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Hubert Gebara

Portaria virtual

Para decidir com segurança, é preciso pesar prós e contras

Por Hubert Gebara*

A chegada do porteiro eletrônico pode iniciar uma nova polêmica com relação à segurança nos modernos condomínios. A tecnologia adquiriu imensa importância em todos os setores da vida moderna. Muitos entre nós já não sabem mais viver sem ela. Mas a introdução do porteiro virtual nos condomínios tende a ser também uma questão de custo. 

Na vida que hoje chamamos de “real”, uma portaria requer a participação de três porteiros. Há condomínios com duas portarias.

Nesse caso, precisa de seis porteiros. Contando com o folguista, são então necessários sete funcionários para que a equipe fique completa e garanta o bom funcionamento da portaria.

O custo dessa mão de obra não é irrelevante para condôminos ou moradores. A questão do custo-benefício dessa inovação tem de ser analisada com cuidado. O que é entretanto mais importante para os condôminos e moradores do prédio: a economia ou a segurança da família ou patrimônio? 

Esse dilema acompanha a nossa vida. Permeia tudo o que fazemos. É um dilema que não deixará de nos acompanhar e tampouco haverá de simplificar a vida dos economistas. 

O porteiro eletrônico opera remotamente, por meio da empresa que fornece o serviço. Dessa forma, recebe os dados on-line da operadora e os transmite ao morador.  A portaria eletrônica inclui a biometria. Esta é, para alguns, uma tecnologia de segurança máxima.

Ela pode ser realmente infalível desde que o usuário consiga operá-la com sucesso. Pela experiência dos caixas eletrônicos dos bancos, a biometria nem sempre decodifica a impressão digital. Há portanto quem não ainda sabe operá-la.

Por conta de eventuais dificuldades, sejam da análise de custos ou da operação em si, o síndico deveria fazer uma reunião com os moradores do prédio – estando também presente o representante da empresa prestadora do serviço –, para que todos fiquem bem informados sobre a novidade. 

A inegável importância do porteiro “real” é uma das questões a serem analisadas. Embora o histórico de sua atuação nos condomínios não seja impecável, ele tem grandes virtudes: falar com pessoas que podem ser chamadas pelo nome não é o mesmo que falar com as máquinas. Pode ocorrer que alguns condôminos ou moradores mais conservadores não se adaptem ao novo sistema. 

Na reunião para o debate sobre a implantação do porteiro eletrônico, tudo tem de ser conversado. Se o problema do condomínio for realmente a economia que resultará, a inovação é válida. Mas talvez seja melhor aguardar os resultados dessa reunião antes de demitir o porteiro “real”. 

(*)Hubert Gebara é vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) e diretor do Grupo Hubert.

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