Compostagem
SP: Apenas 2,6% dos condomínios fazem compostagem de resíduos orgânicos
A coleta seletiva já é realidade na maioria dos condomínios paulistas. O desafio agora está na etapa seguinte: a compostagem. Levantamento conduzido pelo Lellolab - o laboratório de inovação da vida em comum da Lello Condomínios - revela que apenas 2,6% dos prédios adotam esta prática, embora 56,3% tenham viabilidade técnica para implantá-la.
O dado chama atenção porque cerca de 45% dos resíduos gerados nesses empreendimentos são orgânicos e poderiam ser transformados e valorizados localmente. Resíduos orgânicos são aqueles resultantes principalmente de frutas, legumes e verduras, cascas de ovos, ou seja, materiais de origem natural geralmente gerados nas cozinhas dos apartamentos. Inclui-se nos resíduos orgânicos o material de poda dos jardins condominiais. Em 2023, em um estudo conduzido em 300 condomínios, foram registradas 23 mil toneladas desse tipo de resíduo — volume que poderia deixar de pressionar aterros e retornar como adubo para áreas verdes do próprio condomínio e áreas verdes do bairro, por exemplo.
A pesquisa integra estratégia da Lello, maior administradora de condomínios do país, para ampliar a adesão a serviços de ambientais que melhorem a qualidade de vida de moradores nos cerca de 4 mil empreendimentos sob sua gestão, onde vivem aproximadamente 1,5 milhão de pessoas.
Gargalo na gestão
Com a verticalização das cidades, os condomínios passaram a concentrar populações equivalentes a pequenos bairros, tornando a gestão de resíduos urbanos um tema de complexidade crescente. Ainda assim, a transição da separação básica - em duas frações, reciclável e rejeitos - para o modelo mais moderno e circular de 03 frações (reciclável, rejeitos e orgânicos), enfrenta entraves como limitações de infraestrutura, falta de conhecimento técnico, e dificuldades no engajamento coletivo.
“O condomínio é um microterritório urbano. Quando a mudança começa a partir dele, os efeitos rapidamente são ampliados em toda a cidade, extrapolam os muros e potencializam a qualidade de vida de todos”, afirma Filipe Cassapo, diretor do Lellolab.
Além dos 56,3% que demonstram viabilidade técnica para composteiras, outros 41,1% poderiam destinar os resíduos orgânicos a empresas especializadas, como cooperativas, permitindo que praticamente todo o universo analisado tenha uma destinação correta.
Quando a prática funciona
Em um condomínio administrado pela Lello em Mogi das Cruzes-SP, a compostagem foi implantada após ajustes simples e orientação contínua aos moradores. Após 3 meses, parte significativa dos resíduos orgânicos passou a ser tratada internamente, reduzindo o envio ao aterro e gerando composto para uso nas áreas verdes.
Segundo a gestão, o principal desafio foi cultural: estabelecer uma rotina de descarte correto e manter comunicação constante com os moradores.
Especialistas apontam que a compostagem reduz emissões de gases de efeito estufa, diminui custos de destinação e fortalece a cultura e educação socioambiental com efeitos expressivos de redução de desperdício de alimentos.
“O avanço da coleta seletiva mostra que há boa governança e consciência ambiental. O próximo passo consiste agora em viabilizar e estruturar soluções completas, que possam atender todos os tipos de resíduos, além do orgânico, que representa quase metade do volume gerado”, conclui Cassapo.
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