Amanda Accioli

Síndicos: Despertem o Seu Compliance Interior!

Ser um síndico ético é mais que seguir regras — é liderar pelo exemplo e inspirar uma gestão baseada em transparência e integridade

Por Amanda Accioli

11/03/26 06:37 - Atualizado há 5 dias


O termo compliance vem do verbo inglês to comply, que significa agir em conformidade com regras, normas e leis. No universo condominial, esse conceito representa muito mais do que um conjunto de procedimentos — ele é um modo de gestão ética e transparente, capaz de transformar a cultura interna de um condomínio.

Desde os desdobramentos da Operação Lava Jato, o Brasil passou a discutir com mais seriedade temas como ética e integridade.

O movimento chegou também ao mundo condominial, onde o síndico exerce papel semelhante ao de um gestor corporativo: ele administra recursos, contrata pessoas, lida com obrigações legais e precisa responder com responsabilidade por cada decisão tomada.

Mas ser um síndico em compliance vai além de seguir leis. É viver a conformidade como princípio, praticando a transparência, a justiça e o respeito em todas as relações — com condôminos, colaboradores, prestadores de serviço e fornecedores.

O síndico é o “comandante da nau” condominial, e sua conduta influencia diretamente o comportamento de todos. Uma gestão ética cria um ambiente em que práticas duvidosas não encontram espaço e onde a honestidade passa a ser o padrão.

Postura do síndico molda a cultura interna do condomínio

Certa vez, ao assumir um condomínio em meio a uma crise de credibilidade após a destituição do antigo gestor, percebi o quanto a postura do síndico molda a cultura interna. Alguns prestadores tentaram “dar continuidade ao bom relacionamento anterior”, insinuando acordos indevidos.

Com uma postura firme e transparente, deixei claro que a nova administração seria pautada pela ética. Em pouco tempo, a mudança de comportamento foi notável — o exemplo do gestor havia “virado a chave” do condomínio.

Ser compliance é, antes de tudo, ser coerente entre discurso e ação. É pensar e agir dentro dos limites legais e morais, reconhecendo que a ética deve nortear cada decisão.

Por isso, antes mesmo de contratar consultorias ou empresas especializadas, o síndico precisa despertar o seu próprio compliance interior. Só assim qualquer programa formal terá sentido e trará resultados reais.

Não adianta implementar programas sofisticados se o síndico não for, ele próprio, o exemplo de conformidade. O gestor precisa personificar o conceito, atuando com transparência financeira, responsabilidade civil e respeito humano.

Quando o síndico adota essa postura, o condomínio ganha em reputação, confiança e valorização patrimonial. Ele passa a escolher melhor seus parceiros, buscar empresas sérias e avaliar a conduta ética de quem presta serviços. Afinal, a credibilidade do condomínio é reflexo direto de quem o conduz.

Despertar o compliance interior é um exercício diário. É mais do que gerir planilhas — é cultivar valores. Em um mercado ainda marcado por vícios e práticas antigas, ser um síndico ético não deveria causar surpresa, mas inspiração.

Que cada gestor condominial assuma, com orgulho e consciência, o papel de agente transformador, promovendo uma gestão transparente, preventiva e verdadeiramente humana.

Fonte: (*) Amanda Accioli é Síndica Profissional e Advogada Condominialista, Diretora Nacional da Sindicatura da ANACON (Associação Nacional da Advocacia Condominial), Membro da Comissão Especial de Direito Condominial da OAB/SP, Síndica associada à AABIC e ao Secovi-SP. Palestrante e articulista. Instagram: @acciolicondominial | e-mail: amandaaccioli.adv@gmail.com