Aluguel em queda
SP: Inadimplência de aluguel cai e São Paulo bate recorde
Em julho de 2026, a inadimplência no mercado de locação imobiliária do Brasil caiu para 3,05%. O índice representa o menor patamar de atrasos registrado no país nos últimos três anos, desde junho de 2023, quando a taxa foi de 3,03%. Divulgado oficialmente pelo Grupo Superlógica durante o evento Next 2026, o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) monitora o comportamento de pagamento de mais de 800 mil locatários em todo o território nacional.
Este recuo nacional representa uma redução de 0,15 ponto percentual (p.p.) em relação a junho de 2026, quando a taxa média estava em 3,20%. No comparativo anual com julho de 2025, período em que a inadimplência estava em 3,76%, a melhora acumulada é ainda mais expressiva, registrando uma queda de 0,71 p.p. No recorte semestral, a taxa média nacional do primeiro semestre de 2026 fechou em 3,24%, mantendo-se abaixo dos 3,71% do segundo semestre de 2025 e ligeiramente inferior aos 3,30% registrados na primeira metade do ano passado. A metodologia do índice considera como inadimplência os boletos residenciais ou comerciais com atrasos superiores a 60 dias.
Apesar do tom positivo dos números consolidados, o Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves, pede cautela. “A queda na inadimplência em julho reflete um alívio para as famílias no período, mas ainda é cedo para avaliar se esse respiro se manterá nos próximos meses. O cenário ainda exige atenção, pois juros e inflação podem impactar a renda familiar e, em consequência, o pagamento, em dia, do aluguel”, pondera o executivo.
São Paulo: Recorde Histórico de Queda no Aluguel
O estado de São Paulo despontou como o principal destaque positivo de julho ao alcançar a menor taxa de inadimplência de toda a sua série histórica, iniciada em outubro de 2023. O índice de atrasos no estado caiu para 2,58%, registrando um recuo de 0,24 p.p. em relação a junho (2,82%) e uma queda substancial de 0,71 p.p. na comparação com julho de 2025 (3,29%).
Com este patamar, São Paulo consolida uma posição significativamente mais saudável do que a própria média nacional (3,05%) e do que a média da região Sudeste, que encerrou julho em 2,78%. No acumulado do primeiro semestre de 2026, a taxa média paulista ficou em 2,93%, demonstrando melhora gradual frente ao primeiro semestre de 2025 (2,95%) e ao segundo semestre do ano passado (3,15%).
“São Paulo chegou ao menor nível de inadimplência desde o início da série histórica e permanece abaixo das médias nacional e regional”, destaca Manoel Gonçalves. Contudo, ele pondera que os juros elevados e a pressão do custo de vida continuam afetando o orçamento das famílias e podem ter reflexos sobre a capacidade de pagamento dos inquilinos nos próximos meses.
Bahia: Estado Vai na Contramão e Registra Alta
Divergindo da tendência nacional de queda, a Bahia registrou um aumento nos atrasos em julho de 2026. O índice de inadimplência de aluguel no estado subiu para 4,83%, representando um avanço de 0,21 p.p. frente aos 4,62% anotados em junho. No comparativo anual com julho de 2025, período em que o estado registrava 3,93%, o aumento acumulado é ainda mais evidente: uma alta de 0,90 p.p.
Apesar do incremento mensal, a taxa baiana permaneceu ligeiramente abaixo da média regional do Nordeste (que fechou julho em 4,88%), mas segue expressivamente superior à média nacional brasileira (3,05%). O primeiro semestre de 2026 fechou com média de 5,89% na Bahia, o que demonstra uma melhora em relação ao segundo semestre de 2025 (6,04%), embora continue bem acima do patamar de 4,75% do primeiro semestre do ano passado.
De acordo com Gonçalves, a oscilação baiana merece acompanhamento atento, por interromper um ciclo recente de duas quedas mensais consecutivas. “Ainda é cedo para determinar uma tendência de piora, mas é importante seguir de olho nas projeções de inflação e nas taxas de juros, fatores que influenciam diretamente a estabilidade financeira das famílias e podem impactar a capacidade de pagamento dos aluguéis”, avalia o executivo.
Pernambuco: Reversão e Alívio após Meses de Alta
Em contrapartida à vizinha Bahia, Pernambuco apresentou uma expressiva recuperação em julho de 2026. Após registrar quatro meses consecutivos de elevação na inadimplência, o estado reverteu a trajetória negativa ao registrar uma queda expressiva de 0,77 p.p. nos atrasos de pagamento. Com isso, o índice pernambucano recuou de 5,00% em junho para 4,23% em julho. Na comparação com julho de 2025, quando o indicador estava em 5,08%, houve um recuo de 0,84 p.p.
Apesar do recuo, Pernambuco segue acima da média do país (3,05%), mas posiciona-se de forma mais favorável do que a média da região Nordeste (4,88%). No recorte semestral, o primeiro semestre de 2026 fechou com a menor taxa de atrasos de sua série histórica no estado, com média de 4,29%, superando os índices do primeiro (4,44%) e do segundo semestre (5,14%) de 2025.
"A queda registrada em julho em Pernambuco é altamente positiva, mas a pressão sobre o orçamento familiar em 2026, com inflação e juros altos, ainda exige atenção de proprietários e imobiliárias quanto ao perfil de crédito e gestão de cobrança", avalia o Diretor da Superlógica.
Macroeconomia e Setores mais Vulneráveis Exigem Cautela
A análise detalhada do Índice Superlógica revela que, a despeito do cenário geral de recuo nacional, a inadimplência não se distribui de maneira uniforme pelo mercado, concentrando-se fortemente nos aluguéis de menor valor e no segmento comercial.
Em nível nacional, os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1.000,00 apresentaram uma sutil queda de 0,13 p.p., mas ainda preocupam ao concentrar a maior taxa de inadimplência do país, atingindo 7,27%. No segmento residencial, a mesma faixa de preço (até R$ 1.000,00) também lidera com folga os atrasos de sua categoria, registrando 5,99% de inadimplência em julho.
Por outro lado, as menores taxas de inadimplência do mês foram registradas nos imóveis residenciais com aluguéis entre R$ 2.000,00 e R$ 5.000,00 (1,74%) e nos comerciais na faixa de R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00 (3,42%).
“Em um cenário de juros ainda elevados e de contínua pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de manter compromissos como o aluguel em dia. Por isso, é fundamental acompanhar de perto a evolução das faixas de menor valor nos próximos meses para entender a real sustentabilidade dessa queda nacional”, conclui Manoel Gonçalves.
Fonte: Conteúdo SíndicoNet