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Administração

Funcionários

Novo uso para moradias de zeladores nos condomínios

Publicado em: quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Como a folha de pagamento é responsável pela maior parte das despesas de um condomínio, o jeito encontrado por síndicos e moradores foi enxugar o quadro de funcionários. Assim, a figura do zelador começou a desaparecer, e sua moradia funcional passou a ganhar novos usos, como a locação ou o aproveitamento interno.

O valor da cota condominial, que não para de subir, e já representa uma das maiores queixas dos cariocas, obrigou o setor a se adequar ao novo cenário — de acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi Rio), em algumas regiões da cidade, ela chega a 50% do valor do aluguel. Se antes os condomínios tinham um zelador, cerca de três porteiros e ainda pessoal de limpeza, hoje, o quadro médio de empregados de um residencial se resume a três trabalhadores. Ou seja, ficaram basicamente os porteiros.

O funcionário que dormia no local de trabalho já não encontra mais espaço nos edifícios. As moradias funcionais dos cada vez mais raros zeladores ficaram vazias, e os condomínios, agora, precisam inventar novas modalidades de uso para elas.

Para ganhar um dinheiro a mais e cortar as cotas extras pela raiz, há quem opte por alugar essa unidade e reverter a renda para o condomínio. Essa foi a opção dos moradores do Edifício Clodette, no bairro da Glória, na Zona Sul do Rio.

Com poucas unidades e muitas despesas, a locação foi aprovada por unanimidade.

Imóvel alugado quase pela metade do preço

Das 24 unidades distribuídas entre os três andares do Edifício Clodette, apenas três não são próprias. Entre as alugadas, uma custa quase a metade do preço das outras locações. Oferta? Não, reutilização de um espaço comum.

Com a necessidade de realizar obras de manutenção e sem dinheiro em caixa, a assembleia de moradores decidiu alugar a moradia funcional do prédio, que estava vazia. Desde então, passaram-se oito anos e, segundo a síndica e moradora Maria Fernanda Pereira, de 59 anos, não há sequer uma queixa contra a medida.

— Assumi como síndica há 15 dias, mas sempre acompanhei de perto a gestão do prédio. O inquilino é o mesmo esse tempo todo, e é querido por todos.

Enquanto as outras unidades têm dois quartos, a antiga moradia funcional é uma quitinete. Com a escassez desse tipo de residência no mercado, o novo uso acaba ajudando também aqueles que buscam apartamentos pequenos para morar sozinho.

Em vez de pagar os R$ 700 pedidos por uma unidade no Edifício Clodette, o aposentado Antonio Carlos Silva, de 65 anos, conseguiu morar no mesmo endereço gastando apenas R$ 300. Assim, a equação "novos tempos mais necessidade de renda" acabou gerando a satisfação como resultado.

 

Fonte: http://extra.globo.com

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