Fernando Fornícola

Portaria remota

Saiba quando o sistema pode beneficiar seu condomínio

Por Mariana Ribeiro Desimone

quarta-feira, 17 de outubro de 2018


Por Fernando Fornícola*

Numa época na qual os bancos são digitais, os robôs começam a competir com humanos pelos empregos e as projeções dos futuristas não falam de outra coisa senão da chegada da internet das coisas, parece natural considerar como inevitável a adoção de modernidades em todos os setores. Nos condomínios não é diferente. A bola da vez nesta busca por inovação são as portarias virtuais.   

Este equipamento traz consigo o status de poder dizer que em seu prédio tudo é automatizado e que sua vizinhança caminha para um ambiente parecido com um episódio de ‘Os Jetsons’, desenho animado que, segundo o Wikipedia, introduziu no imaginário da maioria das pessoas o que seria o futuro da humanidade, com seus carros voadores, cidades suspensas, trabalho automatizado, toda sorte de aparelhos eletrodomésticos e robôs como empregados.

Além disso, a virtualização do atendimento na portaria oferece a possibilidade de economia nos custos condominiais. Recentemente, a Habitacional coordenou um projeto no qual houve uma diminuição de 39% nas despesas mensais para os moradores de um condomínio em São Paulo.

Esses fatores parecem apontar para uma tendência sem retorno. Aparentemente é uma questão de tempo para que não sejamos mais recebidos por pessoas nas portarias dos edifícios quando formos visitar nossos familiares e amigos. Em São Paulo, por exemplo, estima-se que mil dos 35 mil condomínios já tenham aderido à portaria virtual.

Mas será que as inovações tecnológicas são sempre vantajosas?

Nunca é demais lembrar que, se ‘Os Jetsons’ fizeram sucesso, “Os Flintstones” não ficaram para traz. Isto prova que o ser humano consegue se adaptar muito bem tanto com o moderno quanto com o tradicional.

Na verdade, a opção pela portaria virtual deve obedecer não apenas ao critério emocional, mas sim a certeza do racional.

A experiência de implantação deste tipo de tecnologia tem mostrado que nos condomínios menores, de até 10 casas ou apartamentos, por exemplo, a portaria virtual atende muito bem ao objetivo da redução de custos. Isto porque nestes casos, o rateio para pagamento das despesas é feito com um número reduzido de unidades e, a compilação total da relação custo X benefício acaba sendo bastante vantajosa, principalmente por produzir uma redução significativa na conta do condomínio.

Existem muitos prédios antigos com este perfil instalados em bairros nobres nos quais a alta de taxa de condomínio se transforma numa importante barreira para negociações de aluguel e venda. Para estes casos, a instalação da portaria virtual é, sem dúvida, uma alternativa bastante válida.

Por outro lado, em condomínios com grande número de unidades, o rateio pulverizado termina por acarretar uma redução praticamente imperceptível na conta final do condomínio. Neste tipo de situação, a portaria virtual perde um pouco da sua atratividade uma vez que ao ser instalada ela traz alguns riscos de funcionamento como a possibilidade de queda de energia e de internet no bairro que normalmente deixa o sistema funcionando de forma precária.

Ao colocar na ponta do lápis a economia que será conseguida frente ao risco de uma queda de qualidade no serviço da portaria, os moradores de condomínios grandes geralmente estão optando pela segurança e simpatia dos velhos e bons porteiros humanos.

Nos dois casos, tanto em condomínios menores como nos maiores, antes de tomar a decisão, o ideal é fazer todos os cálculos. É preciso fazer todo o levantamento de custos de rescisão contratual dos funcionários que se pretende eliminar com a automação, pesquisar as melhores soluções em sistemas de portaria virtual, realizar orçamentos para instalação de equipamentos e adequações físicas na portaria e área comum além de determinar qual será o custo mensal de manutenção da portaria virtual.

Com esses dados em mãos é possível ter uma noção mais precisa tanto do tempo necessário para que o condomínio recupere o recurso investido, como também da redução que a inovação provocará nas despesas e consequentemente na taxa que cada unidade pagará mensalmente.

Assim, com base em dados concretos, será mais fácil decidir se vale a pena ou não adotar a portaria virtual. Afinal tanto na casa dos Jetsons e como na dos Flintstones, sempre há espaço para o cuidado com o dinheiro do Tio Patinhas.  

 

(*) Fernando Fornícola é diretor da Habitacional, uma das mais tradicionais empresas do segmento imobiliário do Brasil que administra mais de 350 condomínios distribuídos por todas as regiões da cidade de São Paulo além do litoral e do interior do Estado.