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Convivência

Condomínio animal

Saiba quem são os condôminos do zoológico do Rio de Janeiro

Publicado em: segunda-feira, 28 de março de 2016

As feras do condomínio: o lado quase humano dos animais do zoológico do Rio

Dizem que os zoos estão com os dias contados. Fechado por três meses para reformas e adequações ambientais e reaberto parcialmente semanas atrás, o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, no Parque da Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, vai passar por licitação, aumentar o espaço dos bichos e diminuir o dos visitantes, em busca de ser mais humano, ou mais animal, conforme for.
 
Ao público, naturalmente, todos os direitos a aplausos, vaias e ao surreal, como o mito dos “jacarés empanados” (quando estão tomando sol, parados, são assim chamados por parte dos visitantes, talvez famintos), aos quais se lançam moedas, chupetas, dentaduras e até celulares; ou um recente espetáculo de cópula de primatas, aplaudidos entusiasticamente por um grupo de senhoras de terceira idade que estava no lugar certo e na hora certa.
 
Em geral vistos e descritos, portanto, apenas como objetos de curiosidade, admiração estética, espanto diante do bizarro, piedade e até raiva, os dois mil habitantes do zoo têm hábitos, personalidades, manias, vícios e paixões. Têm também histórias, às vezes sagas, por trás de sua chegada, que fazem, em certos casos, o cativeiro soar como a redenção.
 
Com a ideia de fugir dos estereótipos, a equipe da Revista O GLOBO — com a ajuda de tratadores, biólogos, veterinários e da administração do zoo —, fez uma pesquisa minuciosa sobre quem são os personagens mais notáveis, ou singulares, e encontrou histórias como a da elefanta fugitiva; do amor (quase) impossível entre uma arara livre e outra cativa; do urso em terapia existencial; das orangotangos que desafiaram o Ibama; do pinguim viúvo; de um iminente ménage à trois entre lobos. Só para começar...
 
PAULINHO, O SÍNDICO
Ele estava tomando sol em seu habitat reformado e reflorestado quando o som de uma obra interferiu. Então, entrou em seus aposentos (munido de um caqui) e socou a porta até que o fuzuê fosse interrompido a pedido de funcionários do zoo. Herdeiro honorífico do patrono Macaco Tião (que nas eleições de 1988 quase conseguiu votos para se eleger prefeito e hoje tem uma estátua no jardim), Paulinho toma conta de tudo e não nega show: é só bater palmas que, ao estilo Tião, ele aparece, bate no peito, mostra os dentões e joga o que tiver na frente no público, como deve ser.
 
COALA E CARLA: SAGA E VAIDADE
Elas têm histórias épicas. Carla, por exemplo, aos seus 60 anos, é uma ex-foragida de um zoo falido no Sul. Derrubou um muro, refugiou-se num lago e foi cercada pelas forças da ordem, só tendo sido salva por um tratador de Beto Carrero chamado para garantir o resgate com vida. Coala, bem mais jovem, é ex-circense com personalidade de chefe de manada. Vaidosa, posa para fotos graciosamente, levanta patas com sensualidade e balança o corpo numa estranha estereotipia ao som de um funk que vem do presídio (Evaristo de Moraes) contíguo à sua habitação. Mais discreta, Carla se comporta como uma dama, de ares aristocráticos e modos refinados, cônscia de sua saga heroica.
 
O VIÚVO ALEGRE
Resgatado no litoral do Rio há cinco anos, o pinguim, anônimo, perdeu sua fêmea semanas atrás. Gordinha, parou de comer, vítima de um aneurisma no estômago. O biólogo do zoo se preocupou, mas o humor do recém-viúvo não se alterou. Dono da piscina mais bela, extensa, azul (e agora exclusiva) do condomínio, ele parece conformado e até feliz.
 
CARMINHA, A COBRA PERIGOSA
Ela é uma temível e agressiva píton (parente gringa da jiboia), capaz de devorar grandes animais e ficar inchada, como o chapéu em “O pequeno príncipe”. Mas, enquanto esse dia não chegar, Carminha (assim batizada em homenagem à vil personagem de Adriana Esteves em “Avenina Brasil”) passa 99% do tempo na cama, esnobando troncos, pedras e grama. Talvez por invejar o éden em que vivem as outras serpentes do zoo: um enorme fosso arborizado com espaço à vontade.
 
 
DONA CHICA ADMIROU-SE
Jacarés-de-papo-amarelo, nativos da América do Sul, Chicão e Dona Chica são consumados ninfomaníacos. Campeões de procriação do condomínio, já tiveram cem filhotes, boa parte doada a outros zoos por razão de overbooking. Mesmo sendo animais de sangue frio, costumam ser vistos transando às seis da matina, com repeteco ao crepúsculo. Sob o sol, no processo de termorregulação, Dona Chica dá a impressão de sorrir. Ou será uma fisionomia de exaustão?
 
ROMEU E JULIETA EM SÃO CRISTÓVÃO
A arara Julieta protagoniza uma versão avícola do clássico de Shakespeare. Moradora da Floresta da Tijuca, todos os dias ela voa até o viveiro onde, entre muitas outras aves, escolheu Romeu. Como ele não pode ser solto (não sobreviveria) e ela não pode ser capturada (seria crime ambiental), a consumação do casamento é impossível. De tempos em tempos, de acordo com o ciclo, Julieta põe um ovo infértil próximo ao viveiro. Como são aves monogâmicas (só trocam de parceiro após a morte do mesmo), é grande a chance de isto ocorrer por fidelidade ao seu amado cativo.
 
