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Alexandre Marques

Convivência pacífica

Saber respeitar as opiniões do vizinho é fundamental na vida condominial

Por Alexandre Marques (*)

- Votei na Dilma e no Lula nas duas eleições! Sou petista desde meu primeiro voto!

- Sou contra o “impeachment”!

- Sou contra o casamento de pessoas do mesmo sexo!

- Não tenho nada contra negros e gays, até tenho amigos assim! 

- Sou contra a apologia à homossexualidade das novelas!

- Sou contra o sistema de cotas raciais!

Chamei sua atenção? Está chocado o suficiente com estas afirmações? Então, convido-o, caro leitor, a despir-se de todo e qualquer “pré-julgamento” e “pré-conceito” para refletir sobre essa coluna. 

São afirmações como estas, feitas por pessoas de nossos círculo de relacionamentos ou familiares, amigos, etc., que nos causam muitas vezes um mal-estar ou mesmo aversão!

São colocações destas que nos levam a ROTULAR as pessoas como “preconceituosas”, “racistas”, “homofóbicas”, etc., sem que reflitamos muitas vezes, sobre o sagrado direito destas pessoas de se manifestarem tanto quanto nós, de discordar.

Tenho refletido muito e não é de hoje – em razão dos acontecimentos políticos e sociais do país. Sobre a intolerância das pessoas de um modo geral, intolerância essa, até, em relação aos ditos intolerantes e preconceituosos, homofóbicos, etc., e, penso tratar-se tal situação de no mínimo um antagonismo, um paradoxo! 

Pois, se achamo-nos no direito de livremente manifestarmo-nos, por que, nosso próximo não teria o mesmo direito? Talvez por ser sua manifestação contrária a nossa? E onde está escrito que somente nossa valoração de ideias e ideais, nossa formação moral e ética é a mais correta? Ou a única correta? Quem nos arvorou dessa premissa? 

Perceberam? Essa coluna é um convite ao leitor para que reflita sobre o direito do próximo de se manifestar livremente, democraticamente, como gostaríamos que nossa manifestação da mesma forma fosse considerada! E infelizmente, nos dias de hoje, praticamos cada vez menos isso. 

Nas assembleias de nossos condomínios, nas reuniões de conselho e grupo diretivo, cada vez mais somos intolerantes com o próximo, com a “antiga gestão”, com atos de administração praticados no passado, com o vizinho de porta, etc. A começar pela simples oposição de ideias que qualquer um deles possa fazer ao “nosso” modelo de gestão! Esse sim, o mais correto! O melhor para o condomínio!, etc. 

Esquecemos que o país já viveu a sombra de uma “ditadura” essa sim, real, imposta. A simples insinuação de certos conceitos, ideias e valores, faziam com que as pessoas “desaparecessem”, “sumissem”, e, como sabemos, aparecessem depois mortas e torturadas.

A luta social das pessoas daquela época (e antes que se diga, não estou referindo-me a Dilma!), nos levaram a chamada “democracia”, onde hoje, podemos dizer tudo, contra todos, de forma quase impune, quase sem nenhuma reprovação social. 

Percebe-se uma crescente intolerância e radicalismo contra as ideias prolatadas à beira das piscinas, quadras, churrasqueiras e em todos os demais espaços de convivência do condomínio.

Coitado de quem ousar proferir, heregicamente, qualquer das frases destacadas no começo deste texto, perante os seus vizinhos, sofrerá verdadeiro “linchado virtual” nos malsinados grupinhos de discussão de moradores, “whatsapp”, “facebook”, etc. Será considerado um pária, um “sem noção”, um troglodita, etc.

Esquece, porém, o condômino que assim se manifesta em tais grupos que, o vizinho, tem o mesmo direito de livremente se manifestar ainda que suas ideias sejam contrárias ou firam de morte, sua convicção. 

Não nos esqueçamos de que nossa sociedade ainda é pautada no “estado democrático de direito” e aí, explico para quem não sabe o que quer dizer isso e só ouve as pessoas repetindo mecanicamente essa frase: É a garantia, o respeito das liberdades civis, o respeito pelos direitos humanos e pelas garantias fundamentais, através do estabelecimento de uma proteção jurídica.

