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Administração

História inspiradora

Um porteiro que virou morador e depois síndico

quarta-feira, 12 de junho de 2019
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A história de Mosquito, o porteiro que virou morador e síndico de prédio em Ipanema após 34 anos

No volante de um Chevrolet Kadett de 1997 rodando pela Zona Sul do Rio está Manoel Firmino do Nascimento, de 61 anos. O paraíbano de Campina Grande ficou conhecido após viralizar nas redes sociais nos últimos dias pela incrível trajetória de vida. Mosquito, ou Muriçoca, foi porteiro por 34 anos de um prédio em Ipanema, comprou um apartamento no local e se tornou síndico há três semanas. Tudo isso sem perder o jeito humilde e o compromisso de trabalhar com honestidade. As conquistas, no entanto, vieram acompanhadas de alguns olhares desconfiados, e preconceituosos.

O homem chegou a cidade com poucos amigos há cerca de 40 anos para conseguir emprego no ramo de construção civil. Entre um bico e outro conheceu Roberto, um segundo pai para ele — carinhosamente chamado sempre de "doutor".

"Era ainda um garoto com sonhos, mas me disseram para fazer o curso de bombeiro hidráulico. Não terminei a escola, trabalhava na roça. O doutor Roberto não pensou duas vezes, pagou todos os custos para me capacitar", conta Manoel reforçando a gratidão pelo ex-patrão.

Mosquito trabalhou na mesma equipe de obras por nove anos, quando começou a trabalhar na construção do prédio de número 81, na Rua Nascimento Silva, em Ipanema. Ele não sabia na época, mas o edifício, que viria a se chamar Princesa Christrana, viraria o lar da família anos depois.

Com o término das obras, Manoel foi chamado para ser porteiro e teve a promessa de poder fazer obras "por fora". E assim ele continuou por 34 anos na função. Os moradores mudaram, novos síndicos foram eleitos ano a ano e Mosquito permanecera por grande parte do tempo morando num apartamento no playground e juntando dinheiro.

"Aproveitei para economizar tudo que era possível. Investi na educação das minhas duas filhas (Angélica, 24 anos, está encerrando o curso de Direito na Unigranrio e Andressa, 20, passou para Nutrição na Unirio). Não pude terminar a escola e jamais imaginei que minhas filhas teriam oportunidade de ir para faculdade", conta.

O apartamento de porteiro, na realidade, era maior que o atual — que tem sala, cozinha, três banheiros e dois quartos. Com Manoel moram as duas filhas e a esposa, Angela.

"Ele é meu espelho. Serve de inspiração diária", comenta Andressa, a filha mais nova.

Há nove anos o paraíbano decidiu mudar de vida. O apartamento 803 ficou a venda e após algumas semanas de negociação, Manoel arrematou a compra por R$ 420 mil (hoje estimado por ele em R$ 1,5 milhão). Era a realização de algo que ele sequer sonhava ser possível — e para isso usou toda a reserva financeira. As economias que iniciaram com um salário de cerca de dois salários mínimos, deram frutos.

"(Manoel) Chegou de surpresa na assembléia, sem que ninguém soubesse que ele tinha comprado um apartamento. Foi um momento muito legal, ele merece demais", conta Patrícia Lelal, moradora do Princesa Christrana.

Da portaria ao cargo de síndico

Como um porteiro, nordestino e que vive de bicos em obras conseguiu comprar um apartamento na Zona Sul? Esse pensamento repleto de preconceito borbulhava de alguns condôminos que encaravam Manoel diariamente e externaram essa frase diretamente contra ele.

Mosquito foi proprietário e porteiro por quatro anos. Ele conta que neste período decidiu se dedicar mais ainda, para provar que a recente aquisição não diminuiria o compromisso com o trabalho e a humildade, característica marcante. Há cinco anos ele foi demitido em comum acordo e passou a se dedicar exclusivamente às obras.

Há cerca de três semanas, por iniciativa dos moradores, Manoel Firmino do Nascimento foi eleito síndico do prédio. A votação expressiva com 33 favoráveis enquanto apenas dois condôminos escolheram outro candidato deixava um recado claro: não há mais espaço para o preconceito.

"São poucos os que ainda me olham torto, mas eu levo numa boa. Sou uma pessoa do bem e disposto a ajudar todos. O cargo em si não muda nada. Espero que em breve eu possa reativar a sauna, reformar a academia e expandir o salão de festas", projeta Manoel.

Nas metas pessoais, o paraíbano sonha em comprar um apartamento para cada filha e conhecer melhor justamente o Nordeste. Assim que possível, Mosquito pretende tirar férias e visitar um pouco mais a "terrinha".

"Conheço algumas cidades só de estar no aeroporto. Quero turistar e aproveitar um pouco. Quem sabe dar um pulo em Cancún e na Itália também", brinca.

Passagem de bastão

Há cinco anos Luíz Carlos Violino, 62 anos, assumiu o cargo de porteiro do prédio. Ele ainda pegou um período curto em que Mosquito era chefe da portaria. A sucessão de cargo, no entanto, se restringe a este cargo, garante.

"Jamais que eu pensaria em ser síndico. Pra mim é dor de cabeça demais", afirma.

Luíz comenta que com o ex-colega de profissão e agora patrão, Mosquito, o dia a dia do prédio ficou ainda melhor.

"Ele é muito trabalhador, merece demais. E está sendo um ótimo chefe aqui."

A vida na roça

Enquanto morava em Campina Grande, Mosquito trabalhava na roça carregando a enxada e ajudando a mãe, dona Maria Antônia da Conceição. Hoje a matriarca está com 90 anos e vive com uma das outras três irmãs. Manoel conta que manda dinheiro sempre que pode e mantém alguns investimentos na Paraíba.

Ela chegou a vir morar no Rio de Janeiro, na Vila Pinheiro, mas desistiu devido a violência da região e retornou para Paraíba. Por lá, Manoel tem pela frente a construção de um prédio com lojas comerciais e alguns apartamentos, onde pretende recuperar o investimento das finanças que tem feito. O empreendimento é supervisionado à distância, mas o sobrinho de Manoel administra os gastos da obra.

"Esses anos não tem sobrado nada, mas mantenho a fé que dará tudo certo. São anos de dedicação para depois poder aproveitar um pouco".

Fonte: extra.globo.com

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