BILL: O PARTO MAIS DIFÍCIL
Nascido há seis meses, o filhote de búfalo (batizado, naturalmente, Bill) foi o parto mais difícil da história do zoo: sua mãe expeliu o próprio útero duas vezes, forçando a intervenção de equipes externas. Hoje ela passa bem. E Bill vive numa zona especial da Fazendinha, área estilizada do zoo onde estão cavalos, vacas, porcos e grande elenco.
 
O PICOLÉ DO MACACO-ARANHA
Depois das aves, a maior população do condomínio é de primatas. Coatá-branco, macaco-barrigudo, chimpanzés, orangotangos ou este macaco-aranha, chupando seu picolé de iogurte, vivem em jaulas ou jardins vizinhos a vários brinquedos que lhes permitem exercitar seus dons atléticos, seus traseiros e demais dotes de exibição.
 
TAMANDUÁ-MIRIM, O XODÓ DA DIRETORA
Ele é considerado o Mister Simpatia do zoo, e dizem que é o preferido da diretora (sua toca é perto do gabinete). Ameaçado de extinção, o tamanduá-mirim é ainda filhote. Altamente sociável (Salvador Dalí andava com um tamanduá na coleira), ele busca um nome.
 
A ANTA E O ÊXODO DOS VEADOS
Malhadinha (depois desaparece e fica uniforme...), nasceu uma anta de nome Magali. Ela está com a família numa grande área que vem sendo reformada após o êxodo dos cervos, ou veados, que tiveram que ser levados anestesiados para outro local. Os cervos morrem do coração instantaneamente quando estressados, de modo que a operação foi de âmbito bíblico.
 
KATE E WILLIAM: INFERNO
A fêmea é a que está rugindo. O macho, o que procura abrigo. Esta é a rotina de Kate e William, que levaram seus nomes no dia do casamento do príncipe. De acordo com relatos de homens e mulheres que trabalham no zoo, a vida de William é um permanente inferno: Kate sempre recusa a cópula (jamais cruzaram) e
bate no marido, que apanha resignadamente.
 
A IDADE DAS LOBAS: NA BALADA
Elas aguardam a chegada de Cadu, um jovem lobo, guará como elas, chegado de um centro de triagem de animais silvestres junto com um bando de tamanduás, todos com leptospirose. O lobo se recuperou rapidamente, e, em breve, conhecerá suas duas companheiras, cabendo a ele a escolha (de uma, de outra ou das duas...).
 
ELSIE E TANGA, AS ORANGOTANGOS: DEU A LOCA NO COQUEIRAL
No dia de nossa visita, foi a inauguração do novo espaço destas mãe e filha, Tanga e Elsie, de linhagem alemã. Ou melhor, o finado avô de Elsie foi doado por Frau Else, uma benfeitora alemã, cujo nome, por sinal, batizou o da neta... do macaco. Por determinação do Ibama, o zoo plantou uns coqueirinhos para funcionarem no futuro como ponto de fuga (para elas em certos momentos se esconderem da vista do público). Resultado: em 15 minutos, Elsie e Tanga largaram as folhas de chicória com que foram agraciadas antes de entrar e destruíram tudo, arrancaram as árvores pela raiz, vestiram-se com elas, devoraram as folhas (arborícolas, os orangotangos adoram folhas de palmeira e palmitos), fizeram provisões e capinaram a área até que a grama estivesse nua. E agora, Ibama?
 
CASUAR: A VIZINHA E SEUS GATOS
Nativa da Austrália, da Nova Guiné e de ilhas circundantes, casuar é uma ave exótica, isto ninguém discute, e, talvez, bela. Mas no condomínio de São Cristóvão ela faz as vezes daquela vizinha que recolhe bichos e se cerca de gatos, que acabam por se tornar moradores do seu cercado. Dona Casuar aceita de bom grado dividir sua alimentação com os felinos, contando, claro, com o esforço do pessoal do zoo para que haja o mínimo controle populacional...
 
VITÓRIO E SOCÓ: O LEÃO E O LADRÃO
Comedor compulsivo de sashimi “bruto”, passa o dia a devorar todas as espécies de peixes. Considerado o comilão do zoo, prefere cavalinha e sardinha, gordurosos, mas a dieta é controlada. Um assíduo socó ajuda no regime surrupiando o que pode. Cego de um olho (uma rede de pesca o feriu antes de ser resgatado no Espírito Santo), Vitório é tratado com especial esmero.
 
ZÉ COLMEIA: MEMÓRIAS DO CÁRCERE
Urso-pardo resgatado de um circo onde vivia confinado num espaço de dois metros quadrados, Zé Colmeia foi recolhido pelo Ibama em 2007 e, hoje, vive com amplo espaço. Às vezes, o trauma retorna e ele faz movimentos repetitivos (um passo à frente, um passo atrás, coçando a cabeça), lembrando os tempos da clausura. Para manter o astral alto, ele toma um antidepressivo da geração Prozac e recebe “sorvetes” diários à base de frutas, legumes e carne.

Fonte: http://extra.globo.com/

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