Gabriel Karpat

Síndicos "outsiders"

Atenção redobrada com gestores sem experiência em gestão condominial

Por Mariana Ribeiro Desimone

sexta-feira, 9 de novembro de 2018


Por Gabriel Karpat*

A época em que vivemos tem sido amplamente marcada pela palavra renovação, não só na política, como também nos processos gerenciais dentro das empresas. As novas tecnologias foram incorporadas rapidamente aos sistemas administrativos, o que deu mais agilidade e eficiência no conjunto de procedimentos.

Nos condomínios, o mesmo acontece. Os arcaicos métodos de dirigir os “negócios” condominiais levaram algumas edificações ao colapso estrutural e financeiro, muitas vezes de difícil ou muito custosa reversão.

Todo esse cenário trouxe novas sindicâncias, capazes, mas sem experiência exigida nesse ambiente complexo. Gestores que trouxeram soluções inovadoras, mas nem sempre praticáveis nas estruturas ainda não prontas para essa adequação. Trata-se de soluções muitas vezes necessárias, mas não imediatas.

É justamente nessa necessidade de adaptação por parte dos demais envolvidos que os chamados “outsiders”, pessoas estranhas ao segmento e que até pouco tempo atrás sequer participavam dessa atividade, têm encantado as assembleias de eleição de síndico.

Sob o pretexto da renovação e com novas propostas, essas pessoas ao se candidatarem são eleitas com maioria expressiva. Isso tudo, ampliado pela crise econômica e consequente desemprego, o que direcionou para a sindicância profissional um grande contingente.

Mais do que importante, trata-se de uma renovação necessária, embora ainda não ajustada com as rotinas internas da vida condominial, muitas vezes levando à frente da gestão profissionais não adaptados às questões diárias que envolvem funcionários, normas construtivas de manutenção, além de temas e problemas de convívio e conciliação entre moradores.

Diante desse contexto, há que se ressaltar que não existe milagres. Como diz o ditado, no pain no gain (sem dor não há ganho), é preciso conhecer o ambiente condominial, adaptar-se e adaptar a gestão ao modelo proposto. 

Igualmente importante é destacar que estruturas obsoletas não suportam instantaneamente as mudanças propostas. A adequação é necessária e deve acontecer num período de acomodação, para que os processos passem a funcionar com aceitação e de modo que se permita a adaptação e entendimento de todos os envolvidos.

Entre as mudanças, podemos dar como exemplo as portarias virtuais, os sistemas de comunicação por meio de aplicativos, a prestação de contas e assembleias virtuais, os sistemas de controles de acesso e tantos outros que alteram a rotina dos demais moradores. Isso, sem deixar de mencionar os modernos sistemas de gestão através de câmeras interativas e sistemas interativos de gestão da manutenção por drones e controles operacionais, tudo monitorado remotamente.

Nesse rol de mudanças, também fazem parte as técnicas de cash flow e planejamento financeiro, acomodando a previsão orçamentária aprovada em assembleia de moradores, mas muitas vezes inadequada.

Experiência: uma necessidade

Um detalhe fundamental ao se propor inovações é o conhecimento acerca do perfil tanto do condomínio quanto de seus condôminos. Informações como idade e capacidade financeira dos moradores, suas expectativas devem ser levantadas e nesse caso, a obtenção não vem de técnica, mas de vivência e experiência.

Cabe aqui um alerta. Diferentemente de uma empresa privada, onde o executivo contratado vem com a tarefa de executar as tarefas a qualquer custo, nos condomínios, os novos síndicos devem submeter suas pretensões aos moradores e aprová-las em assembleia. Isso exige mais do que retórica, exige participação e compreensão por parte de todos para as novas metas propostas. As inovações sempre exigem quebras de paradigmas.

Em alguns condomínios, entretanto, por falta de experiência no segmento, alguns “outsiders” não se mantêm nos cargos para os quais foram eleitos, mesmo que capacitados. Trata-se de algo negativo, já que são pessoas capazes com muita vontade de inovar. Não devemos perder essa oportunidade. É preciso recebê-los e integrá-los a essa nova realidade.

A transição para a necessária evolução depende dos novos síndicos compartilharem suas propostas com os mais experientes para conjuntamente agirem. Dividir as decisões com os conselheiros que já estão inteirados das demandas diárias é uma solução. E os moradores serem informados das mudanças através de ações constantes de comunicação é outra tarefa relevante nesse processo.

A conjunção de capacitação com experiência, combinando novas fórmulas, é o caminho para a modernização do segmento. Por essa visão, os síndicos “outsiders” são bem-vindos. Sua presença auxilia a tão importante oxigenação da gestão condominial, mas com capacitação não só teórica e técnica. Os novos comandos devem ser conjugados com experiência e eficácia.

Os condomínios certamente devem ser geridos como empresas, mas que fique claro não são empresas e nunca serão. São condomínios.

*Gabriel Karpat*é diretor da GK Administração de Bens e coordenador do curso de síndicos profissionais da Gabor RH – diretoria@gk.com.br