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Administração de conflitos e brigas

Caso do “Prédio do Fogaça” tem desfecho

Marcio Rachkorsky ganha causa para grupo de condôminos apoiadores do chef em assembleia presidida por interventor judicial

Por Inês Pereira
17/07/19 11:19 - Atualizado há 4 meses
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Marcio Rachkorsky ganha causa para grupo de condôminos apoiadores do chef em assembleia presidida por interventor judicial

Muita gente acompanhou o caso. O que seria questão interna e rotineira de condomínio, como assembleia para eleição do novo síndico e prestação de contas, virou assunto de polícia com direito a brigas e acusações. 

A história ganhou pimenta adicional – e espaço garantido na grande mídia – sendo o protagonista o conhecido chef Henrique Fogaça, jurado do programa MasterChef, da Band. O “sucesso” da novela de Fogaça, dessa vez, se deve ao fato de poder assumir o posto de síndico em assembleia presidida por um interventor judicial

No começo da semana, dia 15 de julho, duas horas e meia depois, os 505 condôminos presentes apontaram a vitória do chef com 52,9% dos votos. 

“Finalmente ele foi eleito e tirou um pessoal que estava há 19 anos no poder. Uma guerra. A experiência mais intensa que tive nos últimos anos. Estamos muito felizes com esse resultado”, conta Marcio Rachkorsky, advogado que representa Fogaça e seus condôminos apoiadores. 

O fato de a assembleia só ter sido possível na presença do interventor judicial, conforme Rachkorsky, sacramentou uma história inédita no universo condominial. 

Entenda o caso do “prédio do Fogaça”

  • O Grupo ADTEC vem administrando o Edifício Baronesa de Arary há 19 anos.
  • Em 2013, o condomínio sofreu o primeiro baque com a divisão entre os condôminos contra e a favor da gestão. A assembleia acabou em barraco e um B.O.
  • Em 2016, Fogaça mudou-se para o condomínio. 
  • Não concordando com a administração, o chef preparou um documento em que acusava a administradora de desviar  R$ 176 mil. As acusações de condôminos à gestão da administradora incluíram nepotismo e fraude nas eleições.
  • Em outubro de 2018, Fogaça foi eleito síndico. Porém, a assembleia tumultuada foi encerrada. Fogaça recorreu à polícia, registrando B.O., mas foi impedido de assumir
  • Em fevereiro, nova eleição foi realizada, dessa vez, em um local fora do condomínio. Fogaça foi eleito por 100 condôminos. A Ata foi enviada à juíza, que anulou o resultado.  
  • Em junho, nova assembleia foi programada, porém a confusão impediu que se realizasse. Fogaça terminou na delegacia registrando novo B.O.
  • Após cinco meses, em 15 de julho, uma assembleia foi realizada e presidida por interventor judicial. Fogaça foi eleito com 52,9% dos votos
  • No que depender da nova gestão, a paz voltará a reinar no Baronesa de Arary. E o chef síndico já tem metas: reduzir o valor da taxa condominial, fazer melhorias nas áreas comuns e utilizar os recursos do condomínio de forma mais eficiente. Prometeu também que deixará de receber o salário de síndico (R$ 10,7 mil) ficando apenas com a isenção da taxa mensal.

LIÇÕES EXTRAÍDAS 

Olhar para esse caso inusitado pode ser um exercício interessante. Com certeza, há coisas a aprender a partir dessa experiência, que afinal foi tão desgastante para todos. 

O que fazer quando o síndico é o problema

Como vimos, é totalmente possível que toda a discórdia gire em torno da má gestão que se perpetua no poder durante décadas. Quando este for caso, como seguir o caminho correto para destituir o síndico?

Primeiro passo: As razões para a destituição

  • Não fazer a devida prestação de contas no período estipulado;
  • Caso as contas não sejam aprovadas e não haja a justificativa necessária;
  • Quando as regras do regimento e do estatuto interno não foram cumpridas;
  • Quando a segurança do condomínio está em risco por falhas na gestão.

Obs.: no caso de problemas na prestação de contas, a melhor forma de comprovar é por meio de uma auditoria.

Segundo passo: Convocação de Assembleia Extraordinária. 

Essa convocação deve ser feita por um quarto dos proprietários com as obrigações em dia. [importante que o edital da convocação tenha a assinatura de todos os convocantes]

A pauta deve conter:  solicitação de explicações ao síndico e conselho de sua gestão; possibilidade de renúncia; deliberação sobre destituição e eleição de novos representantes do condomínio. Quórum necessário: metade dos proprietários mais um.

Terceiro passo: Se o síndico se recusar a sair:

É possível entregar uma notificação extra-judicial para que devolva a documentação, cartão de banco e papelada que não estão mais sob a sua gestão. Se for necessário, poderão acionar judicialmente para que devolva por meio de uma ação de busca e apreensão.

CONTEÚDO COMPLEMENTAR:

Como evitar que o condomínio vire um campo de guerra

Para o síndico

  • Ser o mais transparente possível na gestão e, principalmente, na prestação de contas; 
  • respeitar o regimento e o estatuto interno do condomínio;
  • estar atento ao que diz o morador e às suas necessidades; 
  • aceitar as críticas que provavelmente virão – e até lidar com a possibilidade de ser destituído, se for a vontade da maioria.

Para o morador

  • Respeitar as regras internas do condomínio; 
  • participar das assembleias;
  • acompanhar a comunicação vinda do síndico e da administradora – para não ser surpreendido depois;
  • questionar, sempre respeitando o poder designado ao síndico.

No final, todos têm a aprender com o que aconteceu com o Baronesa de Arary, e também a ganhar. No mínimo, uma boa convivência em comunidade.   

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