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Administração

Síndico profissional

Levantamento do SíndicoNet mostra dados sobre mercado de condomínios

Publicado em: terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Síndico profissional ganha espaço

Síndica profissional há quatro anos, Luciana Damasceno, de 36 anos, teve sua primeira experiência na gestão do edifício como moradora. “Ninguém queria ser síndico e como eu trabalhava com contabilidade me escolheram para o cargo”, diz.
 
Ela ficou dois anos gerenciando o condomínio em que morava, e nesse período participou de cursos para aprimorar seus conhecimentos. Começou a se interessar pelas atribuições, frequentou um programa de administração condominial, gostou e decidiu cuidar de outros empreendimentos. Hoje, como síndica profissional, tem sob sua responsabilidade três prédios, 360 unidades, e ainda concilia o cargo com sua atividade de contadora em uma empresa.
 
Luciana dá rosto ao levantamento do site SíndicoNet, que mostra o aumento da figura do síndico profissional no Brasil. Segundo os realizadores do estudo, o crescimento retrata a crescente falta de interesse dos moradores em assumir o cargo.
 

Avanço

A pesquisa, feita com 4.457 entrevistados, mostra que, em 2005, apenas 5% da gestão dos conjuntos residenciais era feita por síndicos profissionais. Em 2013, o porcentual foi a 19% e agora em 2015 subiu para 26%. “É uma tendência no mercado de condomínios”, acredita o fundador do site, Julio Paim. O levantamento também apresentou as principais razões que levam as pessoas a investir na carreira de síndico: 7% optaram pela função depois de ficarem desempregadas, 68% pela oportunidade de ter renda extra e 25% estavam insatisfeitos com o emprego anterior.
 
“Cresce consideravelmente o número de síndicos profissionais. Temos um curso online de administração condominial, com 12 módulos de 1h30 de duração cada, que aborda questões administrativas e de legislação. Hoje, é preciso administrar um condomínio como se fosse uma empresa”, diz Paim.
 
Para ele, a função de síndico está ficando cada vez mais complexa, impulsionada pelo crescimento dos condomínios-clube. Com maior número de moradores e o aumento da responsabilidades, muitos condôminos que gostariam ser síndicos, argumenta Paim, pensam duas vezes antes de aceitar e, quem aceita, busca cursos de aperfeiçoamento.
 

Especialização

 
De acordo com o fundador do SíndicoNet, o número de síndicos profissionais apresentou maior elevação a partir de 2014. Ele diz ainda que o curso, que é oferecido há três anos, teve alta de 100% de 2014 para 2015.
 
A remuneração também atrai muitas pessoas para a função. O levantamento apontou que 20% dos síndicos profissionais têm renda de até R$ 2.000; 30% recebem de R$ 2.000 a R$ 4.000; 29% tem remuneração de R$ 4.000 a R$ 6.000 e 21% têm salário acima de R$ 6.000.
 
O levantamento também mostrou que a função já é a principal ocupação para 39% dos síndicos profissionais; para 24% é mais uma fonte de renda, pois possuem um outro emprego; 16% são aposentados e 21% têm outras rendas. “Muitos ainda conciliam com outra função, mas quem quiser investir na carreira, precisa de dedicação”, afirma.
 
A síndica profissional Luciana ainda continua trabalhando no setor de contabilidade de uma empresa no período da tarde e divide as manhãs visitando os condomínios.
 
Segundo Luciana, financeiramente também vale a pena ser síndica profissional e ela diz que pretende futuramente se dedicar somente a esta função. No entanto, afirma que é preciso estar sempre se atualizando: “O síndico precisa entender de obras, manutenção e leis.”
 
Para ela, a mediação de conflitos é o mais difícil do cargo. “É preciso ter paciência e saber lidar com cada um dos moradores. Hoje, eu já consigo solucionar os problemas com mais facilidade”, diz.
 

Cinco mandatos 

 
Sem a denominação de profissional, mas com muito profissionalismo para cuidar do condomínio do qual é moradora há 32 anos, Rainilde Soares de Barros, de 60 anos, é síndica há 10 anos e está em seu quinto mandato.
 
“Conhecer os moradores facilita a gestão. Em alguns casos, temos laços de amizade e liberdade para conversar”, afirma.
 
Na sua avaliação, o que mais demanda tempo no dia a dia da gestão do edifício de 144 unidades, são as obras de manutenção, que precisam estar em dia.
 
“Este trabalho é praticamente diário, não pode deixar acumular.” Rainilde conta que nunca participou de cursos de gestão de condomínios.
 
Antes de assumir o posto foi subsíndica e levou sua experiência profissional, como estatística, para a função de síndica, além de ter a administradora dando apoio nas questões legais e de funcionários.
 
Rainilde conta que luta diariamente para ter um condomínio mais sustentável, com reciclagem de lixo, redução no consumo de água e energia, atenção aos inadimplentes e conciliar os conflitos diários.
 
De acordo com Rainilde, como consequência da crise econômica, o trabalho de gerenciamento do condomínio deve ser ainda mais cauteloso, pois é preciso ter cuidado com obras caras e grandes, que demandam mais tempo e dinheiro e também as de embelezamento, que podem esperar.
 
“Adoro fazer esse trabalho. Estou feliz no cargo e enquanto os condôminos estiverem satisfeitos e eu tiver condições de gerenciar eu continuarei. Faço o que gosto e tenho obtido resultados positivos.”
 
“Independentemente de ser profissional ou não, o síndico tem obrigações previstas no Código Civil e é o responsável pela administração do edifício”, diz a professora de administração de condomínios da Escola Paulista de Direito (EPD), Rosely Schwartz.
 
Contudo, ela afirma que a busca por conhecimento é importante para ter mais segurança na gestão. “Recomendo que o síndico tenha uma administradora para compartilhar as atividades e trabalhar com a equipe: subsíndico, conselheiros e funcionários do prédio”, diz.
 
Rosely lembra que o papel conciliador fará parte do dia a dia do síndico, além de ter transparência nas ações.
 
“É preciso ter ética e transparência na gestão condominial. Sempre atuar de acordo com a legislação, fazer prestação de contas e realizar assembleias para ter ações respaldadas.”
 
De acordo com Rosely, além da parte técnica, o síndico precisa também destinar um tempo para conversar pessoalmente com o morador.
 
“Às vezes o síndico deve ser psicólogo, ouvir com respeito as reclamações, manter a postura e o equilíbrio, desenvolver a empatia e se colocar no lugar do outro”, acrescenta.
 

Empenho

 
Para Rosely, “é importante ter tempo para se dedicar à função”, e jamais misturar a relação de vizinho e amizade coma de síndico.
 
Há sete anos, Aline Mattar, de 36 anos, decidiu deixar o emprego em um banco para se dedicar à função de síndica profissional. “Eu fui síndica moradora, por dois anos, e o morador tem uma atuação diferente, o erro é admissível. Já o profissional não pode errar, principalmente na contratação de prestador, ele deve olhar de forma mais exigente e solucionar todos os conflitos”, diz.
 
Formada em Direito, Aline acredita que o conhecimento jurídico é fundamental. Para ela, o síndico precisa ter preparo e deve “investir no condomínio, mas com equilíbrio financeiro”, além de estar sempre atualizado para levar novas ideias para os condôminos, manter o caixa sempre balanceado e fazer previsão orçamentária.
 
“Eu escolhi como profissão. Saí do banco para ser síndica, não tinha como conciliar. Fui estudar para me dedicar e ser atuante no dia a dia.”

Fonte: http://economia.estadao.com.br/

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