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Administração

Síndico por opção

Jovem quis ser gestor para agregar a sua vida profissional

Publicado em: quarta-feira, 1 de junho de 2016

Assembleia de instalação. Dezembro. Clima abafado. Os futuros vizinhos com diversas perguntas para a administradora, querendo tirar dúvidas de última hora. Chega a hora da votação para síndico. Ninguém se oferece. E aí?

“Já tinha pensado no assunto e havia decidido que se houvesse uma oportunidade, gostaria de ser o síndico”, contou ao SíndicoNet Bruno Vigato, 33 anos, analista de processos e, desde então, síndico do Residencial Ônix, em São Bernardo do Campo.

Não podemos negar a coragem de Bruno: antes de se mudar para o condomínio, ele nunca havia morado em prédios, mas sabia que era possível se houvesse dedicação e um pouco de estudo na área. 

“De verdade, achei que seria uma ótima experiência para mim, um grande aprendizado”, argumentou Bruno.

Instalação

Os dois primeiros anos do condomínio são chamados de “período de instalação”. É durante esses meses que a maioria dos moradores passa a morar no local.

É também uma época de muitas dúvidas, afinal tudo é novidade. Os moradores ainda estão reformando suas unidades e não conhecem direito as regras do local.

Muitas vezes, durante esse período, há um regulamento interno provisório, que será votado e aprovado como definitivo – mas sempre passível de mudança, de acordo com a realidade do local.

Para Bruno, uma questão que permeou esse período de instalação foi a vontade dos moradores de ver o condomínio sempre funcionando corretamente.

“Qualquer coisa os moradores me acionavam, desde o carrinho de compras estarem no lugar errado até uma sujeirinha em um canto. O condomínio é novo, então todo mundo quer ver o espaço 100%”, reflete.

Hoje, porém, as demandas são mais pontuais e não chegam a todos os momentos.  

Desafios vencidos

Apesar de ser um gestor sem prévia experiência, Bruno, na foto ao lado, conseguiu ficar de olho e fazer valer os direitos dos moradores junto à construtora.

“Tivemos um problema sério com o gerador, que ficou mais de seis meses parado, devido ao atraso na entrega do condomínio. Como a manutenção preventiva não foi feita corretamente, ele nunca funcionava quando caía a energia. Demorou cerca de oito meses para que a construtora trocasse o aparelho”, conta.

Bruno também teve que trocar de administradora – a empresa havia sido indicada pela construtora. 

“Comecei a perceber que os contratos estavam com valores acima do que eu mesmo procurava. Decidi trocar não só a empresa, mas todos os contratos negociados por ela”.

Desde então, todos os contratos do condomínio são cotados pelo síndico. “Acho que quando lidamos com o dinheiro que é de todos, o melhor é ser o mais transparente e cuidadoso possível”, argumenta.

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Melhorias e economia

Querendo melhorar a segurança no empreendimento, o esquema de portaria virtual foi aprovado pelos moradores e está em processo de implantação no condomínio.

“Vamos diminuir em cerca de 50% os custos com a portaria por mês. Vamos investir essa verba em melhorias para áreas comuns. Conseguir mobiliar o salão de festas, a academia e a churrasqueira sem fazer arrecadação extra é bem positivo”, conta o gestor.

Bruno também apontou o aumento da segurança no local, como os leitores biométricos e a instalação das clausuras na entrada de pessoas e garagem como um ponto positivo desse tipo de portaria.

Outro ponto de economia importante para o gestor é a manutenção preventiva.

“Se você já olha quando abre uma trinca, quando começa uma goteira, tenha certeza que vai economizar no futuro, seja em dinheiro ou dor de cabeça”, compara.

Trabalho em grupo

Para dar uma mão e ajudar a organizar o empreendimento que abriga 56 unidades – e que já está quase totalmente ocupado – Bruno conta com um subsíndico e quatro conselheiros, que se reúnem semanalmente para ficarem em dia com os assuntos no local.

“Saber que tenho com quem contar, que todos sabem a sua responsabilidade e fazem a sua parte é muito legal, mostra que estamos todos interessados no bem-estar do condomínio”, frisa o síndico.

Para se comunicar com ele, os moradores podem mandar whatsapp, e-mail ou ligar no telefone. A opção do gestor é deixar os moradores à vontade para procurá-lo sempre que for necessário.

Essa foi a opção de Bruno. Geralmente, o aconselhável é propor um ou dois canais de comunicação com os moradores e se ater a eles. Dessa forma, tanto gestor quanto condôminos conseguem se organizar melhor. Vale lembrar que o próprio SíndicoNet disponibiliza uma ferramenta, o CondoMundo, específica para centralizar a comunicação.

A administradora também ajuda com a parte ligada à legislação, análise de contratos, entre outros.

Vale à pena?

Para quem pensa se vale à pena ou não ser síndico, Bruno oferece um conselho:

“Acho que sendo síndico adquiri uma maturidade que não teria de outra forma. É algo muito grande para cuidar, uma responsabilidade que muita gente não imagina. Mas para mim vale muito à pena. Comecei por achar que iria agregar na minha vida profissional, como realmente agregou. Mas trouxe experiência para o meu lado pessoal também. Claro que é preciso muita disponibilidade, mas no meu ponto de vista, vale a pena, sim”.

 

Esse é o primeiro case publicado pelo SíndicoNet sobre "gestores da vida real". Nossa ideia é mostrar como é o dia-a-dia dos síndicos brasileiros. Quer participar? Escreva para gente aqui!

Depoimento do síndico Bruno Vigato

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