Quando a crítica tem mais voz que o trabalho do síndico
Por que o morador que promete cortar custos ganha mais crédito do que o síndico que mantém o condomínio de pé? E o que isso diz sobre a profissão
Nós, síndicos, estamos constantemente nos atualizando por meio de cursos, MBAs, palestras e capacitações. Diariamente buscamos soluções que tragam melhorias ao condomínio com responsabilidade e a um custo justo para todos os moradores.
Curiosamente, quando a gestão consegue organizar a casa, equilibrar as contas e colocar o condomínio nos trilhos, começam a surgir os "salvadores da pátria". E é justamente nessa fase: quando o condomínio estava em situação caótica, eram poucos os que se apresentavam para colaborar ou assumir responsabilidades.
Então aparece aquele morador que passa a divulgar que reduzirá a taxa condominial porque existem "muitos gastos", ao mesmo tempo em que critica as instalações e melhorias já realizadas, como se qualquer evolução dentro do condomínio não dependesse de planejamento, investimento e recursos financeiros.
E, claro, ele sempre afirma ter a solução perfeita para tudo. O discurso é sempre o mesmo: vai modernizar, economizar e resolver todos os problemas.
Por que a crítica convence mais que o trabalho?
Mas a reflexão que quero trazer não é sobre mudança ou participação dos moradores, pois isso sempre será bem-vindo e necessário.
O questionamento é outro: por que alguém que aparece apenas para criticar consegue gerar mais credibilidade do que quem trabalha diariamente para manter o condomínio funcionando?
A resposta, muitas vezes, está na falta de valorização da profissão de síndico.
Frequentemente, o foco se resume à promessa de redução de custos, sem que sejam considerados aspectos técnicos, operacionais, legais e estruturais envolvidos na gestão condominial. O preço acaba falando mais alto do que a qualidade, a experiência e a responsabilidade.
O custo escondido da economia milagrosa
O mais preocupante é que muitas dessas soluções milagrosas, vendidas como economia imediata, acabam gerando prejuízos muito maiores no futuro. Ainda assim, não raramente são aprovadas e aceitas pela coletividade.
É uma realidade triste. Enquanto alguns enxergam apenas números, o síndico profissional enxerga pessoas, patrimônio, segurança, planejamento e sustentabilidade da gestão. E isso tem valor mesmo que nem todos estejam dispostos a reconhecer.
(*) Rose Brandão é é formada em Administração de Empresas pela FMU. Certificada em Administração de Condomínios pelo Secovi. Atua como Síndica Profissional na empresa Exclusiva Síndico.