Com a onda de racionamento de água e consumo racional cada vez mais presente em diversos estados brasileiros, algo muito curioso vem sendo percebido pelos condomínios: a presença do ar nas tubulações das concessionárias, que deveriam abastecer com água, apenas, os seus clientes.

Como agora os empreendimentos podem ficar muitas horas sem receber água, fica evidente não apenas a presença do ar na tubulação, mas o registro de sua passagem nos hidrômetros pelo país afora, fazendo com que o consumidor pague por ele. Há locais que escutam, inclusive, “vento” na caixa d´água.

Atualmente, essa cobrança indevida pode causar ainda mais prejuízo ao condomínio. Em diversos estados, quem consumir acima de uma certa média, pode ser sobretaxado.


Por que isso acontece?

Esse ar na rede acontece mais frequentemente quando o sistema fica por muitas horas desabastecido. Quando a água volta aos encanamentos, ela vem “empurrada” pelo ar.

Para resolver esse problema, as concessionárias contam com ventosas, que tem a função de ajudar o ar a sair do sistema antes de chegar aos hidrômetros – mas, em algumas localidades, as ventosas não são o suficiente para barrar o ar.


Válvulas antiar

O equipamento eliminador de ar vai ajudar, principalmente, quem mora mais longe dos reservatórios ou quem mora em locais mais altos. Porém, em condomínios onde a água chegue com pouca pressão, pode não ser uma boa ideia oferecer mais um obstáculo até a caixa d´água.

Em recente reportagem do programa Fantástico, em um teste em laboratório, ficou constatada exatamente essa situação. A  válvula funciona. Porém, por reduzir a pressão da água, pode ocasionar uma diminuição de entrada de água no condomínio, principalmente se estiver com pouca pressão.

É difícil projetar a economia que a instalação desse tipo de aparelho oferece no condomínio, uma vez que a quantidade de ar pela qual o empreendimento paga depende de certas características, como se o empreendimento está afastado de um reservatório ou se está em um local mais alto. Há casos de economia superior a 30%.

Existem hoje no mercado dois tipos de peças para serem usadas de forma a evitar que o condomínio arque com esse custo. As válvulas bloqueadoras e eliminadoras de ar servem a esse propósito, cada uma com as suas características.

Vale lembrar que o Inmetro não avalia nenhuma das duas peças.

Veja as diferenças:


Eliminadores de ar:

  • Instalada antes do hidrômetro, essa peça causa certa discordância, uma vez que até o hidrômetro a rede é pública.
  • Os eliminadores de ar funcionam com um sistema de boias flutuadoras, que não deixam o ar passar
  • São permitidos em alguns estados, como Ceará e Minas Gerais, desde que instalada pela concessionária local. Há cidades que aprovam a instalação como Ribeirão Preto, Americana e Guarujá (SP).
  • Mesmo nos estados ou municípios onde a peça não é regulamentada, alguns condomínios têm optado por sua instalação. Nesses casos, a concessionária pode pedir a retirada da mesma - uma vez que, até o cavalete, a tubulação pertence à empresa.
  • São feitos, geralmente, de metal, como o bronze, para evitar que enferrujem e, assim, contaminem a água


Bloqueadores de ar

  • São instalados após o hidrômetro. Por estarem já instalados dentro da tubulação do cliente, não pedem aprovação da concessionária
  • “Funcionam com um sistema de molas, que faz com se crie um bloco de ar pressurizado, que avita que mais ar passe pelo hidrômetro. Quando a água chega, ela se mistura, e tem mais força para empurrar aquela massa de ar”, explica Gustavo Bender, sócio diretor da Metalúrgica HG, que fabrica a peça.
  • As peças podem ser feitas de plástico ou de metal. Importante verificar se há garantia, de que tipo e por quanto tempo


O que dizem as concessionárias

As empresas concessionárias, via de regra, não aconselham a instalação dos eliminadores de ar. O argumento é que, em um momento específico de falta de pressão, podem fazer com que água contaminada se misture com a água limpa. Os fabricantes argumentam que seus produtos não oferecem esse tipo de problema, e que foram testados por institutos renomados.

Em localidades onde eliminadores de ar não são permitidos, a empresa concessionária pode solicitar a remoção do aparelho, algo que os fabricantes afirmam não acontecer na prática.
 

Preços

  • Bloqueadores de ar: ao optar pela peça, o condomínio, ao fazer o orçamento, deve checar se o mesmo inclui instalação. Há quem cobre R$ 500 pela peça, sem instalação. Outros só fazem orçamento com a peça já colocada, que sai a partir de R$ 1.500.
  • Eliminadores de ar: a partir de R$ 1.000,00 (sem instalação), para encanamento de ¾ de polegada

A variação de preço das peças é incrível: é possível achar válvulas tanto bloqueadoras quanto eliminadoras de ar em sites de venda pela internet por R$ 55.

Os fornecedores citados na matéria reiteram que usam metais de qualidade na composição de suas peças, o que encarece o produto, e que também oferecem garantia.


“A minha peça tem garantia de um ano, mas pode durar vinte. Se amanhã o cliente se mudar, pode levar com ele sem problemas”, argumenta Danilo,da Air Bloq.

Dica:

Tanto para bloqueadores quanto para eliminadores de ar, é possível alugar as peças para saber se a compra da peça – e consequente economia – é um bom negócio para o condomínio.


Serviço


Fontes consultadas: Rodrigo Karpat, advogado especialista em condomínios e colunista SíndicoNet, Rafael Martino, gestor da Dolphin, Gustavo Bender, sócio diretor da metalúrgica HG, Danilo Carrilho, dono da Air Bloq, Gabriel Karpat, diretor da administradora GK, Rosely Schwartz, professora do curso de administração condominial da EPD e especialista em condomínios, Zeferino Velloso, diretor da VIP Inspeções Prediais, e José Roberto Graiche, diretor da administradora Graiche, Gabriel Abdon, da administradora Prop Starter

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