12/03/26 09:09 - Atualizado há 4 dias
Ainda existem portas que não se abrem de imediato. Sorrisos que chegam carregados de dúvida. Olhares que medem, antes mesmo de ouvir. Palavras que subestimam, questionam, testam — não porque falta capacidade, mas porque sobra preconceito.
Sim, em pleno século XXI, ainda há quem estranhe ver mulheres assumindo a gestão condominial, ocupando assembleias, liderando obras, enfrentando crises e conduzindo equipes.
Para algumas pessoas, o cargo de síndica profissional ainda soa “grande demais”, “complexo demais”, “pesado demais” para uma mulher. Como se gestão tivesse gênero. Como se habilidade técnica, liderança, coragem e preparo se limitassem a um tipo de profissional — aquele padrão antigo, masculino, que foi colocado durante décadas como referência obrigatória.
Mas o mundo muda. E nós mudamos com ele — ou melhor, ajudamos a mudá-lo.
A presença feminina na gestão condominial não é exceção, é tendência. Não é acaso, é mérito. Não é concessão, é conquista. Somos síndicas, administradoras, consultoras, mediadoras.
Somos profissionais que estudam, se qualificam, acumulam certificações, encaram obras complexas, revisam contratos, prestam contas, cuidam de pessoas e, muitas vezes, conduzem condomínios inteiros a um novo patamar de organização.
Mesmo assim, ainda ouvimos frases veladas:
“Tem certeza que você dá conta?”
“Mas é obra grande, hein…”
“Esse problema é pesado… melhor envolver um engenheiro homem.”
“Será que o conselho vai respeitar?”
“Os moradores preferem um síndico, tá?”
Frases que não diminuem a nossa força — só revelam o desafio que ainda enfrentamos.
Mas continuamos. Crescemos. E incomodamos — não pela presença, mas pela competência.
A verdade é que mulheres trazem para a gestão condominial algo que o mercado nunca deveria ter ignorado: uma combinação rara de firmeza e sensibilidade, visão ampla e detalhismo, habilidade de mediação e capacidade estratégica.
Somos capazes de resolver conflitos sem perder a postura, conduzir reuniões intensas com serenidade, enfrentar crises com raciocínio claro e transformar caos em planejamento.
E, a cada ano, mais mulheres entram nesse universo.
E permanecem.
E prosperam.
Sim, ainda existe preconceito. Mas existe também um movimento que não tem retorno: o da profissionalização feminina ocupando espaços que sempre foram nossos por direito, mas só agora começam a ser reconhecidos.
E se alguém ainda duvida? Que duvide.
Porque enquanto duvidam, nós seguimos trabalhando, entregando resultado, conquistando respeito e abrindo caminho para outras mulheres que virão — mais fortes, mais preparadas e menos dispostas a aceitar o que antes era imposto como limite.
O futuro da gestão condominial tem muitas cores, muitas vozes e muitos talentos. E, entre eles, a voz feminina já não é exceção: é protagonista.
(*) Amanda Accioli é Síndica Profissional e Advogada Condominialista, Diretora Nacional da Sindicatura da ANACON (Associação Nacional da Advocacia Condominial), Membro da Comissão Especial de Direito Condominial da OAB/SP, Síndica associada à AABIC e ao Secovi-SP. Palestrante e articulista. Instagram: @acciolicondominial | e-mail: amandaaccioli.adv@gmail.com