Cartilha contra dengue

Como o condomínio deve fazer a prevenção à dengue

Explosão de casos no Brasil pode se agravar em 2026 após recordes em 2025; veja como síndicos, funcionários e moradores devem agir

Por Catarina Anderáos | Atualizado em 05/02/2026 por Gabriela Duarte

16/12/22 09:28 - Atualizado há 1 dia


Após um ano histórico, o Brasil segue em alerta para a dengue. Em 2025, o país registrou 1.665.793 casos prováveis e 1.780 mortes. Já em 2026, mesmo no início do ano, os dados oficiais apontam 9.667 casos prováveis e óbitos em investigação, segundo o Ministério da Saúde.

Em São Paulo, o cenário também preocupa: o estado já confirmou a primeira morte por dengue em 2026 e contabiliza 971 casos confirmados e mais de 3,3 mil em investigação.

Devido às mudanças climáticas, a tendência é de que os verões sigam mais quentes e úmidos, cenário ideal para a proliferação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. A grande concentração de pessoas e diversidade de locais onde o mosquito transmissor da doença, Aedes Aegypti, pode se reproduzir tornam o ambiente propício para sua proliferação.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 75% dos focos da dengue estão nas residências. Por isso, é muito importante erradicar locais que concentrem água parada nas unidades, cuidar da piscina, tampar a caixa d'água e outras dicas que separamos mais abaixo. Boa leitura!

Vacina contra dengue: o que muda em 2026

Em 2026, a principal novidade no combate à dengue é a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é o primeiro do mundo em dose única contra os quatro sorotipos da dengue e já foi aprovado pela Anvisa para uso na população de 12 a 59 anos.
Estudos clínicos apontam eficácia geral de 74,7%, 91,6% contra casos graves e 100% contra hospitalizações por dengue. A vacina é considerada segura tanto para pessoas que já tiveram a doença quanto para aquelas que nunca foram infectadas.
O Governo de São Paulo inicia na segunda-feira (9) a campanha de vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, tornando-se o primeiro estado do país a distribuir o imunizante para todos os seus 645 municípios. Nesta primeira etapa, 99 mil doses foram enviadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a imunização será destinada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, grupo prioritário definido pelo Ministério da Saúde.
 
A vacinação em massa começou em Botucatu (SP) como projeto piloto e integra a estratégia nacional de ampliação da cobertura vacinal. O município foi escolhido por sua estrutura de saúde e pela circulação recente do sorotipo DENV-3, servindo como base para a expansão da estratégia em outras regiões.
 
A expectativa é que até 30 milhões de doses sejam entregues ao Ministério da Saúde ainda em 2026, permitindo a ampliação progressiva da cobertura vacinal no país.
 
Por ser de dose única, a Butantan-DV facilita a adesão da população e a logística das campanhas, tornando-se uma ferramenta estratégica para conter surtos, especialmente em ambientes coletivos como condomínios.
 
A vacina não é indicada para gestantes, lactantes, imunodeprimidos ou pessoas com febre ou doença aguda no dia da aplicação. As reações adversas mais comuns são leves, como dor no local da aplicação, fadiga e dor de cabeça.

Qual a situação da dengue nos condomínios?

Nos meses de calor, mais precisamente de novembro a maio, a preocupação com o mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya, volta a ser assunto nas assembleias e corredores dos condomínios.

Como esse inseto encontra na estação mais quente do ano a temperatura e umidade ideais para a sua reprodução, o risco de ser picado e contrair alguma das doenças transmitidas por ele são grandes.

"Esses dois fatores, juntos, contribuem para acelerar a proliferação do vetor da dengue, encurtando, inclusive, aquele período entre ovos e mosquito adulto. Ao intensificar a atividade biológica do mosquito, nós temos um maior número de pessoas sendo infectadas", explica o ex-secretário adjunto da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), Rivaldo Cunha.

Soma-se a isso o fato de que há quatro variantes do vírus causador da dengue em circulação no Brasil e os inseticidas já não têm a mesma eficácia para controle do mosquito transmissor.

De acordo com um estudo publicado na revista científica "Parasites & Vectors", realizado conjuntamente por pesquisadores brasileiros e argentinos, mutações genéticas tornaram uma parte dos insetos resistentes aos compostos dos produtos, ressaltando a importância de eliminar o vetor ainda na fase das larvas.

E as áreas comuns e privativas dos condomínios podem ser focos do Aedes. Por isso, é importante que os síndicos, funcionários e moradores estejam atentos para a prevenção à dengue no empreendimento.

Nesse sentido, cabe ao síndico instaurar vistorias periódicas e cuidar da limpeza de locais que possam ter acúmulo de água, como jardins, piscinas, lajes, calhas e fosso do elevador.

Além de fazer campanhas de conscientização com os moradores para eliminarem os possíveis focos dentro dos apartamentos.

Qual o papel do síndico na prevenção à dengue?

