Onça ataca pitbull
SP: Onça-parda invade casa em condomínio e deixa cão gravemente ferido
Um pitbull chamado Ragnar enfrentou uma onça-parda dentro de uma residência no condomínio Itaguaçu, na Serra da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo. O confronto ocorreu na madrugada de quinta-feira (6/8), pouco depois das 3h, enquanto a família com três crianças pequenas dormia.
A família Ramos tem uma criança de três anos, uma de três meses e uma mais velha. Ragnar ficou gravemente ferido: teve o rosto rasgado, perdeu parte da gengiva, perdeu as funções do lado esquerdo do rosto e teve uma veia próxima ao coração comprometida. O cão foi submetido a cirurgia de emergência e levou 32 pontos.
Como o ataque aconteceu
A administradora Mirella Ramos havia se levantado para amamentar a filha de três meses quando Ragnar disparou em direção ao corredor após ouvir um barulho. O marido de Mirella foi verificar a situação com o corredor ainda apagado e se deparou com o pitbull brigando na porta dos fundos com um animal não identificado. Quando tentou puxar o cão pela pata, percebeu que o adversário era uma onça-parda adulta.
Mirella relatou que a porta dos fundos costumava ficar entreaberta para que o cachorro pudesse sair para o quintal. Segundo ela, nos seis meses em que a família mora no condomínio havia relatos de animais silvestres na área, mas a onça era apenas mencionada de passagem por moradores.
"Como a onça foi pega pelo Ragnar bem na porta, a gente acredita que ela já estava dentro da nossa casa quando ele sentiu o cheiro e saiu em disparada. Se não fosse ele, uma tragédia podia ter acontecido com as nossas crianças", afirmou Mirella Ramos.
A briga só terminou quando a filha de três anos começou a chorar pedindo que o cachorro voltasse. Ragnar se desvencilhou da onça e conseguiu entrar pela outra porta da casa, onde foi socorrido. Câmeras de segurança do condomínio registraram a movimentação do felino nas dependências do local horas depois do confronto.
Onça reapareceu no dia seguinte
Enquanto Ragnar ainda estava sob cuidados veterinários, a onça voltou a aparecer na escadaria da residência no dia seguinte ao ataque. Mirella disse ter acionado a segurança do condomínio, o serviço florestal e a Defesa Civil municipal, sem obter resposta efetiva.
"Depois do ataque, os vizinhos já abriram mais de 20 chamados, mas a Defesa Civil disse que só pode ir até lá se há um número grande de pedidos. Eles não dizem o que é um número grande. Mas estou apavorada, com medo dela voltar e surpreender algum de nós novamente chegando em casa", relatou Mirella.
A tutora do animal disse considerar vender a casa caso a onça não seja capturada e levada a um local adequado.
Tratamento e custos
Ragnar precisa passar por uma segunda cirurgia. A família já gastou quase R$ 10 mil no tratamento do cão e, sem recursos para manter o animal internado na clínica de reabilitação, passou a medicá-lo em casa. Para tentar cobrir parte dos custos, os Ramos abriram uma vaquinha online.
"Ele realmente foi um herói. A gente acha que ele sentiu o cheiro de algo diferente dentro de casa e foi pra cima. Defendeu a gente com toda sua força, mesmo em desvantagem de força, tamanho e instinto. Todo sacrifício por ele não será em vão. Mas, além do tratamento, a gente quer uma solução para a presença da onça dentro do condomínio", disse Mirella Ramos.
Resposta da prefeitura
A Prefeitura de São Paulo informou, por nota, que nem a Guarda Civil Metropolitana (GCM) nem a Divisão da Fauna Silvestre (DFS) foram acionadas para a ocorrência. O texto diz que "diante do caso, a DFS apurará os fatos".
Na mesma nota, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) orientam a população a não tentar capturar ou afastar animais silvestres por conta própria. As secretarias indicam dois canais de atendimento: a GCM, pelo telefone 153, e a DFS, pelo WhatsApp (11) 95220-0219, disponível diariamente das 8h às 17h. A prefeitura informou ainda que a GCM mantém seis Inspetorias e uma Base de Defesa Ambiental distribuídas pela capital, responsáveis pelo patrulhamento de áreas verdes e pelo resgate de fauna silvestre em área urbana. O condomínio Itaguaçu não respondeu ao contato da reportagem até o fechamento da matéria.
Fonte: Conteúdo SíndicoNet (Produzido com o Auxílio de IA)