Síndico mantém sigilo sobre reclamações para evitar conflitos

Síndicos contam o que fazem para evitar problemas em prédios.
 
 
Respeitar o próximo, ser gentil e educado. Essas são apenas algumas das maneiras para ter um bom relacionamento com os vizinhos. O problema é que sempre tem pessoas que desobedecem as famosas regras de convivência. Saber lidar com cada tipo de perfil não é uma tarefa fácil para o síndico. 
 
Na Vila Madalena, Zona Oeste de São Paulo, o síndico Benedito Souza conta que precisa ter muito jogo de cintura para lidar com diferentes perfis. Benê, como é conhecido, acumula a função há seis anos e diz ter um segredo para deixar o dia a dia mais tranquilo. Ele recebe todo tipo de reclamação, toma as medidas, mas nunca revela quem reclamou.
 
“Quem faz a reclamação, nós não identificamos. Nós não queremos colocar um vizinho contra o outro. Nós queremos que eles vivam bem, vivam em harmonia”, conta o síndico. O resultado é positivo e os moradores aprovam.
 
Os moradores também precisam seguir o regulamento do prédio. As festas têm hora para acabar no salão: não podem passar das 21h30. Às 22h, a área deve estar fechada, caso contrário o condômino recebe multa.
 
Em outro condomínio, no Jaraguá, também na Zona Oeste, o problema são as vagas na garagem. No prédio vivem 430 famílias e só tem 210 vagas de estacionamento. Ou seja, só conseguem parar o carro os moradores que chegam cedo em casa.
 
Meire Elisa Máximo, transportadora escolar, roda com seu veículo até achar uma vaga. “É difícil, está faltando muita vaga aqui”. Os funcionários até remarcaram as linhas amarelas entre os carros e conseguiram mais seis vagas. Contudo, ninguém ficou satisfeito.
 
O jeito então é improvisar, como faz Soraia Meira de Oliveira, operadora de telemarketing. “Você para em cima da calçada, para em frente do parquinho, nas lixeiras, atrapalhando tudo”. E esse ‘jeitinho’ acaba dando multa.
 
“A gente é informado pela portaria. Temos um relatório. Quando é detectado isso a gente manda uma notificação para o apartamento e se o apartamento reincidir, a gente aplica a multa”, explica a síndica do condomínio, Karla Fragoso.
 
No salão de festa é proibido fazer barulho depois das 22h. O problema é que muitos se reúnem na frente do prédio e a festa vai até altas horas. “Tem muita gente que acorda 4h, 5h da manhã diariamente. Atrapalha completamente. Põe som alto às vezes. É uma dificuldade mesmo”, reclama o autônomo Bruno Santos Silva.
 

Fonte: http://g1.globo.com