Check-up e inspeção predial

Trincas em paredes, pilares e lajes

Saiba como identificar e analisar ocorrências no seu condomínio

Por Mariana Ribeiro Desimone

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


Manutenção é um tema primordial em condomínio. Sabe-se que para cada real investido em manutenção preventiva, mais de dois reais são economizados. Ou seja: é sempre um bom negócio prevenir.

Além do lado financeiro, apostar em manutenção preventiva  evita que um descuido se torne uma catástrofe, como foi o prédio que desabou no centro do Rio de Janeiro em janeiro de 2012.

Por isso é tão importante prestar muita atenção em qualquer corte que porventura apareça nas paredes, cobertura ou garagem do condomínio. Essas aberturas nas estruturas, que podem ser denominadas fissuras, trincas, rachaduras ou fendas podem ser o primeiro sinal de alerta de que algo está acontecendo por trás daquela camada de tinta nas paredes.

Vale lembrar que o síndico é responsável civil e criminalmente por todo o condomínio, incluindo-se aí os cuidados com a edificação, que são fundamentais tanto para a segurança de todos, como para manter o valor do patrimônio sempre em um bom patamar.

Um bom sinal de alerta é quando a fissura começa a se expandir. Pode também mudar de cor, ou minar água. Nesses casos, o tempo de procurar um perito é curto. Quanto mais houver demora na busca de um reparo, mais caro este será.

O aconselhável, para evitar que as fissuras se expandam demasiadamente e atinjam a parte estrutural da edificação, é que a cada dois anos seja feita uma inspeção completa, com um perito no assunto, para construções de até 15 anos. Após esse período, a inspeção pode ser anual, para haver um acompanhamento mais próximo das estruturas.

Se a construção for nova e apresentar muitas rachaduras, pode-se contar com a assessoria de um engenheiro especializado em mecânica do solo. Ele poderá dizer qual é a origem do problema e se houve falha por parte da construtora, que deve dar, no mínimo, cinco anos de garantia.

Para casos em que o local a ser tratado – como uma área externa ou o topo do prédio – fique protegido da chuva, o ideal é que o reparo seja executado durante a época seca do ano. Se for algo muito urgente, pode-se contratar toldos para que o serviço seja feito com segurança e rapidez.

Como agir

Em geral, o aparecimento de pequenas fissuras não é preocupante, já que a estrutura do prédio pode ir se acomodando ao terreno com o passar do tempo, especialmente se a edificação for nova – tiver menos de cinco anos – ou se houver grandes obras por perto, que também podem causar essas rachaduras em diversos locais.

O ideal é que haja um acompanhamento mensal por parte do zelador dessas fissuras.

Se a abertura crescer ou se mudar de cor, ou ainda se estiver minando água, é muito importante procurar um especialista.

Veja abaixo algumas dicas importantes:

Responsabilidade do síndico

Vale ressaltar que, se ocorrer algum tipo de incidente, o síndico pode ser responsabilizado por omissão, caso nada tenha sido feito para prevenir a ocorrência.

Por exemplo, se uma rachadura não for reparada e um muro cair em cima de um morador, a responsabilidade (civil e criminal) será do síndico, caso esse não tenha tomado nenhuma providência.

Tipos de ocorrências

Fissuras, trincas, rachaduras e fendas são aberturas em forma de linha, classificadas de acordo com a espessura, e não quanto ao comprimento.

Principais causas

Obras nas unidades

Exemplos de ocorrências

Foto acima: Trincas verticais e horizontais em casa de máquina, decorrentes de emenda incorreta na alvenaria com a estrutura e da dilatação do topo da edificação

Foto acima: Trinca de piso em laje de topo. Falha de execução de junta de dilatação

Foto acima: Os azulejos desalinhados são frutos do chamado recalque de fundação – que acontece quando um lado da fundação do edifício “afunda” mais que o outro

Foto acima: Trinca na laje de concreto. A impermeabilização venceu, e a água passou por ali, gerando a fissura

Foto acima: Fissura no piso externo, causada pela passagem do tubo do escapamento do gerador. Como a tubulação esquenta, o piso se dilata e, posteriormente, se retrai, causando assim a trinca

Foto acima: Trinca no revestimento: nesse caso, foi necessário remover o revestimento para descobrir a corrosão

Foto acima: Fissura no teto da garagem: Falha na impermeabilização do local. A presença da mancha de água é um agravante

Foto acima: Trincas de fachada: À esquerda e acima, falha na aplicação do revestimento. À direita e abaixo, falta de verga na esquadria. A verga é uma pequena viga que ajuda a evitar fissuras em áreas próximas a janelas, ou outras esquadrias.

Foto acima: Fissura na platibanda por falta de junta de dilatação

VIP - Inspeções Prediais

Serviço

Fontes consultadas: Zeferino Velloso, engenheiro e responsável pela VIP inspeções prediais, Marcio Joaquim Estefano de Junqueira, professor do curso de engenharia do Instituto Mauá de Tecnologia, e Manual Saúde dos Edifícios, do CREA-SP, Eliene Ventura, gerente técnica da Vedacit/Otto Baumgart, Luciano Gomide, arquiteto especializado em perícias