Voepass
SP: Série sobre queda da Voepass estreia após tragédia em Vinhedo
Quase dois anos após a tragédia de Vinhedo, a Globoplay anunciou o lançamento da série documental "Voepass 2283 – A Queda", sobre o acidente aéreo que matou 62 pessoas em agosto de 2024. A estreia está marcada para 7 de agosto, dois dias antes da data que completa o segundo aniversário do acidente.
A produção reúne imagens da perícia realizada no local da queda, registros das operações de resgate e materiais da aeronave anteriores à decolagem.
Três episódios e múltiplos depoimentos
A série é dividida em três episódios e inclui depoimentos de familiares das vítimas, investigadores, especialistas em aviação, autoridades envolvidas na apuração e ex-funcionários da companhia aérea. Segundo comunicado da assessoria de imprensa da Globo, cada episódio aborda um ângulo específico do caso.
De acordo com a nota, "o primeiro episódio examina as condições meteorológicas enfrentadas pelo voo e os primeiros indícios levantados após a queda. O segundo aprofunda questões relacionadas à manutenção da aeronave e relatos de ex-funcionários sobre a operação da companhia."
A equipe da Globo acrescentou que
"o terceiro reúne elementos que emergem das investigações e das denúncias sobre a cultura de segurança da empresa, as informações finais do relatório do Cenipa, além de acompanhar a busca dos familiares por esclarecimentos e responsabilização."
Relatório do Cenipa
O lançamento coincide com a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), publicado nesta quinta-feira (24), em Brasília. O documento concluiu que os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais durante o voo e deixaram de acionar o sistema de degelo, mesmo após alertas emitidos pela própria aeronave.
Segundo o tenente-coronel aviador Paulo Mendes Fróes, a aeronave acionou diversas vezes o alerta "electronic ice detector", indicando acúmulo de gelo. O aviso deveria ter levado à mudança de velocidade e ao acionamento dos sistemas de degelo. A gravação da caixa-preta mostrou, no entanto, que o piloto Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva estavam em conversa sobre assuntos pessoais naquele momento.
As conclusões foram apresentadas inicialmente em reunião reservada aos familiares das vítimas. Em seguida, Fróes, o brigadeiro Alexandre Avellar Leal, chefe do Cenipa, e o coronel aviador Raphael Vargas Vilar, chefe da Divisão de Investigação e Prevenção (DIP), concederam entrevista à imprensa.
O relatório determinou que o acidente não decorreu de um erro isolado. Para o Cenipa, houve uma combinação de falhas operacionais e de supervisão; a companhia e o ambiente regulatório deixaram de aproveitar sinais de risco, e os mecanismos de monitoramento eram insuficientes. Também não foram encontrados registros de problemas no sistema de dispersão de gelo, chamado "airframe icing", nos voos anteriores da aeronave, conforme já havia antecipado Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, no início do mês.
O acidente
O voo da Voepass partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos, na Grande São Paulo. O avião, um bimotor modelo ATR-72 com 58 passageiros e quatro tripulantes a bordo, caiu em um condomínio no bairro Capela, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Todas as 62 vítimas foram retiradas dos escombros e encaminhadas ao Instituto Médico Legal paulista.
Fonte: SíndicoNet