Como dito, é o síndico quem deve cuidar das áreas comuns e da conscientização dos moradores para com as áreas privativas. Além disso, cabe a ele pensar em ações recorrentes durante todo o ano e intensificar as comunicações e vistorias nos meses de muito calor.

Trabalhando de forma anual, fica mais fácil criar o hábito da prevenção junto aos moradores e isso perpetuar durante os períodos de maior incidência da doença.

Além disso, cabe ao síndico reforçar os cronogramas de limpeza e higienização das áreas comuns e até mesmo vistoriar o entorno do condomínio.

Por exemplo, se o condomínio fica próximo a terrenos baldios, e os focos de água parada são vistos a olho nu, o síndico deve acionar a prefeitura para que sejam tomadas as devidas providências.

Outra atribuição do síndico na prevenção da dengue é fazer uma escala de vistoria para o zelador do condomínio cumprir diariamente. Com as chuvas de verão, é normal o acúmulo de água em calhas, lajes, pneus, vasos de plantas e objetos desprotegidos nas áreas de circulação ou jardins. E, caso não haja uma limpeza adequada, eles se tornam criadouros de mosquitos.

Até porque, o que muitos não sabem, é que os ovos do Aedes Aegypti podem hibernar por anos, até encontrar condições ideais para eclodir, preferindo o período de calor e umidade para isso.

Desse modo, o mosquito transmissor vive até 35 dias e, ao longo de sua vida, normalmente não percorre mais de 600 metros. Por isso, é importante fazer uma campanha anual e prezar pela limpeza dos locais.

Se seus colaboradores não sabem exatamente como eliminar os focos dos mosquitos, nos meses de mais incidência, contrate uma empresa especializada nesse tipo de trabalho. Com os treinamentos e produtos certos, o mosquito vai passar longo do seu condomínio.

No vídeo abaixo, o advogado Fernando Zito detalha também as orientações legais caso funcionários e moradores sejam infectados pela dengue. Veja:

Quais são os cuidados com as áreas comuns do condomínio?

Para evitar que as áreas comuns do condomínio virem foco de dengue, separamos abaixo algumas dicas. São elas:

Com medidas simples, o seu condomínio estará protegendo a saúde dos funcionários e moradores, contribuindo para o controle da dengue da sua cidade!

Vale ressaltar também que, em muitos municípios, a Vigilância Sanitária efetua vistorias nos condomínios, com possibilidade de aplicação de multas quando observadas irregularidades que possibilitem a proliferação do mosquito transmissor.

Por isso, mão na massa para eliminar os focos!

Quais os cuidados com as áreas privativas?

Além dos cuidados que citamos acima, Rivaldo Cunha aconselha a dedicação de ao menos 10 minutos para cuidar dos domicílios. Nas áreas privativas do apartamentos ou casas do condomínio, o recomendado é:

O SíndicoNet compilou as principais dicas de prevenção à dengue em condomínios num banner para download gratuito, facilitando o compartilhamento com moradores. Baixe aqui!

Cartilha para evitar a proliferação do mosquito da dengue

Para fazer da prevenção à dengue uma ação eficaz, o recomendado é, além de fazer a limpeza e manutenção das áreas externas e privativas, investir em campanhas internas de conscientização, através das cartilhas para moradores.

Com uma cartilha cheia de orientações para a comunidade, tanto para evitar a doença quanto para identificá-la, fica mais fácil manter a vigilância dentro e fora dos apartamentos ou casas do condomínio.

Desse modo, o recomendado é criar uma cartilha com as dicas e exemplos de como eliminar os focos listadas nesta matéria. Assim, compartilhe-a no grupo de WhatsApp do condomínio ou distribua uma cópia impressa para cada morador e funcionário.

Além disso, afixe nos corredores e pontos de circulação de pessoas cartazes com medidas preventivas e deixe bem claro que o morador que não seguir as regras, será advertido e, caso insista em não adotar as medidas, será multado.

Orientá-los sobre os principais sintomas da dengue também é essencial para que procurem auxílio médico e alertem a vizinhança, caso o diagnóstico venha a ser confirmado. São eles: febre alta repentina, dor no corpo e atrás dos olhos, manchas avermelhadas na pele e dor de cabeça.

Na forma mais grave da doença, conhecida como dengue hemorrágica, é comum apresentar também fortes dores no abdômen, vômitos e sangramentos nas mucosas. Geralmente desenvolvido por pessoas que já foram infectadas anteriormente. 

Vale lembrar que quem contrai a doença também pode enfrentar sequelas como desidratação e problemas respiratórios, portanto, fazer a prevenção da dengue é importante e necessária. Não deixe esse assunto de lado e lembre-se de repetir a campanha todo ano.

E se quiser já contar com um material de conscientização pronto para seu empreendimento, faça o download gratuito do nosso cartaz contra a dengue!

Fontes consultadas: Ministério da Saúde; Agência de Notícias do Governo de SP;