O "Trabalho Certo" começa na análise do comportamento da estrutura
Entenda como a análise do comportamento da estrutura evita falhas recorrentes em fachadas e garante reformas duradouras no condomínio
Em nossa coluna de estreia, inauguramos este espaço apresentando a filosofia que guia nosso trabalho: Engenharia de Especialidades: Fazer o trabalho certo. Vimos que muitos gestores e condomínios acabam focando em remediar sintomas - como aquela infiltração recorrente - sem antes investigar a verdadeira causa raiz do problema.
O maior exercício desta coluna será exatamente este: colocar luz sobre temas que geralmente não recebem uma análise técnica aprofundada e, o mais importante, contextualizada para o complexo ambiente condominial.
Como prometido, neste artigo vamos aprofundar porque "o trabalho certo" começa em um lugar que muitos ignoram: o conceito do projeto e as características da estrutura.
A Arte de Encontrar "O Trabalho Certo"
Para ilustrar a arte de encontrar "o trabalho certo" antes de qualquer contratação, vamos usar o exemplo de uma restauração de fachada. Quando você olha para o seu prédio, você vê um sistema único. Mas, para um especialista, a primeira pergunta de diagnóstico é: Esse revestimento foi feito para trabalhar ADERIDO ou FIXADO?
Pense nisso da seguinte forma:
- O Revestimento "Aderido" (similar ao comportamento de nossa pele): É um sistema onde todas as camadas trabalham "coladas" umas às outras e diretamente na base (estrutura ou alvenaria). O exemplo clássico é a camada de pintura ou pastilhas trabalhando sobre a argamassa de emboço de nivelamento da fachada. A performance de uma camada depende 100% da aderência mútua, assim como as camadas da nossa pele. Tudo funciona como num time, se um jogar mal, todos sofrem e podem perder a partida.
- O Revestimento "Fixado" (trabalha como um cobertor): É um sistema onde o revestimento (como placas cerâmicas, metálicas ou ACM) é apenas fixado mecanicamente, através de parafusos e suportes, na base. Ele não está colado. Ele age como um "cobertor" protetor, trabalhando de forma quase independente da estrutura principal.
Essa simples distinção muda completamente a investigação. Em um sistema (pele), procuramos falhas de aderência; no outro (cobertor), investigamos as fixações e a barreira de água atrás dele.
A Equação que Define o Diagnóstico
Mas a análise não para aí. Entender se é "pele" ou "cobertor" é só uma parte do processo de diagnóstico.
Feita essa importante análise, agora temos que entender o comportamento da BASE, ou seja, da estrutura (pilares, vigas, lajes e paredes estruturais ou de vedação), onde esse revestimento trabalha.
Como numa equação, a análise final do problema será igual à somatória do [Comportamento da Base] + [Comportamento do Revestimento].
Pense comigo: Uma "pele" (aderida) se comportará de maneira totalmente diferente se estiver colada em uma "base" rígida de concreto ou em uma "base" sujeitas a maiores movimentações. Da mesma forma, um "cobertor" (fixado) depende de uma "base" que suporte suas fixações.
É a interação entre esses dois comportamentos que define o melhor protocolo de manutenção, considerando como o sistema envelhece e por que as falhas (trincas, infiltrações, desplacamentos) aparecem.
O Papel do Especialista
E aqui está o ponto crucial raro no mercado condominial: resolver essa equação não é simples.
Isso não é algo que uma empresa de reforma, por melhor que seja sua intenção, consiga fazer em uma visita de orçamento focada no sintoma. Isso exige uma visão investigativa técnica e profunda que é a essência do diagnóstico. É tarefa também muito complexa até para a maioria dos consultores que se apresentam como especialistas.
Portanto, somente um especialista com experiência real em patologias e com especialidade no comportamento do sistema de fachadas pode entender essa equação complexa. Só ele poderá fazer o diagnóstico assertivo e, a partir daí, projetar o escopo adequado (o "trabalho certo") para solucionar os eventos na raiz dos problemas.
Tentar pular essa etapa é o motivo pelo qual tantas obras em condomínios falham, gerando conflitos, o retorno precoce das patologias, custos elevadíssimos de retrabalho e infelizmente perda à credibilidade de empresas e gestores.
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(*) Claudio Eduardo Alves da Silva é engenheiro civil e perito, fundador da Prevente Engenharia, atuando no mercado há mais de 24 anos, possui especializações em : Direito Imobiliário, Incorporações Imobiliárias e suas tabelas com base na NBR-12721, Patologias de Edifícios, Recebimento de Obras, Sistemas de Impermeabilizações e Restauro de Fachadas. Atua na elaboração de laudos técnicos de engenharia e como assistente técnico em processos judiciais. Possui conhecimentos de Coaching e Mediação de conflitos, é palestrante e ministra cursos para síndicos, administradores, zeladores e empresas prestadoras de serviços no mercado condominial.