Poços artesianos

Poços artesianos

Obra requer planejamento, traz riscos, mas pode evitar desabastecimento no condomínio

Por Mariana Ribeiro Desimone

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Com os problemas de abastecimento de água se agravando, muitos condomínios têm buscado uma forma de se resguardar da falta desse insumo.

O poço artesiano pode ser uma opção para esses casos. Afinal, ninguém quer ficar refém do abastecimento – que está precário em diversas regiões – e não depender dos caminhões-pipa, que também podem faltar e cujos preços, estima-se, irão subir bastante.

Mas para Alexandre Furlan Braz, especialista em gestão ambiental e diretor do Instituto Muda, o poço artesiano não é o "plano B" ideal para condomínios.

“O poço artesiano não faz com que as pessoas usem água de maneira mais racional, que é o que o planeta precisa nesse momento. Para os condomínios, o melhor seria apostar na individualização dos hidrômetros, que faz com que cada um tenha o incentivo certo para economizar em sua unidade. Já pensando o condomínio como um todo, o ideal seria implantar um bom sistema de reuso da água”, argumenta.

Mesmo não sendo o mais indicado na economia de água, muitos condomínios em locais onde o abastecimento está comprometido buscam informações sobre os poços artesianos.

Mas você conhece o passo a passo para que o seu condomínio tenha um? Veja abaixo:

  1. Escolha da empresa: as empresas convidadas devem visitar o condomínio e realizar um estudo sobre a viabilidade do projeto. Depois disso, a empresa é escolhida e a obra deve ser aprovada em assembleia. Segundo as fontes consultadas, por se caracterizar como necessária ao condomínio, a obra pode ser aprovada pela maioria simples: metade mais um do total de presentes na reunião. (saiba mais sobre quóruns em assembleias) Importante ressaltar que a empresa deve contar com um geólogo ou engenheiro de minas para executar o projeto do poço, e também deve seguir a norma NBR 12212 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para o setor.  
  2. Licença: Com o estudo em mãos, o condomínio pede uma outorga de perfuração na agência responsável por isso em seu estado. Nesse documento está expressa a vazão de água que o condomínio pode retirar do poço. Geralmente, a empresa que faz a perfuração se encarrega de ir atrás das licenças necessárias.  
  3. Perfuração: Já com a licença em mãos, a empresa faz a perfuração no solo. A obra dura, aproximadamente, 20 dias. Caso dê tudo certo, instala-se a bomba para retirar a água. Se não houver água no local, o condomínio deve pagar por outra perfuração.  
  4. Nova licença: A água do poço deve ser analisada e aprovada pela agência local para consumo – seja para beber ou não -, para que seja concedida a outorga de direito de uso do recuso hídrico. Caso isso não aconteça, o condomínio deve tratar a água até obter a licença.  
  5. Cadastro Viginância Sanitária: Para uso humano é necessário também providenciar o "Cadastro do Sistema/Solução Alternativa de Abastecimento de Água para Consumo Humano", documento emitido pelo Departamento de Vigilância Sanitária estadual ou municipal, dependendo da localidade.  
  6. Manutenção: Anualmente, o condomínio deve fazer manutenção preventiva da bomba do poço, além de enviar amostra ao órgão responsável para averiguação. Caso a água seja potável, a análise deve ser feita a cada três meses.

Como se pode ver, não é um passo simples fazer um poço. É uma obra que deve demandar uma boa dose de planejamento do condomínio.

Veja abaixo alguns pontos a serem estudados antes de se optar pelo poço artesiano:

Saiba mais

Fontes consultadas: Marcio Rachkorsky, advogado especialista em condomínios e colunista SíndicoNet, DAEE (Departamento de água e energia elétrica do Estado de São Paulo), Adauto Afonso, diretor da empresa Poços Hidromaster, Gabriel Karpat, diretor da administradora GK e colunista do SíndicoNet, Alexandre Furlan Braz, diretor do Instituto Muda e especialista em gestão ambiental, Hubert Gebara, vice-presidente de condomínios do Secovi-SP, Marcilio Tavares, coordenador da ABAS (Associação Brasileira de Águas Subterrâneas), José Carlos, gerente de condomínios da administradora Habitacional