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Administração

Má gestão

Síndico é investigado por apropriação indébita em Porto Alegre

Publicado em: terça-feira, 14 de junho de 2016

Ex-síndico é investigado por gastar em sex shop dinheiro de condomínio

Caso ocorreu em Porto Alegre e homem responde por apropriação indébita.Em outros locais, chega-se a se pagar 'mensalinho' por indicação de serviço.

Esquemas de corrupção e desvio de dinheiro também atingem moradores de condomínios de todo Brasil. Foi o que revelou neste domingo (12) o Fantástico, em reportagem produzida pela RBS TV (veja no vídeo acima). Em Porto Alegre, um ex-síndico responde processo por apropriação indébita por ter feito compras pessoais, inclusive em um sex shop, com dinheiro do condomínio. 

O caso ocorreu em um condomínio do bairro Guarujá, na zona Sul de Porto Alegre. O ex-síndico Lenar Pereira teria realizado as compras no estabelecimento com o cartão de débito do condomínio. Ele foi indiciado pela polícia e denunciado pelo Ministério Público por apropriação indébita, crime que prevê pena de até 4 anos de prisão.

A reportagem também mostrou manobras dos síndicos para conseguir dinheiro, com serviços contratados por eles, como jardinagem, reformas e pintura, pagos com o recolhimento das chamadas taxas de condomínio, obrigatórias a todos os moradores. Em Porto Alegre, a reportagem localizou o dono de uma empresa que já sofreu achaques de diversos síndicos. As comissões pagas em troca dos contratos chegam a 60%.

"A gente chama aqui em Porto Alegre de 'a máfia dos síndicos'. Isso está escancarado", afirma o empresário que vende sistemas de segurança.

Outro empresário, do ramo de portaria, diz que é comum o pagamento de uma espécie de “mensalinho”, a síndicos. "Acontece em limpeza de caixa d'água, cortar grama, manutenção predial, pintura de prédio, higienização. Em 90% das vezes a gente é achacado", afirma o empresario.

Repórter se passou por síndico e gravou negociatas

Para comprovar os esquemas, o repórter Giovani Grizotti se fez passar por síndico e gravou negociatas com fornecedores em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Na capital gaúcha, abordou um eletricista, que afirma pagar propina de 20% a síndicos. Já para zeladores o percentual é menor.

"Zelador quando indica a gente é mais ou menos dez por cento", afirma o eletricista, que diz conseguir até os três orçamentos, exigidos pela maioria dos condomínios antes de fechar os contratos.

Em Capão Novo, Litoral Norte do Rio Grande do Sul, o síndico João Francisco Flores Candiota é suspeito de aplicar um golpe em pelo menos oito condomínios. A administradora de condomínios da qual era dono, a Kimar, fechou as portas em março, sem dar qualquer explicação. Só no condomínio do qual Candiota também era síndico, desapareceram R$ 140 mil à reforma da fachada.

"É pior do que entrar na nossa casa e roubar. Porque esse rouba a nossa confiança", desabafa a moradora Marlene Aurélio, funcionária pública. 

Os condôminos procuraram a polícia para denunciar que a administradora de Candiota apresentava extratos falsos indicando os valores supostamente existentes na conta bancária. Mas ao verificar no banco, o extrato original mostrava saldo zero.

"Quando vimos, nós não tínhamos dinheiro nenhum. Eu comprei uma casa e adquiri uma dívida que eu não estava contando", afirma a aposentada Regiane Mader, referindo-se à taxa extra que terá de arcar no boleto do condomínio. 

A reportagem da RBS TV tentou falar com João Francisco Flores Candiota, que não foi localizado. Também se tentou falar com ele pelas redes sociais para pegar a sua verão. Ele recebeu os recados, chegou a ler, mas não retornou. A reportagem também tentou ouvir Lenar Pereira. Ele atendeu o primeiro telefonema, ficou de retornar a ligação, mas não se manifestou até a noite deste domingo.

Fonte: http://g1.globo.com/

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