenciais; terceirizar atividades; ou ampliar o uso de tecnologia já disponível”, destacam as entidades.

“Esta medida, conceitualmente destinada a proporcionar melhores condições de trabalho e remuneração, poderá apresentar um revés que deveria estar sendo esperado e discutido, aumentando de tal maneira o custo da presença humana, que estimulará os condomínios a acelerar sua substituição”, acrescentam.

Realidade dos condomínios

As entidades pontuam que o debate precisa considerar a realidade dos condomínios. “A discussão sobre a redução da jornada não deve ser convertida em discurso de oposição entre melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e o interesse econômico dos empregadores. No caso dos condomínios, essa simplificação é ainda menos adequada, pois de ambos os lados, temos trabalhadores que legitimamente desejam melhores condições de vida, sejam empregados do condomínio ou moradores deles”, salienta o comunicado.

O documento ainda frisa que uma alteração dessa dimensão precisaria considerar as especificidades das atividades, preservar espaço para negociação coletiva e, sobretudo, prever uma transição que permita aos condomínios reorganizarem suas equipes, serviços e investimentos em tecnologia.

“Porém, estas não são as prioridades dos grupos políticos que apoiam a extinção da escala 6x1, mas certamente comporão as preocupações prioritárias de boa parte das mais de 40 milhões de famílias que moram em condomínios no Brasil”, concluem as entidades.

Fonte: Conteúdo SíndicoNet