Guia sobre Segurança

Vizinhança Solidária: o que é e como implantar

Saiba o que você precisa fazer para inserir o seu condomínio no programa da Polícia Militar de SP e tornar a sua comunidade mais segura

Por Catarina Anderáos

20/08/19 11:22 - Atualizado há 3 meses


Dia 20 de agosto comemora-se o Dia do Vizinho. O intuito da data é celebrar com quem se divide o corredor, ou a calçada, a solidariedade, a cidadania e o sentimento de pertencimento, mais raros em tempos marcados pelo individualismo e muita correria. 

O sucesso do Programa Vizinhança Solidária, que completa 10 anos em agosto, é a prova de que o resgate desses valores, além de substituir a indiferença social, colabora com a segurança pública.

Vizinhança Solidária: comunidades vigiadas por vizinhos 

Criado pela Polícia Militar de São Paulo, o programa consiste em conscientizar as pessoas de uma comunidade do seu papel e responsabilidade para preservar sua segurança pessoal e coletiva, adotar medidas capazes de prevenir delitos, estabelecendo uma área vigiada pelos moradores, com apoio da PM. 

A essência é a participação ativa da comunidade na comunicação sobre qualquer atitude suspeita na área, via grupo de whatsapp

O Vizinhança Solidária começou no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista, cresceu e virou lei estadual (nº 16.771/18). A iniciativa foi do então deputado estadual Coronel Álvaro Batista Camilo, atual secretário executivo da Polícia Militar. 

Redução da criminalidade em 70%

Após uma década de atividade, o programa contabiliza 2.024 grupos formados em 216 municípios de todo o estado. A cidade de São Paulo é a líder, com mais de 600 grupos. 

A PM estima que a redução média da criminalidade onde o programa foi implantado é de 70%, chegando a 100% em alguns casos.

Indiferença é inimiga da segurança em condomínios

Em palestra recente no Secovi-SP, Coronel Camilo falou sobre o programa para mais de 120 síndicos e funcionários de administradoras de condomínios. “O crime acontece quando há oportunidade, desorganização e aparência de abandono. As pessoas devem fazer a sua parte, fazendo mutirões, se organizando. O Vizinhança Solidária não é só a polícia em ação, mas as comunidades conversando”, explica.

Segundo Camilo, um dos intuitos da iniciativa é aumentar o pertencimento de dentro de casa para fora, cuidando do que é de todos, ampliando a solidariedade.

“Não posso ser indiferente ao meu vizinho. Tenho que cumprimentá-lo, saber quem ele é, reconhecer o seu rosto. Só assim será possível identificar situações suspeitas que colocam a segurança de todos em risco", enfatiza.

10 passos para formar um grupo de Vizinhança Solidária

No caso dos condomínios interessados em criar um grupo de Vizinhança Solidária em sua rua ou bairro, um líder (geralmente síndico ou integrante do corpo diretivo) deve se articular com os vizinhos e a PM. Confira como formar um grupo local:

  1. Envie uma carta-convite a todos os condomínios vizinhos explicando a intenção de formação do grupo
  2. Realize uma reunião com os representantes dos condomínios interessados
  3. Forme o grupo 
  4. Procure a companhia da PM mais próxima ou o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do seu bairro para preencher o requerimento de análise de vulnerabilidade
  5. PM faz vistoria na(s) rua(s) 
  6. PM participa de uma reunião do grupo 
  7. Criação de um grupo no whatsapp focado em segurança da região
  8. Inclusão do PM do bairro neste grupo
  9. Afixação das placas “Vizinhança Solidária” em locais apontados pela PM
  10. Realização de reuniões periódicas para troca de ideias e aprimoramento 

O único custo será na confecção das placas, que devem seguir o modelo desenvolvido pela PM. O grupo também poderá, a seu critério, contratar consultorias de segurança e adquirir equipamentos de monitoramento e comunicação.

DOWNLOAD: Baixe a Cartilha da Vizinhança Solidária e confira todos os detalhes do programa e sobre como implantá-lo.

Como funciona o grupo de Vizinhança Solidária

O denominado “tutor” do grupo deve manter a ordem no whatsapp, estabelecendo regras, organizando reuniões periódicas e estimulando a participação correta dos participantes. 

Os grupos de whatsapp de condomínios devem ter porteiros e vigias dos empreendimentos, síndicos ou representantes e até mesmo moradores. 

Dependendo da quantidade de grupos de Vizinhança Solidária do bairro, o PM local poderá participar dos grupos também. Quando há vários, o ideal é que seja formado um outro grupo somente com tutores e o PM, para dividir informações e oferecer apoio.

O que deve ser compartilhado no grupo de Vizinhança Solidária?

Os integrantes devem usar o grupo de whatsapp exclusivamente para alertar sobre atitudes suspeitas, marcar reuniões, discutir questões relacionadas à zeladoria e acontecimentos de interesse do bairro.

Exemplo de atitude suspeita e como agir: automóvel parado por muito tempo com vidro filmado e gente dentro. Pode indicar uma atitude suspeita de criminosos aguardando algum morador. “Os vizinhos, porteiros e vigias observam se a situação se mantém e aí comunicam à polícia, pelo 190, para vir verificar atitude suspeita”, orienta o Coronel Camilo.

Fique de olho também em:

As ocorrências nos condomínios poderão ser apuradas pelo representante internamente. Já as questões urbanas devem ser reportadas à polícia. 

“Importante lembrar que o grupo é preventivo e não substitui o 190. Quando alguém visualizar um crime, deve ligar para 190. Se quiser fazer denúncia de forma anônima, pode ligar para 181”, reforça Camilo. 

Caso prático: redução de crimes em condomínios em mais de 90% 

O primeiro grupo de Vizinhança Solidária começou em 2009 na Rua Itacema, no bairro do Itaim Bibi na cidade de São Paulo. O condomínio de uma moradora havia sofrido um arrastão na ocasião e algumas pessoas foram se informar sobre o que poderia ser feito com apoio da PM. 

Segundo Luzia Maziero Fernandes, coordenadora  há 10 anos do grupo Vizinhança Solidária da Rua Itacema e adjacências, foram enviadas cartas para os síndicos dos condomínios das ruas vizinhas convidando-os para uma reunião, na qual foi formado o grupo precursor.

“Começamos com nove condomínios das ruas Itacema, Japão e Renato Paes de Barros. Hoje estamos com 31 condomínios no grupo do qual sou tutora. Mas no Itaim Bibi já são 146 condomínios participantes de algum grupo”, diz Luzia. 

No sistema de comunicação do grupo de Luzia, 180 funcionários estão conectados via rádio e 34 síndicos e representantes dos condomínios participam de um grupo de whatsapp.

“Em 10 anos, ocorreu apenas uma invasão em 2018, quando um morador facilitou a entrada do criminoso. Nunca mais teve arrastão, invasão”, comemora Luzia a redução quase que total nas incidências de criminalidade na sua região.

O grupo promove treinamentos semestrais com a PM, supervisiona equipamentos, conta com um consultor de segurança que realiza treinamento anual para revisar e atualizar boas práticas dos funcionários e moradores, faz reuniões mensais para troca de ideias e compartilhamento de dicas que vão além da questão de segurança. 

O próximo passo do grupo é concluir a implantação do programa City Câmeras, da prefeitura de São Paulo. 

Fontes consultadas: Coronel Álvaro Batista Camilo (secretário executivo da Polícia Militar) e Luzia Maziero Fernandes (coordenadora do grupo Vizinhança Solidária da Rua Itacema e adjacências).