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Mercado

Mercado aquecido

Tendência é diminuir aumento no valor dos imóveis em 2014

Publicado em: quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

 Preço dos imóveis subirá menos em 2014, apontam analistas 

Após disparada nos últimos anos, estimativa é que valor acompanhe inflação neste ano
 
Os preços dos imóveis no Brasil em 2014 devem subir em ritmo menor do que o dos últimos anos e ficar próximo à inflação. Bolha imobiliária em solo nacional? Não há riscos, ao menos por enquanto. A opinião é de economistas e representantes do setor imobiliário ouvidos pelo R7.
 
De acordo com o último índice Fipezap, o preço médio dos imóveis no País cresceu 13,7% em 2013, mesmo nível do ano anterior. Em 2011, por sua vez, o avanço foi quase o dobro: 26,3%.
 
Segundo o diretor de Relações Institucionais da AABIC (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), Eduardo Zangari, esse aumento ocorreu devido à “demanda reprimida” que, estimulada pelo aumento do crédito, foi atendida pelo mercado.  
 
— A partir do momento que o crédito ficou mais acessível, as pessoas buscaram novos imóveis para comprar e, a partir disso, começou a lei da oferta e da procura.
 
O diretor jurídico da ABADI (Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis), Marcelo Borges, fala sobre “recuperação imobiliária” ao discorrer sobre o tema. Para ele, as melhorias da infraestrutura urbana contribuíram para a correção de valores no mercado.
 
Ainda sobre o aumento no preço dos imóveis, outro ponto citado foi a inversão dos números do mercado — entre 2007 e 2013, as vendas em São Paulo de apartamentos de um quarto passaram de 634 para 7.369; por outro lado, os imóveis de quatro dormitórios caíram de 11.066 para 2.507 no período, segundo dados da Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo).
 
Nesse ponto, o economista-chefe da Secovi-SP, Celso Petrucci, é taxativo ao apontar na predominância de vendas de imóveis pequenos um dos motivos da valorização.
 
— O custo da construção é maior nessas unidades. Além disso, 95% dos imóveis de um dormitório foram construídos em bairros nobres, então isso puxou o aumento nos preços.  
 
Bolha imobiliária? 
 
Questionados a respeito do risco de uma bolha imobiliária no Brasil, os entrevistados a abordaram como um fenômeno pouco provável. Para o professor de Finanças do Ibmec/RJ (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), Nelson de Sousa, os preços dos imóveis devem se acomodar daqui pra frente.
 
— Não se pode afirmar que exista uma bolha imobiliária, pelo menos não existem evidências que levem a essa conclusão.  
 
A economista do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getulio Vargas), Ana Castelo, lembra que hoje o crescimento não é tão planificado como nos anos anteriores — a valorização dos imóveis em Brasília, por exemplo, ficou abaixo da inflação em 2013.
 
— O mercado está se ajustando, alguns lugares já reduziram inclusive o número de lançamentos, de modo a ajustar a oferta e a demanda. A perspectiva é de crescimento [dos preços] moderado, muito próximo à inflação.  
 
Sobre a possibilidade da bolha, ela faz questão de diferenciar a realidade brasileira com outros mercados.   
 
— Quando as pessoas falam em bolha, logo pensam no caso norte-americano. Porém, a realidade aqui é diferente, o sistema financeiro é outro. O número de famílias que usa o próprio imóvel em empréstimos pra comprar outros bens é muito pequeno.
 
Única voz discordante entre os entrevistados, o criador do blog Bolha Imobiliária, que preferiu não se identificar, afirma que a bolha é “evidente” e que é apenas “questão de tempo” para ela estourar. Ele comenta que começou a atentar para o aumento nos preços em 2010.
 
— Naquele momento defendi que o aumento dos preços, motivado por programas sociais e a melhorias da infraestrutura nas cidades devido aos eventos esportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas), não ocorria de forma sustentável.  
 
O blogueiro comenta que, a partir daí, pessoas "sem nenhum conhecimento de investimentos" passaram a comprar imóveis para revender, inflacionando os preços. Segundo ele, agora está ocorrendo uma maior oferta do que procura de imóveis, o que deve baixar o preço tanto da locação quanto da venda.
 
— Nós vemos nos relatos do blog um certo desespero dos investidores, que não encontram compradores para os imóveis supervalorizados. As placas de “vende-se” e “aluga-se” aumentam a cada dia. O preço de venda [dos imóveis] ainda resiste, mas já temos muitos relatos de queda nos valores negociados.  

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