03/04/26 06:41 - Atualizado há 9 dias
Quem nunca, na posição de síndico, foi perseguido por um morador? Muitas vezes, tudo começa com a aplicação de uma advertência ou multa. A partir daí, alguns moradores passam a atacar o síndico nos grupos internos do condomínio, especialmente no WhatsApp.
Curiosamente, são pessoas que quase nunca participam ou contribuem nesses espaços, mas que se empenham com afinco para tentar destruir a imagem do síndico movidas por mágoa, ressentimento e, em alguns casos, ódio.
O que leva alguém a esse comportamento?
Falo também por experiência pessoal: sou alvo da perseguição de um morador desde 2019. Foram vários processos movidos contra mim e, somente agora, após ele perder todos, é que darei continuidade às medidas jurídicas cabíveis.
Esse tipo de situação me faz refletir profundamente sobre o que motiva pessoas assim.
São indivíduos que, ao terem o ego ferido, reagem como se vivessem acima das regras, são muitas vezes mimados, sem noção de coletividade e com enorme dificuldade de lidar com limites.
E então surge a pergunta: o que está acontecendo com o mundo de hoje?
Vivemos numa cultura que idolatra o conforto. Dizer a verdade virou ofensa; cobrar responsabilidade virou abuso; discordar virou intolerância; ser direto virou ataque. O que estamos ensinando às próximas gerações?
O mais preocupante é que muitos parecem se sentir bem assim. Não querem crescer, não querem evoluir. Preferem permanecer estagnados. Não buscam ajuda, apenas validação.
Querem conforto para as próprias ilusões e para a versão distorcida da realidade que criam. Quando o síndico estabelece limites, é taxado de 'grosso'; quando cobra responsabilidade, é acusado de 'abusivo'; quando fala a verdade, é visto como 'confrontador'.
Criou-se uma cultura em que, se você não concorda com a versão de mundo de alguém, automaticamente se torna inimigo. Há pessoas que não querem mais a verdade, apenas permissão para continuar quebradas. Enquanto isso, a saúde mental dos síndicos está cada vez mais em risco.
O limite do ódio em condomínios deve ser traçado com firmeza.
Síndicos, não cedam ao ego alheio e priorizem a coletividade, buscando apoio jurídico e psicológico quando necessário.
Moradores, reflitam sobre a cultura do conforto que nos cerca e escolham o diálogo responsável em vez de ataques virtuais.
A comunidade - síndico e condôminos - deve traçar planos de gestão de riscos disciplinares para fortalecer a convivência e, juntos, construir uma cultura condominial mais saudáveis e unida, impondo limites aos abusos com empatia e autoridade.
(*) Rose Brandão é formada em Administração de Empresas pela FMU. Certificada em Administração de Condomínios pelo Secovi. Atua como Síndica Profissional na empresa Exclusiva Síndico.