Nesse contexto, ainda vige como primado de nossa Sociedade a ampla defesa e contraditório, o devido processo legal na defesa de qualquer pessoa, mesmo a mais “politicamente incorreta” a mais “execrável”. E Graças a Deus! Pois, do contrário, viveríamos em um estado de exceção, em uma sociedade autoritária, ditatorial, fascista e sabemos bem onde isso acaba! 

Podemos não concordar com uma palavra ou ideia de nosso vizinho, porém, temos que defender, sim, seu direito de manifestar-se, democraticamente, nos locais de convívio público do condomínio, nas assembleias, nas reuniões de conselho abertas aos condôminos. Tolerar as ideias contrárias as nossas, as opiniões conflitantes com nossos valores e, fazê-lo de forma respeitável, louvável, evitando trazer para o nosso condomínio a intolerância das ruas, das manifestações populares, essa verdadeira comoção que toma conta do País, muitas vezes, sem que se prestigie o devido processo legal e ampla defesa assegurados pela nossa Constituição Federal da República. Não julgando publicamente, em um tribunal de exceção qualquer um, qualquer pessoa que se manifeste de forma contrária “aos interesses populares”, “ a sociedade civil organizada” , “ a vontade popular”, e frases de efeito e chavões à fora. 

Ouçamos com o mesmo respeito que gostaríamos de ser ouvidos, as manifestações e explicações do síndico (condômino ou não), do conselho, que estão, muitas vezes sendo “julgados” na assembleia como se lá, fosse um “tribunal”, por seus atos de gestão, sendo, por vezes, rotulada sua gestão de “mini” operações lava-jato e esquema da Petrobras, aludindo-se à corrupção que grassa em nosso País. 

São nestas assembleias, chamados, de forma covarde por uma voz anônima no meio da multidão de “corruptos”, “ladrões”, “Lula” e “Dilma”, como infelizmente já testemunhei algumas vezes! E, quando instada essa pessoa que lança essas inverdades, maledicências, difamações e calúnias, contra o síndico e a gestão do condomínio, prefere cômoda e covardemente calar-se. 

Pelos grupos de discussão instantânea criados por alguns condôminos, a gestão do condomínio, leia-se, síndico e conselho é julgada publicamente, em um tribunal de exceção. Sem direito a defesa, sem saber claramente qual a acusação e em que se baseiam as “provas”, contra seus atos de gestão, pautando as acusações no mais das vezes em boatos, fofocas de corredores iniciada pela insatisfação de alguns que foram advertidos ou multados por desrespeitar as regras do condomínio. Ou mesmo, cobrados de seus débitos condominiais, verdadeiro absurdo que faz com que vivamos uma situação kafkaniana de um “processo”, onde não se sabe por quem está sendo acusado, qual o crime, e, no fim, o “acusado” é executado! 

Um grupo de moradores planta a semente da dúvida no seio da comunidade condominial e, nessa época de “inquisição” que vivemos, a gestão, no mais das vezes está fadada ao insucesso, com os dias contados, pois, logo aparece algum “messias”, “salvador da pátria” falando em corrupção, leniência, e, por via de consequência destituição do Síndico e sua quadrilha de lava-jato! Seria cômico, senão fosse trágico! 

Assim, peço que reflitam sobre tudo isso, lembrando que as colocações feitas nesse espaço, não são uma manifestação politico-partidária, tão pouco refletem a opinião do site “Sindiconet” e, antes que rotulem esse signatário, as frases exemplificadas no começo do texto não refletem, necessariamente, minha opinião, pelo menos a maior parte! 

(*) Alexandre Marques Advogado militante Consultor em Direito Condominal; Colunista SíndicoNet; Pós-Graduando em Direito Civil e Processo Civil; Especialista em Processo Civil pela ESA e Direito Imobiliário pelo UniFMU; Relator do Tribunal de Ética da OAB/SP , Diretor de Ensino da Assosíndicos (Associação de Síndicos de Condomínio Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo); Conferencista da OAB/SP, CRECI e SECOVI/RO; Sindicato dos Corretores de Imóveis de São Paulo, Conferencista convidado pela Faculdade Dois de Julho - Salvador/ BA, no curso de Pós-Graduação, Co-Autor do Audiolivro: “Tudo o que você precisa ouvir sobre Locação”, Editora Saraiva, Articulista de vários meios de mídia escrita e falada.

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