Fim da escala 6x1
BR: PEC prevê 40 horas semanais e dois dias de descanso remunerado
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 221/2019, que reduz a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas e prevê o fim da escala 6x1. A proposta segue agora para votação no Plenário do Senado.
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A medida pode beneficiar mais de 37 milhões de trabalhadores, segundo estimativas apresentadas pelo relator, senador Omar Aziz (PSD-AM). Mais de 57% desse grupo são mulheres, que, conforme o relatório, acumulam múltiplas jornadas de atividades.
PEC prevê dois dias de descanso
A proposta estabelece limite de oito horas diárias de trabalho e garante dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Acordos e convenções coletivas poderão estabelecer compensações de horários e reduzir jornadas, mas sem redução salarial.
A PEC tem como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em maio deste ano.
Redução será gradual
A mudança na jornada será implementada em duas etapas.
Dois meses após a publicação da eventual emenda constitucional, o limite semanal cairia de 44 para 42 horas. Depois de um ano e dois meses, a jornada máxima chegaria às 40 horas semanais.
Durante a transição, acordos e convenções coletivas poderão ampliar a jornada diária para acomodar as 42 horas semanais, desde que sejam mantidos os dois dias de repouso.
Para micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais (MEIs), uma lei complementar poderá estabelecer regras específicas de transição, desde que seja preservado o nível de emprego.
Quem fica de fora?
A proposta não se aplica a servidores públicos dos poderes da União, estados, Distrito Federal e municípios.
Também ficam excluídos empregados com diploma de nível superior que recebam pelo menos 2,5 vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), salvo por liberalidade do empregador ou previsão em acordo coletivo.
Nos contratos vigentes da administração pública que envolvam mão de obra, a redução da jornada dependerá de aditamento contratual, que deverá ser formalizado em até um ano.
PEC ainda precisa passar pelo Plenário
A aprovação na CCJ não encerra a tramitação. No Plenário do Senado, a PEC precisará passar por cinco sessões de discussão antes da primeira votação.
Para ser aprovada, será necessário o apoio de três quintos dos senadores, ou 49 dos 81 parlamentares, em dois turnos.
Os senadores também aprovaram requerimento para que a proposta tramite em calendário especial, permitindo a abreviação dos prazos regimentais.
Debate entre os senadores
Durante a análise na CCJ, foram apresentadas 36 emendas, todas rejeitadas pelo relator, Omar Aziz. Segundo ele, alterações no texto poderiam obrigar o retorno da proposta à Câmara.
Aziz defendeu a redução da jornada e rejeitou argumentos de que a mudança poderia prejudicar a economia. Para o senador, a redução da jornada deve ser acompanhada por ganhos de produtividade.
Parlamentares favoráveis também destacaram possíveis efeitos positivos sobre qualidade de vida, saúde mental e produtividade dos trabalhadores.
Já senadores contrários ou que fizeram ressalvas alertaram para possíveis aumentos de custos operacionais e inflação de serviços, especialmente durante o período de adaptação das empresas.
A PEC agora segue para a próxima etapa de análise no Plenário do Senado, onde os senadores decidirão se a redução da jornada e o fim da escala 6x1 avançam definitivamente.
Fonte: Conteúdo SíndicoNet (Produzido com o Auxílio de IA)