Água contaminada
SP: Condomínio fica 11 dias sem água potável em Santos
Moradores do Condomínio Edifício Brumar, na Avenida Presidente Wilson, no bairro Pompéia, em Santos, no litoral de São Paulo, completam 11 dias sem poder usar a água do prédio para banho, higiene pessoal, preparo de alimentos ou consumo. A restrição foi imposta no início de julho de 2026 após a suspeita de contaminação, e o abastecimento só será liberado após a apresentação de laudos que atestem a potabilidade da água.
A crise afeta diretamente dezenas de famílias, que enfrentam gastos extras com água mineral, restrições cotidianas e incerteza sobre quando a situação será normalizada. Parte dos condôminos deixou temporariamente o prédio. Dois moradores chegaram a ser hospitalizados após consumirem a água contaminada.
Enquanto aguardam o resultado dos laudos laboratoriais, muitos moradores precisam buscar água em uma torneira instalada na entrada do edifício, inclusive em dias de frio e chuva. A administração do condomínio informou em nota que realizou a limpeza das caixas d'água e solicitou análises laboratoriais, mas o primeiro laudo ainda não foi concluído. Contraprovas também seguem em análise. Nesse intervalo, o prédio está sendo abastecido por uma caixa d'água provisória.
A condômina Simone Rothje, moradora do Brumar há dois anos, relatou que a situação já ultrapassou o limite do tolerável. Ela afirmou que tanto ela quanto o marido apresentaram diarreia após o início da crise.
"Estamos há 11 dias sem água potável para banho, fazer comida ou higiene. Meu marido e eu tivemos diarreia. Até agora, ninguém fala nada, apenas dizem que estão aguardando o laudo da água. Isso é desumano", declarou.
Segundo Simone, a água disponibilizada na torneira externa é insuficiente para as necessidades dos moradores. "Disseram que cada apartamento pode pegar apenas dois litros de água. Dois litros dão para quê?", questionou.
Famílias hospitalizadas e despesas com água mineral
Com a água interna proibida para consumo e preparo de alimentos, muitas famílias passaram a comprar galões de água mineral por conta própria. "Estamos comprando galões de 20 litros. A água da torneira externa serve para lavar louça e tomar banho. Para cozinhar, precisamos usar água comprada", relatou Simone.
A cozinheira Patrícia Barbosa e sua família estão morando provisoriamente na casa dos sogros desde 4 de julho. Ela, o marido, o filho e um afilhado passaram mal após a suspeita de contaminação. O filho permaneceu dois dias internado; o afilhado ficou quatro dias hospitalizado com diagnóstico de gastroenterite por água contaminada. Ambos receberam alta, mas ainda aguardam resultados de exames solicitados por uma infectologista.
Sobre o prazo para resolução do problema, Simone disse que os moradores seguem sem previsão concreta. "Na sexta-feira (10), disseram que o laudo sairia, mas até agora ninguém respondeu nada. Só dizem que ainda estão aguardando o resultado", afirmou.
O problema teve início no começo de julho de 2026, quando moradores perceberam alterações na cor e no cheiro da água. Em seguida, o condomínio orientou os moradores a interromperem completamente o uso da rede interna.
A Vigilância Sanitária de Santos inspecionou o edifício, prestou orientações técnicas e lavrou uma intimação determinando as medidas necessárias para solucionar o problema. Segundo a Prefeitura de Santos, o prédio permanece dentro do prazo concedido para cumprir as determinações sanitárias. A administração municipal informou que a Vigilância Sanitária segue acompanhando o caso e adotará as medidas cabíveis conforme a evolução da situação.
A Sabesp realizou vistorias no imóvel e concluiu que o abastecimento público e a rede coletora de esgoto não apresentavam irregularidades. A empresa atribuiu o problema às instalações hidráulicas internas do edifício.
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