29/01/26 12:01 - Atualizado há 3 dias
Hoje quero compartilhar com vocês uma visão que vai muito além da digitalização que vivemos nos últimos anos. Estamos prestes a atravessar a fronteira do software que apenas "guarda dados" para o software que "toma decisões e executa tarefas" por nós.
Quando falamos sobre Agentes de Inteligência Artificial (IA), não é apenas sobre tecnologia; é sobre a sobrevivência, entrega de valor e a escala do nosso modelo de negócio.
Gosto da definição de Matt Schlicht:
“Agentes autônomos são programas, movidos por IA, que ao receberem um objetivo conseguem criar tarefas por conta própria, executá-las, gerar novas tarefas, repriorizar sua lista, concluir a tarefa mais importante e repetir o ciclo até atingir o objetivo.”
O mercado de gestão condominial sempre evoluiu em ondas. Primeiro, a onda da internet, que digitalizou processos antes manuais. Depois, a onda dos aplicativos e da mobilidade, que trouxe velocidade, acesso remoto e novos modelos de interação.
Em seguida, a onda da pandemia, que forçou uma transformação operacional abrupta, acelerando a digitalização, o home office e a necessidade de eficiência.
O ano de 2025 marca, de forma definitiva, a entrada da quarta onda, absolutamente avassaladora em sua essência: a onda da Inteligência Artificial.
Avassaladora porque ela não apenas melhora ferramentas: a IA transforma a base do trabalho humano. Muda a forma de produzir, decidir, analisar, executar e escalar. Altera radicalmente as habilidades necessárias, o valor do conhecimento, o papel do gestor e o modelo econômico das administradoras de condomínios.
Em 2026, essa onda deixa de ser experimental e passa a ser estrutural. As placas tectônicas do mercado condominial — pressionadas por inovação, novos modelos mentais, agentes autônomos e automação financeira — entram em rearranjo definitivo.
O setor começa, finalmente, a compreender como trabalhar com agentes de Inteligência Artificial atuando de ponta a ponta: nas tarefas administrativas, operacionais e, sobretudo, financeiras.
Até hoje, as administradoras dependem de sistemas e bancos que seguem regras rígidas. Se um boleto não é pago, o sistema avisa. Mas quem decide se envia para cobrança, se liga para o morador ou se propõe um acordo, ainda é um humano seguindo um script.
Os Agentes de IA mudam o jogo porque eles não apenas executam; eles percebem, decidem e agem. Imagine um agente financeiro dentro da sua carteira que:
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Característica |
Operadores de Teclado |
Agentes de IA (2026) |
|---|---|---|
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Lógica |
Fluxos fixos e regras "se-então" |
Raciocínio dinâmico e improvisação controlada |
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Interação |
Humano precisa operar a ferramenta |
Agente opera ferramentas em nome do humano |
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Escala |
Limitada pelo número de funcionários e salário |
Praticamente infinita e com custo marginal |
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Foco |
Registro de informações |
Entrega de resultados finais |
Para quem administra uma carteira de condomínios, a área financeira é o coração, mas também o maior gargalo. Em 2026, a integração entre bancos como o CondoConta e Agentes de IA permitirá que a conciliação bancária e a prestação de contas deixem de ser tarefas mensais para se tornarem fluxos contínuos e autônomos.
O agente não apenas chama uma função de 'calcular rateio' ou 'gerar boleto'. Ele entende o objetivo — 'manter a saúde financeira do condomínio X' — e descobre sozinho o caminho para chegar lá, acessando APIs bancárias, sistemas de gestão e canais de comunicação.
Isso significa que o dono, gerente ou time financeiro da administradora deixa de ser um "gerente de processos" para se tornar um orquestrador de enxames de agentes. Sua equipe não vai mais digitar dados; ela vai validar as decisões tomadas pela IA e focar no relacionamento com o síndico e os moradores.
Na prática, estamos comprando tempo para fazer mais e melhor. Aquele dia inteiro pagando boletos, emitindo 2 via e fazendo assembleia de noite para apresentar uma planilha de excel está com os dias contados. Quem já se ligou disso, está multiplicando crescimento, e rentabilidade.
Estamos saindo da era onde você comprava um software para sua equipe usar, e entrando na era onde você terá "colaboradores digitais" especializados. Teremos agentes especialistas em auditoria de notas fiscais, agentes de atendimento em assembleias virtuais e, principalmente, agentes de tesouraria.
O desafio para nós, líderes, será garantir a memória persistente desses agentes e os guardrails (limites de segurança) para que a autonomia não gere riscos financeiros. No CondoConta, já estamos junto com bons gestores condominiais pavimentando esse caminho para que a transparência e a agilidade sejam nativas dessa nova economia.
O recado é claro: quem continuar operando como uma "fábrica de processos manuais" não terá margem para competir em 2026. O futuro da gestão condominial é exponencial, autônomo e profundamente produtivo.
Vamos juntos acelerar esse novo mundo.
(*) Rodrigo Della Rocca é CEO e cofundador do CondoConta, o primeiro banco exclusivo para condomínios no Brasil. Desde 2019, lidera a fintech com sede em Florianópolis, que já atende mais de 11 mil condomínios em todo o país. Reconhecido pela Forbes Under 30 na categoria Tecnologia e Inovação, Rodrigo tem como propósito transformar a gestão condominial por meio da tecnologia, promovendo mais eficiência e integração para todos os envolvidos na administração de condomínios. Sob sua liderança, a empresa vem se consolidando como o coração financeiro do mundo condominial.