28/05/26 11:57 - Atualizado há 8 dias
Sempre que surge uma novidade, temos de avaliar se é um modismo ou uma tendência. Quem não se lembra das famosas paletas mexicanas ou, um pouco mais recentemente, do famigerado morango do amor? Muita inovação já se mostrou um “voo de galinha”.
A inteligência artificial não é uma novidade. Foi lançada em 1956, e o termo foi proposto por John McCarthy. Porém, foi somente em 2022 que o invento foi apresentado ao grande público com a roupagem do Chat GPT, capitaneada pelo brilhante e, ex-demitido, Sam Altman, impulsionado pelos investimentos de Elon Musk, entre outros visionários.
O lançamento foi um fenômeno, alcançado a marca 1 milhão de usuários em apenas cinco dias. Um recorde à época. Para efeito de comparação, o rádio levou 38 anos, a televisão 13 anos e o computador pessoal precisou de 4 anos para atingir esta projeção.
O uso da inteligência artificial está longe de ser um modismo, e a tendência é que sua presença seja cada vez maior em nosso dia a dia. Porém, esta convivência diária pode trazer alguns malefícios e alguns deles já foram comprovados.
Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), divulgado em abril de 2023, demonstrou que as pessoas estão se tornando mais preguiçosas. Foram formados dois grupos de discussão: um deles podia acessar ferramentas de IA; o outro, não.
O grupo sem acesso apresentou maior ativação cerebral, produziu estudos mais consistentes e teve participantes mais engajados. Já o grupo que utilizou IA, pouco tempo depois, mal se lembrava de suas próprias conclusões.
No campo amoroso, já existem grupos de pessoas que mantêm relacionamentos com as IAs, mas esses vínculos começam a apresentar sinais de desgaste. Com o passar do tempo, os “acompanhantes virtuais” ganham novas feições, seus comportamentos mudam e as primeiras discórdias surgem.
Muitos “companheiros” passam a demonstrar vontade própria, opiniões firmes e relutam em renunciar às suas convicções. Às vezes, o gatilho para o conflito é apenas uma simples atualização de versão.
Em breve, vamos ouvir falar em divórcios virtuais, partilhas de bens e guardas compartilhadas. Fotos que nunca existiram poderão integrar processos, configurando, assim, uma relação estável.
O mais importante agora é identificarmos quem poderá ser a parte responsável por uma eventual indenização. Afinal, assim como na realidade, existem IAs de boa-fé e outras de má índole.
Outro grave problema surge quando as ferramentas de IA passam a empoderar pessoas, formulam teses frágeis sobre determinado assunto, às vezes baseadas em jurisprudências inventadas, levando-as a um estado de delírio ao acreditarem em algo irreal. Nesse cenário, qualquer discordância passa a ser interpretada como uma ofensa.
Nos condomínios, já se percebem diversos impactos, em sua maioria positivos. Houve melhoria na comunicação, agilidade na consulta de documentos, assembleias mais assertivas e análise de dados mais precisa.
Grandes amizades já se formaram entre humanos e IAs, e uma rede de apoio foi constituída: trocas de receita, como resolver problemas banais em casa, dicas de filmes e até mesmo acender as luzes. A solidão deixou de existir e a distância do vizinho chato aumentou.
Portanto, as ferramentas estão aí; caberá a cada um de nós fazer bom uso delas e, principalmente, buscar o equilíbrio entre a inteligência artificial, a humana e a emocional.
(*) Leonardo Diniz Mascarenhas é síndico, empreendedor, palestrante e professor. Diretor Nextin Brasil. Síndico 5 Estrelas, embaixador Porter e conselheiro CAM. Magic Leader Orlando (1ª turma). Contato: @leo_diniz_mascarenhas | leo@nextin.com.br | (31) 9.9406-5000