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Convivência

Arte no condomínio

Galerias e peças de teatro à disposição dos moradores

segunda-feira, 29 de julho de 2019
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Conheça condomínios no DF que estão sendo invadidos por atividades de arte

Galerias e espetáculos teatrais fazem parte da rotina dos moradores desse tipo de área residencial

Um mundo à parte surge pelo amor à cultura e pela vontade de compartilhar. Distante dos prédios e dos pilotis, típicos das superquadras brasilienses, condomínios da cidade vão além das residências e respiram dança, artes visuais, teatro, gastronomia, música e poesia. Seja em atividades voltadas única e exclusivamente para a vizinhança, seja nas abertas ao público, artistas resistem e levam opções culturais para fora do Plano Piloto.

Localizado no Jardim Botânico, o Condomínio Verde poderia ser chamado de “condomínio dos artistas”. Ali, vivem poetas, músicos, atores e chefs de cozinha. Sabores, cores e texturas que atraíram a bonequeira e professora de artes cênicas da Universidade de Brasília (UnB) Izabela Brochado. Com o companheiro Marcos Pena, ela toca o grupo Trapusteros Teatro e transformou a garagem de casa em um teatro de bolso para 50 pessoas. No lugar do automóvel, entraram cortinas, holofotes, som e os bonecos para promover espetáculos de formas animadas.

“É um lugar muito especial, tão agradável, em um espaço tão bonito. Pensamos logo: vamos fazer alguma coisa que seja mais comunitária. Buscamos outro tipo de relação. Pensamos na formação de novas plateias, porque a quantidade de crianças no condomínio é grande. Esse projeto faz parte de um ideal de mundo, de uma geração mais sensível que possa contrapor a essa avalanche de tecnologias e valores que não trabalham a sensibilidade”, explica Izabela.

Além da programação infantil, bastante intensa e, inclusive, com convidados de fora da capital, o grupo oferece peças para o público adulto. No condomínio, também ocorre recital de piano e um dia inteiro de atividades culturais com bandas autorais e poetas locais, por exemplo. A programação é financiada por um fundo cultural próprio. “Não é voluntário. Dentro do valor do condomínio está embutido isso. É público e financiado. Propusemos a criação do fundo em assembleia a partir de projetos específicos e foi aceito”, conta a bonequeira.

Apesar da proposta caseira, Izabela quer ampliar os horizontes de alcance. Hoje, para assistir a uma peça é necessário reservar um lugar. “Quem sabe não conseguimos trazer as crianças de São Sebastião que têm menos acesso ainda”, deseja. “São iniciativas que precisam se tornar mais comum. São nesses lugares que florescem novos artistas, pois se formam do contato com os outros e com a arte. É uma missão de continuidade”, acrescenta.

Galerias

A vida artística que pulsa no Condomínio Verde também chamou a atenção de Rogério Carvalho, crítico, curador, colecionador e proprietário da galeria XXX Arte Contemporânea. Há três anos, ele buscava uma casa que tivesse cara de galeria. Pé direito alto, cômodo para residência artística e metragem de parede para acolher exposições, mas também uma parte da sua coleção. Carvalho é dono de um acervo de cerca de 600 obras de arte.

Na galeria, ele expõe uma curadoria do acervo e foca no mercado primário de artes visuais, ligado diretamente aos artistas em fase de produção. “Das 11 exposições que fizemos ano passado, 10 eram a primeira individual. Destacamos artistas e damos visibilidade para trabalhos de qualidade”, define. Apesar do nome — uma referência à classificação indicativa de filmes adultos no século 20 —, Carvalho esclarece que a galeria é um espaço aberto a todas as possibilidades. O principal critério é a produção artística.

Para o curador, a distância do centro de Brasília é uma questão de referência. “O deslocamento das pessoas para galerias e lugares mais distantes deveria ser uma prática. Vivemos em uma megalópole e três milhões de habitantes não podem se concentrar só na Asa Sul e Asa Norte. É um território grande e deve ser visto íntegro”, comenta. Ele atende o público com hora marcada. “O que me interessa não é o público passante, ocasional. Meu interesse é um olhar mais específico de lidar com artistas profissionais e com trabalho de qualidade e com clientes que também sejam profissionais no sentido de verem a arte com papel social definido”, explica.

Muitas ideias e inquietações criativas. Para isso, o artista plástico Luis Jungmann Girafa abriu, no quintal da sua casa no Altiplano Leste, a Matéria Plástica — Galeria de Arte Atemporânea. Um espaço que contempla todas as contemporaneidades. Do jardim com esculturas de Luiz Gallina à sala expositiva com obras de artistas que admira, ele construiu um refúgio para múltiplas criações.

Por ali, além de exposições, Girafa já promoveu encontros gastronômicos, produziu filme e fotonovela e editou publicações. “Tem que estar se reinventando o tempo inteiro para não sair da memória das pessoas”, conta aos risos. Aberta desde 2013, aos poucos, a galeria tem despertado o interesse do público consumidor de artes visuais, como também dos vizinhos. “Está aberta para as pessoas virem conhecer e saber que ali, mais do que uma moradia, tem uma galeria”, convida Girafa.

O trabalho é solitário e de formiguinha, descreve o artista plástico. “Aqui é o bloco do eu sozinho”, brinca. Para Girafa, as iniciativas que surgem em condomínios são uma resposta ao momento difícil que a cultura vive. “Com poucas possibilidades, cria-se um incentivo para que surja mais espaços como a Matéria Plástica, de planos alternativos com pegada cultural”, afirma.

Vinda de uma família de produtores culturais, Poema Mühlenberg estabeleceu oficialmente, em 2013, o Galpão Bambu Espaço de Criação em uma região localizada em área de preservação ambiental Serrinha do Paranoá. Além dos ensaios do grupo Nós no Bambu, o local já acolheu residência artística, promoveu oficina de bambuzeria e sarau. “A ideia é compartilhar com outras pessoas e dar oportunidade de trocas artísticos-culturais. Aos poucos, fomos unindo forças e utilizando os recursos que já estão disponíveis, recursos humanos, inclusive”, comenta Poema.

O local tem como proposta gerar eventos de arte, cultura, meio ambiente, sustentabilidade e cura. Também, não deixa de ser iniciativa para conhecer as pessoas que moram na região. “É uma maravilha trabalhar em processos criativos na natureza e que a realização de eventos abertos ao público tem também a motivação de proporcionar a integração das pessoas entre si e com a natureza”, afirma.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

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