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Convivência

Crianças em condomínio

Sem poder brincar nas áreas comuns, meninos fazem área de lazer

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Proibidos de brincar em condomínio, meninos fazem sozinhos uma área de lazer

Tudo que eles querem é um campinho de futebol decente. 

O que Matheus, Gabriel e Wesley tem em comum é o desejo de brincar feito criança. Morando juntos há 3 anos, no mesmo condomínio, no Jardim Carioca, a parceria foi interrompida quando o síndico, a pedido de moradores, proibiu a criançada de jogar bola e andar de patins na área externa.

Sem quadra ou espaço destinado ao lazer, os meninos decidiram pegar a enxada e carpir um lote do lado de fora, tudo pelo sonho de um campinho de futebol decente.

Apesar de todo trabalho, ainda não existe um campo digno para as brincadeiras. Muitos estão se arriscando entre pedras, mato e lixo que moradores deixam por ali.

"Quando eu vi eles já estavam com a enxada na mão e limpando o terreno. O restante da criançada foi chegando para ajudar", conta Janaina Arguelho, de 32 anos, mãe de Matheus, de 13.

Que criança faz bagunça todo mundo sabe, mas tem vizinhos que não entendem e tudo virou motivo para desavença.

"Muita gente se irrita com as crianças, porque eles correm e gritam pelo condomínio. Rolou até briga por conta de barulho e da bola que bate na janela. Eu entendo os perigos, mas proibir criança de brincar é uma injustiça", diz a mãe.

E ninguém ficou feliz dentro de casa só com o videogame como diversão. Tecnologia parece que não tem vez com a criançada do bairro.

"Eles gostam de ser criança de verdade, querem correr e fazer aquela bagunça que era do nosso tempo. Enjoa ficar dentro de um apartamento pequeno só jogando vídeogame", afirma Janaina.

Matheus Arguelho, de 13 anos, acaba se reinventando com os amigos, mas sem perder a chance de correr pelo condomínio.

"A gente gosta de futebol, mas como eu não posso, a gente brinca de bandeirinha, pega-pega e esconde-esconde, sem muito grito", garante.

Mas para Wesley, de 14 anos, que sonha em ser jogador de futebol, a bola é o que mais tem feito falta.

"A gente gosta de jogar, precisamos de um campinho, já temos até a trave", diz. 

No campinho improvisado todo mundo corre descalço e o os caixotes são para descanso.

"Enquanto alguém não joga pode ficar sentado descansando", afirma Wesley.

No entanto, Janaína, continua preocupada.

"Achei bonito a iniciativa deles, mas queria que essa área fosse aproveitada para lazer. Ou então que alguém pudesse limpar e fazer um campinho melhor para eles", pede.

Fonte: https://www.campograndenews.com.br/

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