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Artigos e opiniões

Compliance condominial em tempos de pandemia

Atual crise vai te ajudar a entender como esta metodologia é importante para sua gestão

Por Thais Matuzaki
04/06/20 06:04 - Atualizado há 1 ano
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Atual crise vai te ajudar a entender como esta metodologia é importante para sua gestão

Por Renato Fernandes (*)

Uma coisa é certa: se você estava em dúvida quanto à necessidade de se implantar um Programa de Compliance em seu condomínio, essa crise vai te ajudar a decidir.

Como característica intrínseca do Compliance, a Análise de Riscos traz vantagem fundamental no momento da composição de uma estratégia de gestão de crise.

Obviamente nenhum síndico, empresário ou governo, poderia prever as dificuldades que a pandemia de COVID-19 trouxe para o dia a dia de todos. Mas um planejamento estratégico prévio de gestão de crises oferece ferramentas essenciais para agilizar tomadas de decisões, inclusive mais assertivas.

Em se tratando de condomínios, decisões como o fechamento das áreas comuns, implantação de procedimentos de higiene e limpeza, uso restrito de elevadores, controle diferenciado de acesso de visitantes e funcionários, entre outras, poderiam ser adotadas com mais agilidade e segurança.

Notamos inclusive, que nem mesmo os responsáveis pela gestão pública no Brasil, e em outros países também, não estavam minimamente preparados para uma crise de pandemia como vivemos atualmente.

Mas e o Compliance com isso?

Quando falamos de Compliance falamos de conformidade. Conformidade às leis, às regras, aos regimentos, mas não somente isso.

Estar em conformidade não se trata apenas da legalidade das ações, mas também da legitimidade dessas ações. Ser legitimo é estar de acordo com as normas de conduta social, ser íntegro, justo e valorizar a ética.

É muito importante que não deixemos que a urgência trazida pela crise acabe por turvar nossa visão das coisas. O Prof. Alexandre di Miceli, em seu livro “Ética Empresarial na Prática” chama esse fenômeno de Cegueira Ética. Vários são os fatores que podem levar uma pessoa originalmente ética a tomar decisões antiéticas e, com certeza, o senso de urgência é um deles.

Não assuma que ações do estado devem ser cegamente adotados dentro do condomínio. Limitações do direito de propriedade e desprezo aos controles internos podem trazer consequências prejudiciais ao condomínio e ao síndico independente de justificativas que, em um primeiro momento, parecem justas.

Assim, é muito importante que toda decisão seja compartilhada e discutida com um Comitê de Crise, se possível, ou com o Conselho e o apoio administrativo e jurídico do condomínio.

O síndico não pode e não deve estar sozinho nesse momento. Além disso, deve se fazer presente. Nos momentos de crise, separamos as pessoas comuns dos líderes.

Assim como todo programa de Governança e Compliance, o exemplo vem de cima, então, é muito importante que a “presença” do comando seja evidente. E, nesse momento, usamos a palavra presença entre aspas por motivos óbvios, mas o que não diminui a sua importância em outros sentidos.

Organize encontros virtuais, envie comunicados (quase) diários de forma clara e inspiradora. Ninguém espera que você saiba todas as respostas, até porque, nessa pandemia ninguém sabe.

Mas é muito importante que sua comunidade sinta a segurança que a equipe gestora deve transmitir. As principais virtudes do síndico e todos os envolvidos com a gestão do condomínio agora são: Coragem, Otimismo e Resiliência

E, finalmente, agora falando por todos os momentos saiba reconhecer o contexto da situação.

Dentro da lógica da gestão da complexidade, segundo o psicólogo Fabio Appolinário, temos quatro contextos que eu chamei de 4C’s: Comum (Simples), Complicado, Complexo e Caótico.

Estamos vivendo um contexto um tanto Complexo e um tanto Caótico. Fatos novos surgem todos os dias e os modelos de gestão tradicionais são inadequados. Muitas das atitudes são adotadas de forma experimental.

Portanto, não espere ter todas as respostas e seja criterioso com as pessoas que acreditam tê-las. Até porque, se alguém soubesse exatamente o que fazer, não haveria crise. Esse não é o momento de realizar uma análise de riscos globais. Não é o momento de garantir o rumo do navio, mas sim de não permitir que o navio afunde.

Boa sorte e lembre-se, toda crise é uma ótima oportunidade de crescimento, não desperdice a sua.

(*) Renato Fernandes é administrador, com atuação voltada à área condominial; MBA em Gestão do Conhecimento e especialização em Gestão Condominial. Pós-graduando em Direito Corporativo e Compliance.

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