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Mercado

Prédio novo

Sâo Paulo tem empreendimento com maior laje corporativa do país

Publicado em: sexta-feira, 28 de setembro de 2012

 São Paulo ganha novo endereço corporativo, o mais caro da cidade

Tecnisa é a única empresa que ocupa um dos andares do edifício, que já virou até cenário de novela: BTG, Google e BVA se mudarão para lá em breve
 
Cíntia Esteves 
 
Por enquanto, a entrada mais movimentada do edifício Pátio Victor Malzoni, dono do metro quadrado comercial mais caro de São Paulo, é a dos fundos. Por lá, passam os trabalhadores responsáveis pela montagem dos luxuosos escritórios de empresas como Google, BTG Pactual e banco BVA. Pelos corredores do condomínio, as companhias travam uma verdadeira corrida de carrinhos de mão na tentativa de ocupar seus espaços o quanto antes.
 
Não é por menos. O prédio ficou pronto em dezembro de 2011, mas só recebeu o Habite-se em agosto. E se dizem que quando a casa é de ferreiro o espeto é de pau, a Tecnisa, outra inquilina do prédio, provou o contrário. A incorporadora, acostumada com obras comerciais e residenciais, foi a única até o momento que já iniciou suas atividades.
 
Quem passa ao lado do edifício não consegue deixar de notar a construção. A fachada toda de vidro e o imenso vão entre as duas torres fizeram o condomínio entrar para a coleção de cartões postais da cidade. E a fama se transformou em mais uma fonte de renda ao grupo Victor Malzoni, proprietário do condomínio. Recentemente, o espaço foi alugado para gravações da próxima novela das 19h da rede Globo, Guerra dos Sexos.
 
“É comum que empreendimentos de destaque apareçam em programas de televisão”, afirma José Albuquerque, diretor de negócios da Brookfield.
 
A incorporadora comprou o terreno localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima em sociedade com o grupo Victor Malzoni, mas em maio de 2010 vendeu sua parte da obra por R$ 600 milhões, ficando encarregada apenas da construção. O valor pago corresponde a R$ 17,6 mil por metro quadrado, fazendo desta a transação imobiliária a mais cara já vista na cidade.
 
Este, que foi o último terreno a ser ocupado na avenida Faria Lima, deu lugar a um empreendimento de altíssimo padrão, cujo metro quadrado para locação está em torno de R$ 200, o que dá uma despesa de R$ 54 mil mensais para a menor das unidades, de 270 metros quadrados. Com 35 elevadores de última geração, cerca de 10 mil pessoas devem passar pelo condomínio diariamente. Para dar conta do movimento, o prédio foi preparado para gerar sua própria energia nos horários de pico.
 
Toda esta tecnologia convive com uma construção do século XVIII, localizada entre as duas torres do prédio. A casa Bandeirista, tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico (Condephaat), pertencia ao sítio Itaí e teve de ser preservada. “Conciliar uma obra deste porte com as restrições impostas pela antiga casa de bandeirantes foi nosso maior desafio”, afirma Albuquerque.
 
Nada pôde ser construído em um raio de 10 metros da antiga residência. A casa estava em péssimo estado de conservação e foi restaurada durante a obra do condomínio. Mas o esforço foi bem visto pelos condôminos, garante Albuquerque. “As empresas multinacionais, como as que ocupam o prédio, valorização a preservação de patrimônio histórico da cidade”, diz. O imóvel também pertence ao grupo Victor Malzoni, e deve se transformar em um centro cultural. 
 

Prédios são marketing para grupos

 
Fernando Forte, sócio do escritório FGMF Arquitetos, acredita que apesar do grande número de prédios comerciais em construção na cidade, há uma insustentabilidade no uso do espaço urbano. “Temos muitos prédios com índices de ocupação incompletos, que poderiam ser utilizados”, explica o arquiteto.
 
Na opinião dele, o brasileiro sofre da “síndrome do carro zero”.
 
“Estar em um prédio novo, mais moderno, caro ou bem localizado, é também uma ação de marketing para as companhias”, diz.
 
De forma geral, prédios comerciais, com exceção de projetos como o edifício Rocha Verá, em São Paulo, que integra espaços de convivência e verde, são muito parecidos, segundo Forte. “Do ponto de vista arquitetônico, não vejo muitas inovações.” A tendência, segundo ele, é que os compradores passem a exigir soluções originais no uso do espaço, qualidade e sustentabilidade. “Com os altos preços de venda dos imóveis, dá para inovar muito mais.”

 

Fonte: http://economia.ig.com.br

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