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Administração

Função de síndico

Os desafios do cotidiano nem sempre são os previstos, veja os motivos

Publicado em: sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

 Morador que exerce função de síndico deve resolver conflitos nem sempre previstos em lei

Ele deve estar atento aos seus deveres e, principalmente, disposto a atender a outros moradores
 
Resolver briga de vizinhos e acordar de madrugada para advertir sobre o barulho no salão de festas fazem parte da rotina de um síndico. Porém, mediar conflitos não é a única atividade do cargo, que também tem obrigações previstas pelo Código Civil. Antes de aceitar o desafio e se tornar um síndico do condomínio, o morador deve estar atento aos seus deveres e, principalmente, disposto a atender a outros moradores, sem deixar que a proximidade com os vizinhos prejudique sua decisão enquanto responsável pelo prédio. 
 
O síndico profissional Edson Machado, gerente da Brognoli Condomínios, acredita que os interessados em desempenhar a função precisam ter disposição para atender os condôminos em qualquer horário, além evitar que ocorram conflitos e saber intermediá-los. Como as atividades requerem paciência e tempo do síndico, muitos moradores acabam desistindo da função, principalmente se a conciliam com um emprego. 
 
— As pessoas tendem a não gostar do desafio, porque o síndico sofre muitas críticas, mas não muitas contribuições para realizar seu trabalho.
 
Uma vez eleito por assembleia, com a possibilidade de exercer as atividades do prédio por uma gestão de até dois anos, o síndico tem de realizar o que prevê o artigo 1.348 do Código Civil, assim como seguir algumas normas de edificação, que vão garantir a segurança física do local. Entre suas atividades, estão convocar assembleias ordinárias e extraordinárias, cobrar taxas condominiais, controlar a inadimplência dos moradores e cuidar da manutenção do prédio. 
 
O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SC), Sérgio Luiz dos Santos, ressalta que o não cumprimento das funções pode, inclusive, incriminá-lo judicialmente. 
 
— As atividades dos síndicos são complexas. Alguns condomínios já superam o orçamento de pequenos municípios - compara.
 
Planejamento é fundamental
 
Todas as atividades não fizeram com que Lucia Helena da Silva, de 61 anos, desistisse da função. Há quase uma década, ela é síndica de um condomínio com sete prédios, que é moradia para cerca de 400 pessoas, em Florianópolis. Lucia defende que, para administrar o local, é preciso planejamento.
 
— Às 7h tomo banho e café, porque até às 9h30min fico na guarita do prédio, para depois fazer os serviços de rua - explica.
 
Lucia acredita que essa dedicação com os assuntos do condomínio é a maior qualidade reconhecida pelos moradores - que ela garante saber quem são e em que bloco moram.
 
— Tem de ser teimosa e persistente com os projetos. Se a pessoa não é firme, não consegue passar pelos obstáculos que surgem no decorrer do dia, do mês e da madrugada.
 

Qualidades de um bom síndico

 
- Saber administrar as atividades de síndico e outro emprego. Em muitos casos, assume a função quem já é aposentado, porque ser síndico requer tempo para as responsabilidades programadas e as surpresas.
- Paciência para lidar com 
moradores que pensam diferente 
e discutem entre si.
- Não ser inadimplente ou sofrer processos, porque responderá pelo CNPJ do condomínio.
 

O que analisar antes de se candidatar à vaga

 

Prós

 
- Síndico que é morador não tem essa obrigação de cumprir horário de atendimento em local fixo (em uma sala do prédio, por exemplo).
- Na maioria dos casos, síndico ganha uma remuneração fixa pelo serviço que desempenha. De acordo com a advogada da Ibagy Imóveis, Maria Eloiza Martins, o valor é fixado pela convenção do condomínio.
- Em alguns casos, ainda que menos comum hoje em dia, o síndico que é morador tem isenção de condomínio.
- Conhecer os outros moradores e promover atividades que os 
aproximam.
- Há possibilidade de contratar serviço de orientação ao síndico, 
que lhe dará suporte legal e administrativo para atuar.
 

Contras

 
- Ter disponibilidade de tempo para atender os moradores.
- Carga de trabalho é grande, porque não há horário para atendê-los, quando se é morador. O síndico pode ser chamado de madrugada, para um barulho em salão de festas, e ter de resolver a situação naquele momento.
- Além dos conflitos, tem de desempenhar as obrigações impostas pelo Código Civil.
- Quando se é síndico (e morador), corre-se o risco de ser imparcial, porque é difícil penalizar um vizinho que também é amigo.

Fonte: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br

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