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Construtoras investem em prédios exclusivos para locação

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
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Construtoras investem em prédios exclusivos para quem quer alugar

Incorporadoras têm aderido ao mercado de locação de olho na clientela, principalmente os mais jovens, que não sonha (ou não pode) mais em comprar a casa própria. São prédios erguidos exclusivamente para o aluguel dos apartamentos.

Ao cortar os intermediários, as incorporadoras apostam na desburocratização do processo de aluguel, eliminando a exigência de fiador ou seguro fiança e agilizando o fechamento dos contratos.

"Estamos preparados para realizar a locação em seis horas: só depende de o cliente ter todos os documentos para colocar no nosso sistema", afirma Rodrigo Resende, diretor de marketing e vendas da MRV, que criou a startup Luggo para atuar nesse setor".

Os contratos são de 30 meses, regidos pela Lei do Inquilinato. Ou seja, após os primeiros 12 meses, o inquilino pode sair sem pagar multa.

Até o final de 2020, a incorporadora mineira planeja entregar o primeiro empreendimento Luggo na cidade de São Paulo, no bairro do Piqueri. Antes, prepara-se para ofertar seus produtos em um fundo de investimento imobiliário.

A Vitacon, construtora especializada em apartamentos compactos, também criou uma startup para atuar nesse setor, a Housi. "Nosso foco está na estadia longa, de pelo menos seis meses, mas aceitamos quem quer ficar menos tempo", afirma Alexandre Frankel, fundador da Vitacon. "A palavra do momento é flexibilidade."

Já o Urbic Concierge, serviço da Urbic, direciona-se mais à hospedagem, tanto que os apartamentos e casas sob sua administração aparecem automaticamente em plataformas como Airbnb, Booking e Expedia.

Facilidade de acesso a internet de alta velocidade, TV a cabo e diarista são outras ferramentas para seduzir clientes. No caso da Luggo, os serviços são sob demanda, pagos conforme o pedido via aplicativo. "O morador que adere à internet coletiva paga de 40% a 50% a menos do que o cliente individual?, afirma Resende, da Luggo, enumerando benefícios do compartilhamento".

Se uma pia entupir ou for necessário pregar quadros na parede, é só chamar o assistente de manutenção que dá expediente no condomínio, além de um síndico que desempenha a função de concierge.

"Sinto que tem alguém cuidando das minhas necessidades", diz a mineira Margarete André da Silva, 49, que trabalha com suporte de sistemas em Belo Horizonte. Há quatro meses, ela e a filha universitária fizeram as malas rumo à capital mineira para morar de segunda a sexta-feira em um dos 116 apartamentos de dois dormitórios e 45 metros quadrados do Residencial Cipreste, o primeiro empreendimento da Luggo.

Mãe e filha têm casa própria em Lagoa Santa, a 40 km de distância de BH, mas estavam cansadas das quatro horas diárias no trânsito. Alugar um apartamento pequeno na cidade onde uma trabalha e a outra estuda pareceu ser a solução.

"Eu conheci o empreendimento e me apaixonei. A academia é ótima, há bicicletas novinhas para uso de todos e uma lavanderia coletiva que facilita a minha rotina. E o valor é compatível com a modalidade tradicional de aluguel", diz Margarete.

Entre os vizinhos dela há estudantes, profissionais vivendo temporariamente em Belo Horizonte, jovens casais, divorciados e casais da terceira idade. O perfil se assemelha ao dos consumidores de Curitiba que no último mês alugaram 40% das 88 unidades do Ecoville, recém-entregue pela dupla MRV e Luggo.

O preço do aluguel, dependendo da cidade e das características do residencial, fica hoje entre R$ 1.100 e R$ 1.600. "Como a gestão da locação e do prédio está em nossas mãos, temos agilidade para resolver as questões que surgem e implantar melhorias rapidamente", afirma Resende.

A ideia, segundo o executivo da MRV e Luggo, é oferecer um misto de moradia tradicional, serviços e um time treinado para resolver problemas.

Ou, nas palavras de Frankel, da Vitacon, "uma experiência de morar cheia de qualidade". "Nossa intenção é que a pessoa não se preocupe com nada", diz.

Quem recorre à Housi leva no pacote limpeza semanal, internet e TV fechada, além da opção de contratar facilmente serviços de personal trainer e transporte, por exemplo.

"É só apresentar a carteirinha do Club Housi para treinar na academia, tomar um banho durante o expediente ou usar o coworking", afirma Frankel, lembrando que a capital paulista já dispõe de 10 mil unidades sob gestão da startup fundada em janeiro passado. "Ela é nova, mas conta com pelo menos cinco anos de experiência como um departamento da Vitacon", diz.

História parecida tem o Urbic Concierge. Antes de ser oficialmente lançado em julho de 2018, o serviço em parceria com a americana Air Concierge já era disponibilizado para casas de alto padrão no litoral brasileiro. Agora, amplia o seu alcance para imóveis menos luxuosos, num total de cerca de uma centena de unidades em São Paulo.

Segundo o diretor comercial da Urbic, Celso Francisco Pinto Junior, o serviço de assessoria nasceu para ajudar tanto grandes investidores imobiliários como quem tem uma, duas ou três unidades disponíveis.

O Urbic Concierge promete atender qualquer necessidade de quem se hospeda em um dos imóveis ou suítes cadastrados em seu site. "Reservamos mesas em restaurantes e ingressos para espetáculos, indicamos médicos e gente para consertar uma roupa e podemos até fazer compras de supermercado", diz o executivo.

"Nosso período mínimo de locação é de três dias, porém não há limite máximo. Acontece que se o cliente quiser fechar por um mínimo de um ano, faremos um contrato tradicional", explica Pinto Junior. Nessa situação, nem sempre o serviço de concierge é oferecido.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/

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